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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Perde-se tempo precioso a cada minuto que passa



Se ontem havia tempo de sobra, hoje há falta de tempo.
O que mudou neste entretempo?
A resposta é muito simples: a tecnologia.
Pois é. Pura e simplesmente a tecnologia.
Vamos a contas.

Sou um garoto nascido mesmo na metade dos anos sessenta. Sendo assim, ultrapassei como pude a década mais horripilante de todas, essa tal dos 70, em que toda a gente se vestia de forma a não conseguir parceiro sexual, cuja revolução aconteceu somente devido a excessos e a experiências com substâncias não muito católicas.

Lembro-me, porém, mesmo vestido e calçado pela minha mãe, com boca de sino a tapar as botas de pele de carneiro e camisas cintadas cujo colarinho chegava à costura da manga, que tinha amigos. Amigos no masculino. Isso das miúdas era para outras idades.
Passava a manhã na escola, chegava a casa para almoçar e fazer os TPC. Depois, bom, depois tinha tempo livre para fazer o que bem entendesse, desde que não saísse dos domínios da avenida. Tive a sorte de nascer e viver num bairro com jardins, o que permitiu muita subida às árvores, muita futebolada, muita apanhada e toca-e-foge, muito berlinde, muita queda das bicicletas e dos skates, e muito ténis-de-parede.

Com os meus inúmeros amigos, sobrevivia a este ritmo fisicamente esforçado. E, no final das tardes, ainda tinha tempo para ler um qualquer livro da Blyton, do Verne ou do Doyle, passando pelo Graton, Goscinny, Hergé e Disney, entre tantos outros.
Pedi ao meu pai que comprasse aqueles livros de “cultura”, pesados e cheios de bonecada, que o Circulo dos Leitores vendia, para além de colecções sobre as guerras mundiais, os clássicos da literatura, e tanta outra descoberta.

Num repente, um dos vizinhos tocou a todas as portas e pediu-nos para ir lá a casa. Deparámo-nos com uma coisa esquisita, com um teclado de borracha, e uns cabos que se ligavam ao televisor. Essa máquina do demo encantou-nos e retirou-nos da rua, o que naquela altura não era sinónimo de perdição.
As horas seguintes foram passadas em grupo com a maquineta. As primeiras discussões também, pois todos nós queríamos chegar à nossa vez para não mais a largar. E os pais perceberam que tinham de desembolsar uma quantia avultada para dar ao respectivo petiz histérico essa tal coisa chamada Spectrum.

Eu não tive um Spectrum. Portanto, descobri as miúdas uns anos mais cedo. E segui essa felicidade e facilidade por não ter concorrência, pois ninguém saía dos quartos.

Passado pouco tempo, tive o meu primeiro computador, um bicho a que chamaram Commodore Amiga. Imaginem o gozado que fui por ter uma “amiga” lá em casa... Esse maquinão ajudou-me a encaminhar a vida. Com ele descobri programas que editavam vídeo e áudio. Com ele descobri que se podia controlar sintetizadores e fazer música. Fora os magníficos jogos, que me afastaram dessa vida horripilante ao ar livre e em constante esforço físico com consequências nefastas para o corpo humano.

Comecei a ter falta de tempo.

Principalmente quando comprei o primeiro Macintosh. Depois o primeiro PC. Depois o primeiro telemóvel e depois o primeiro portátil.

Num repente, deixei de ver os amigos de sempre e passei a ter outros. Cada qual com a sua máquina de eleição e poucos com telemóvel e carro. Já tínhamos mais de 20 anos e, pasme-se, íamos de transportes públicos para todo o lado. O horror...

O dia passava entre o estudo, as máquinas, os projectos, alguns trabalhos para ganhar dinheiro, as matinés e as noites, ora no cinema, ora no Bairro Alto entretanto a acordar das leitarias e das velhas prostitutas de rua.

Não havia tempo para mais nada.
Mas as horas eram preenchidas com grandes tertúlias, vontade de mudar o mundo, chegar mais longe que os restantes, fazer empresas próprias, viajar, discutir, aprender, sonhar e sorrir.

Não havia tempo porque já éramos dominados pela tecnologia, que nos permitia ser designers gráficos, realizadores, músicos, cientistas, e tanta coisa.
Mas fomos felizes, não fomos?

