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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Valentim foi um valente que disse um sim



Corações ao alto, hoje é dia dos namorados!

Para uns é apenas o dia (aliás, algumas horas após o emprego) em que podem voltar a ser aquilo por que a cara metade se apaixonou em tempos idos.

Para outros, eternos românticos, é uma data ansiada para a qual prepararam um programita (após o emprego) que se inicia com um jantar num restaurante mais especial que o normal, seguido por uma oferenda que se traduz, em 90% dos casos, por um perfume, uma rosa ou um ramalhete delas, um leitor mp3 e, para finalizar, um chocolate final na almofada do leito para aquecer o ambiente, entretanto esfriado com o passar do tempo.

Depois há aqueles que podem ou não dar importância à data mas que estão sem cheta no bolso para alegrar a cara metade.
A estes vou dedicar mais atenção, pois são os que realmente se preocupam.
Preocupam-se com muita coisa, desde o não ter hipótese de comprar uma prenda, passando pela vergonha de não ter hipótese de comprar uma prenda, até à apresentação de desculpas por não ter hipótese de comprar essa mesma prenda.

Este grupo subdivide-se em dois. Os que, tão preocupados, se fecham a sete chaves no seu coração, podendo até mesmo desaparecer durante esse dia para percorrer a pé alguns km na vã busca pela resposta aos problemas, e os que, mesmo preocupados, inventam formas de poder, ainda assim, oferecer alguma coisa à sua paixão.

Estes são, quanto a mim, os verdadeiros românticos e eternos apaixonados por quem escolheram. E, bastas vezes, têm a fortuna de serem amados de volta. Não é extraordinário, perguntará o mais à vontade na crise, que esses pobres coitados conheçam o amor que ele, cheio de crédito, não vive? Pois a vida é mesmo assim e o amor não se paga. Pode comprar-se um bocadinho dele, mas nunca uma metade ou a peça inteira.

O amor de um namorado - e repare-se que mesmo uma pessoa casada pode continuar a ser namoradeira - não tem preço. Nem etiqueta. Nem promoções ou descontos em talão. Nem vai em cantigas. Nunca estará em saldo e nunca se fabricará na China. É mesmo “gostar de”, com todas as frases que surgiam nos cromos da colecção “o amor é” e que os petizes desdenhavam nesses tempos antigos... até se apaixonarem por alguém.

Uma prenda oferecida por este subgrupo é sempre fantástica e adorada por quem a recebe. Pode ser quase tudo, desde um raminho de salsa que será metido no tacho com a refeição preparada em surpresa, como um molho de flores selvagens apanhadas no caminho para casa, um livro que está na prateleira e que é o preferido mas que agora passa de mãos, um passeio mesmo à chuva só porque é raro o fazerem a pé, um daqueles pertences que temos esquecidos mas que sabemos perfeitos para a ocasião, uma carta de verdadeiras intenções escrita com cuidado para se perceber a letra, um poema, uma canção, uma promessa, um brinde a tempos melhores mas na mesma companhia, tanta, tanta coisa.
A lista pode ser infindável.

E quem diz que o dia dos namorados é todos os dias, esqueça. Isso é o mesmo que afirmar que o natal é quando um homem quer ou que a galinha da vizinha é melhor que a minha.
Todos sabemos que é assim, mas ter uma data específica para o celebrar não é, de todo, mau.

Apenas nos reforça o sentimento de todos os dias mas que, por diversos motivos, o vamos esquecendo e tapando com as vicissitudes que a vida impõe.

Portanto, hoje é (mais um) dia para aconchegarmos quem está ao nosso lado, dar um abraço apertado e sentido, olhar nos olhos e relembrar os porquês da escolha e sentirmo-nos felizes por ter alguém que nos ature.