Hoje seria de supor que a malta mais nova, que já nasceu com um telemóvel no berço e um laptop no colo, os usassem para chegar mais longe que nós, que facilitassem o seu dia a dia, que abusassem do conhecimento global à distância de um click, que não tivessem de perder tempo a tentar aprender a mexer com cada máquina nova que surgisse com o seu diferente modus operandi e linguagem operativa.

Mas não. Clicam fervorosamente e durante 20 horas/dia, mensagens mal escritas. Deixaram de ler, portanto não sabem escrever. Como teclam nas redes, não conversam. O discurso é inexistente e os erros evidentes. O desinteresse por tudo e todos é real, enquanto o próprio umbigo se tornou no centro das atenções.

Claro que há excepções, claro que há malta extraordinária.
Mas são muito poucos e, decididamente, aqueles que ouviram os mais velhos.

Nós?
Nós estamos cansados.
Ainda continuamos na labuta do conhecimento, ainda temos amigos...
Mas sabemos bem que o que mais gostaríamos era que o tempo voltasse para trás.

Nem que fosse por pouco tempo.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A partir de hoje, nova vida no mesmo blogue.

É verdade.
Não mudei de vida (ainda) mas vou mudar este blogue, simplesmente alargando-o a outros interesses. Vai passar a ser uma completa confusão.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

cento e vinte e quatro

Hoje acordei com uma necessidade estranha de escrever cartas com a Montblanc que tenho ali parada, desejando tudo de bom a quem é bom. Cartas... que raio. A última vez que escrevi um longo texto à mão fiquei com ela toda dormente e dorida. Os ossos já não se adaptam à cerâmica do corpo de uma boa caneta, assim como a pressão exacta para desenhar os rabiscos que se transformam em palavras no papel, já não me é imediata e confortável.
Acordei também com uma grande vontade de não levar telemóvel para a rua mas sim um livro. E em vez de me encaixar no veículo automóvel, dei por mim a estudar a rede do metro que, confesso, me é estranha com tanta cor e estações de mudança das mesmas.
Antes de sair, olhei para os relógios que guardo na gaveta. Só um está com a hora certa e muitos sem pilha. Gosto muito de relógios e de canetas que são, no meu entender, as únicas jóias masculinas e vergasto-me por ter deixado de usá-las. O relógio deixou de ser uma necessidade já que o telemóvel, o tablier do carro, o auto-rádio e aqueles monumentos, perdão, mupis lisboetas com publiciade, horas e temperatura, estão sempre a apontar-nos a hora certa. Até o computador a mostra.
Estamos rodeados pelo tempo ao mesmo tempo que perdemos tempo a tentar viver neste tempo moderno que nos exclui de muitas coisas boas da vida, como por exemplo, escrever uma carta a um amigo, educar o aparo de uma caneta nova, encher o reservatório com tinta e olhar a coroa de uma peça intemporal que nos mostra o tempo real em que vivemos, pois ao fim e ao cabo, é esse o tempo que temos.

sábado, 2 de janeiro de 2010

cento e vinte e três

Finalmente vamos conseguir falar desta década como deve ser, ou seja, vamos dizer anos 10. Acabou-se, pelo menos para nós que (sobre)vivemos actualmente, a nomenclatura demasiado estranha dos zeros. Esta década foi até um zero à esquerda a diversos níveis, tanto pessoais como globais. Foi mesmo para esquecer como se tivesse nascido para ser limpa da nossa memória. Pelo menos, da minha vai.
Entrei no 10 de uma forma calma, limpa e serena. Nem muito álcool nem muita galhofada. Foi simples, correcta, elegante, com brindes sentidos e outros acompanhados por olhares cúmplices de quem sabe o que este ano vai mudar.
E ai se vai mudar...
Talvez devido a isso, e deixando passar este fim de semana ainda festivo, vou mudar algumas coisas no meu dia a dia. Já acordo mais cedo, decidi deixar de ter tv no quarto (que me acompanhava as insónias e me embalava em inglês), de 40 passei para 5 cigarros (e já vou no 2º dia sem grande tormenta), vou tentar deixar-me da companhia irlandesa com gelo e com ou sem um farrapo de água, decidi beber apenas uma bica em vez das 10 e aproveitar a teína do chá, resumindo, vou mudar mesmo algumas coisas importantes.
Pode ser que estas pequenitas modificações sensoriais antecipem o que vem aí. A ver vamos. Até estou contente. Tenho muitas confusões para resolver, mas estou contente. Bom, talvez este não seja o sentimento certo... Entusiasmado? Pode ser, é melhor.
Vou é torcer para que na segunda feira nada de mau aconteça. Quero evitar sobressaltos que me provoquem alterações e me obriguem a refugiar em café e cigarros. Por via das dúvidas, já retirei a tv da parede do quarto e não consigo recolocá-la no grampo sem ajuda. Portanto vou entrar na semana sem ninguém ao lado para evitar uma recaída.
Ai... sózinho, sem tv, desorientado pela falta da cafeína e sem cigarros porque pensava que aqueles últimos cinco chegavam?
Já me estou a passar... e ainda é Sábado.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

cento e vinte e um

Tentei, sem êxito, não me preocupar com prendas natalícias. E por variadíssimas razões. A primeira é o estado sofrível da conta bancária, a segunda o cada vez maior número de participantes, a terceira todo o folclore e carnaval consumista que ataca tudo e todos e a quarta a total falta de paciência para encarar filas de mau humor e correrias desenfreadas para conseguir a última embalagem de um qualquer produto apadrinhado pela tv. Nunca gostei do Natal que é, quanto a mim, uma obrigação. E como não gosto de ser obrigado a fazer o que não quero, fico totalmente confundido nesta quadra, ciente que os meus próximos desejam a minha presença, os meus não próximos desejam votos e os meus mais longínquos choram saudades por sms ou videoposts. Desde há uns anos a esta parte, encaro-o não como um frete com dia e hora marcada, mas com mais suavidade e até algum divertimento. Toda a minha vida foi passada em algumas casas e com famílias que não a minha, pela única razão que lá em casa o meu pai tinha outros afazeres na noite da consoada, como por exemplo, ganhar algum dinheiro extra que servisse para mimar os empregados com mais um reforço. A minha mãe, pouco ou nada religiosa, assumia a noite como mais uma do ano e só durante a manhã e almoço do dia 25 é que se cheiravam os presentes e os... ausentes. Celebrei assim muitos natais infantis e juvenis e, conforme a vida nos ensina, passei depois a frequentar casas de namoradas cujas famílias levavam e levam ao pormenor toda esta tradição. Na verdade, nunca me senti um outsider e é com grato prazer que recebo convites das ex-famílias que me têm em boa conta e me passaram a tratar por primo em vez de futuro-qualquer-coisa.
Mas este ano a situação é ainda mais difícil pois passei a ser outra vez um futuro-qualquer-coisa paralelamente a primo oficial e oficioso, sobrinho, padrinho e quejandos. Como, então, descalçar a bota?
Olhei em redor, pesquisei, wikidipei e finalmente percebi o que tantas botas de pai natal fazem penduradas nas lareiras ou paredes ou portas... são o calçado de muita gente que, tal como eu, não pode sub-dividir-se molecularmente.
De repente dei por mim a tentar comprar botas de pai natal em filas intermináveis de gente com mau humor e numa correria desenfreada até à prateleira do linear que vende estas vestes específicas.
Estou cansado...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

cento e quinze

Gosto de ser naif. Adoro ter a liberdade de olhar uma pintura e dizer que gosto ou não gosto sem ser subjugado pelo conhecimento técnico e teórico. O mesmo se aplica aos vinhos: quando bebo um bom, é porque o é! Quero lá saber se é touriga nacional, se vem do Douro, se foi conseguido em cascos de carvalho ou se a cortiça é do Amorim. O mesmo se aplica à comida: tanto aprecio uma boa orelha de porco à coentrada como o mais delicioso bife tártaro. Desde que esteja bom, digesta-se com agrado.

Mas, por outro lado, admiro a originalidade de um Dali, a pujança de um Pollock, o realismo de um Renoir, a abstracção de um Rothko ou a loucura pop de um Basquiat. Prefiro um espectacular Glória (que é exportado na sua quase totalidade) à fama de um Barca Velha. Adoro degustar o que os melhores chefs apresentam, inspeccionando a arte da apresentação e a sua relação com o palato.