Nem que seja em americano e com balões em forma de coração.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

cento e vinte e um

Tentei, sem êxito, não me preocupar com prendas natalícias. E por variadíssimas razões. A primeira é o estado sofrível da conta bancária, a segunda o cada vez maior número de participantes, a terceira todo o folclore e carnaval consumista que ataca tudo e todos e a quarta a total falta de paciência para encarar filas de mau humor e correrias desenfreadas para conseguir a última embalagem de um qualquer produto apadrinhado pela tv. Nunca gostei do Natal que é, quanto a mim, uma obrigação. E como não gosto de ser obrigado a fazer o que não quero, fico totalmente confundido nesta quadra, ciente que os meus próximos desejam a minha presença, os meus não próximos desejam votos e os meus mais longínquos choram saudades por sms ou videoposts. Desde há uns anos a esta parte, encaro-o não como um frete com dia e hora marcada, mas com mais suavidade e até algum divertimento. Toda a minha vida foi passada em algumas casas e com famílias que não a minha, pela única razão que lá em casa o meu pai tinha outros afazeres na noite da consoada, como por exemplo, ganhar algum dinheiro extra que servisse para mimar os empregados com mais um reforço. A minha mãe, pouco ou nada religiosa, assumia a noite como mais uma do ano e só durante a manhã e almoço do dia 25 é que se cheiravam os presentes e os... ausentes. Celebrei assim muitos natais infantis e juvenis e, conforme a vida nos ensina, passei depois a frequentar casas de namoradas cujas famílias levavam e levam ao pormenor toda esta tradição. Na verdade, nunca me senti um outsider e é com grato prazer que recebo convites das ex-famílias que me têm em boa conta e me passaram a tratar por primo em vez de futuro-qualquer-coisa.
Mas este ano a situação é ainda mais difícil pois passei a ser outra vez um futuro-qualquer-coisa paralelamente a primo oficial e oficioso, sobrinho, padrinho e quejandos. Como, então, descalçar a bota?
Olhei em redor, pesquisei, wikidipei e finalmente percebi o que tantas botas de pai natal fazem penduradas nas lareiras ou paredes ou portas... são o calçado de muita gente que, tal como eu, não pode sub-dividir-se molecularmente.
De repente dei por mim a tentar comprar botas de pai natal em filas intermináveis de gente com mau humor e numa correria desenfreada até à prateleira do linear que vende estas vestes específicas.
Estou cansado...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

cento e um

Há qualquer coisa de estranho numa coincidência. Sempre olhei para elas com desdém, pois não acredito em bruxas nem nesse folclore que até acho divertido. Mas depois olho o número do post e é inevitável parar para pensar. Prometi a mim próprio não tomar este espaço como memorial, mas... que se dane, porque não?
Vivi 10 longos anos com este ser. Diariamente.
Lembro-me que foi escolhido porque lambeu o dedo enquanto os irmãos mo morderam. Tinha também uma mancha enorme na cabeça que parecia um choné. Foi logo alcunhado de Camões mas depressa passou a Ega e de seguida a Óscar. Óscar Wild, não Wilde. Não interessam as razões da mudança de nomenclatura, mas posso adiantar que teve a ver com a fraca noção cultural de quem se lhe apresentava ao caminho. Ok, não resisto: Ega era nome de menina...
Desde cedo se percebeu que o trôpego era muito inteligente pois fazia as necessidades em cima das enormes A3 do jornal "espesso" que eram sempre distribuidas pelas várias cozinhas ou marquises dos visitados. Nunca fez porcaria fora delas o que denotava uma inclinação precoce para as artes.
Foi autor de um mensário que prefez o seu primeiro ano e viu-se convidado para ser admirado online, numa altura em que pouca gente sabia que existia esse sub-mundo.
Há muito para contar sobre as primeiras aventuras no exterior, as folhas outonais que lhe viravam a atenção, a esquina preferida para o primeiro alívio, as viagens mais longas de carro, veículos que a partir daí passaram de egoístas duas para cinco portas para ele poder ser admirado por quem vinha nos carros atrás.
Fez muitos amigos! O maior de todos, Zorba! Estão juntos neste momento. Depois havia os outros, inclusivé da mesma raça, mas a relação com o grego foi duradoura. Imaginem um jardim em que todos os dias um Dálmata passeava com um Boxer e em que depois se juntavam todas as raças e credos, tamanhos e feitios, donas e donos, amigos e amigas... era um jardim feliz de Lisboa.
O Óscar conheceu ao longo da sua existência três tipos de pessoas:
a) as que o adoraram desde o início.
b) as que detestavam essa coisa denominada cão mas que ficaram rendidas.
c) as que tinham pavor que ele ajudou a ultrapassar.
Também conheceu inúmeras pessoas de quadrantes diversos, desde engenheiros a políticos, arquitectos a fotógrafos, designers e pintores, poetas e desesperados, pais e mães, irmãos e irmãs, filhos e filhas e afilhado/as e enteadas.
Mas de todos, com quem mais (sobre)viveu foram os músicos. Imaginem um ser que tem não sei quantas vezes mais audição que nós levar desde puto com violinos, gaitas de foles, guitarras várias, flautas, caixas de ritmos e programas software que faziam imenso ruído mas que ele também entendia como música... ah valente. Interessante relembrar agora o rol de músicos e artistas tão famosos e inalcansáveis que lhe fizeram tantos afagos no alto da tola...
Também viveu as mulheres que fazem parte de uma vida, sem um queixume, um ciúme, um desentendimento, um desamoro ou desnorteio. Ajudou a amar e foi por isso também amado. Ah, valente!
Ultrapassou sem mágoa os bons e maus ventos de quem o tinha, ajudando à reavaliação e ao reacordar diário, sempre com um mimo, sempre com um primeiro sorriso, sempre com aquela força que só eles conseguem visitar todo os dias. Tão valente!
Tanto afocinhava as malas de quem prometia guloseimas, como oferecia os pertences a quem o visitava.
Tanto era a alegria de todas as casas como a preocupação de todos os seus membros.
Tanta coisa que deu e tanto mimo que recebeu.
Quem não se lembra dos "olhinhos", do fazer-se pequenino para conseguir subir para um colo, de uma cama sempre ao seu dispôr mesmo à revelia do dono, do apetite voraz por queijo flamengo ou pelo silêncio astuto com que enganava o dono enquanto recebia mil e um bocados de comida dados com segredo por baixo da mesa pelos convivas de repasto?
É também indissociável nas aventuras empresarias, sendo mascote de escritórios que foram mudando com o tempo e vida. Era matreiro a escolher clientes como calmo nas discussões criativas mais acesas.
Era, acima de tudo, educado (fora os dias difíceis que lhe surgiam mesmo em frente às narinas) e extremamente asseado. Podia largar pelo duas vezes por ano (seis meses no inverno e seis meses no verão), mas parecia um felino com a paranóia da auto-limpeza.
Muito, mas mesmo muito fica por mencionar.
Nos últimos tempos, foi-se abaixo das canelas, mas sempre garboso e pedante, amuava cada vez que se tentava ajudá-lo a transpôr qualquer obstáculo mais complicado. Não gostava mesmo nada disso mas lá se ia deixando empurrar por mãos amigas, por gente que o amava. Mas amuava. Amuava porque sabia que já estava a ser uma preocupação, um temor, uma tristeza, um daqueles males de que o coração sofre. O coração do dono.
Nestes últimos meses conseguiu proezas dignas de realce: ficou muito amigo de 1/3 de gatos, tirou o medo a quem tinha pavor, fez catpeople olharem para a sua raça como fantástica e ainda foi buscar a bola amarela cada vez que o benfica marcava um golo ou quando a ferrari estava quase a vencer um grande prémio neste ano menos bom.
A bola amarela...
Há três tipos de pessoas que sabem o que é:
a) as que a adoraram desde o início.
b) as que detestavam essa coisa mas que ficaram rendidas.
c) as que tinham pavor mas que ele obrigou a ir buscar... e buscar... e rebuscar.

Um grande ão, amigo.
Que as minhas últimas lágrimas façam parte do rio que tanto gostavas de cheirar.