Quem sou eu afinal?

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

cento e quatorze

Hoje é um dia muito especial e está a passar ao lado de milhões de utilizadores da internet: o site Mininova, muito apreciado pela comunidade P2P, pôs fim à distribuição de torrents, ou seja, filmes, séries, fotos, discos, documentários and so on and so on.
Logicamente, esta situação tem a ver com a perseguição dos vários governos contra este tipo de troca de ficheiros (a CEE prepara-se para aprovar uma nova lei anti-pirataria) e defende os tão famosos direitos de autor nas suas variadas formas e fórmulas.

Defende?

Na minha sincera opinião, não! Pelo contrário e passo a explicar.

Sendo também um autor publicado, o primeiro crime que existe contra os meus direitos vem através da própria editora quando faz milhares de discos a mais numa fábrica brasileira que coloca à venda no mundo inteiro sem dar cavaco a ninguém. Ou seja, nem eu sei quantos discos vendi e vendo. Nem eu nem a SPA.
O segundo problema é a própria SPA, um antro de gananciosos e ladrões que vivem à custa dos meus royalties e que têm o descaramento de oferecer "adiantamentos" milionários aos artistas do costume que são os que menos precisam deles. Esta sociedade tem esquemas tão bem montados que os antigos gestores, após terem sido demitidos por gestão danosa, ainda ganharam um recurso que a obriga a  pagar-lhes uma maquia de dinheiro digna de um prémio do euromilhões.
Depois vêm os direitos conexos, coisa juridicamente complicada, cujo pagamento é "esquecido" pelas entidades que utilizam a nossa imagem/nome/obra para se promoverem (tvs, rádios, revistas, etc).
O publishing é outra grande cantilena. São empresas que andam pelas SPAs de todo o mundo à caça do meu dinheirinho. Como é que um artista controla isto?
Finalmente, os armazéns de multimedia que revendem os cds às lojas (fora os esquemas e as compras directas às editoras), os distribuidores e as lojas que, todos juntos, conseguem vender um CD que custa dois euro a 15, 18 ou 20. Os artistas recebem uma mísera percentagem por cada CD à saída da fábrica, não ao preço da loja.

Ora com tudo isto é normal que quem faça música (ou outra arte que tenha suportes e esquemas de produção similares) não fique rico e que tenha nos concertos ao vivo o real ganho de sopa e pão.
Mas se não há disco, não há distribuição nem divulgação. Sem essas não há concertos. E pum!

Então porque é que, sendo artista, não concordo com o fecho de sites onde vou buscar de borla o que quero? Como é que defendo a ladroagem ao meu próprio bolso? Bom, convém dizer que pago principescamente o serviço net que assinei, portanto pago a alguém os royalties e demais direitos do que "saco" ou "baixo". Se a Meo/Zon/Clix/Sapo/etc não têm um acordo com a SPA, isso é um outro problema a resolver. E, sinceramente, o real!
A questão é que no ano passado comprei cerca de 100 cds dos 500 que ouvi. Se não tivesse ouvido não os tinha comprado, pois continuava a desconhecê-los e, convenhamos, pagar 18€ por um disco que não se sabe se é bom ou não é só para alguns. Este ano já comprei uns 40 dos 300 que ouvi.
Ou seja, devido à troca de ficheiros P2P comprei 140 cds em dois anos. E fiz outros comprarem-nos, pois teci elogios por mail, telefone ou facebook... façam as contas.

Como artista, o que me interessa é a divulgação e essa é feita através da net, pois as editoras e demais amigos não querem gastar dinheiro em promoção. Acho que é uma equação muito simples...

Existem outros problemas como, num país limítrofe e inculto como o português, sofrer o imenso azar de ter um gosto diferente da maioria. Ou seja, e mesmo que queira comprar o que procuro, não o encontro à venda nas lojas nacionais. Sou, portanto, obrigado a esforçar-me e ter um cartão de crédito e dar a ganhar o meu dinheiro às lojas internacionais.
Gosto muito de documentários, principalmente da BBC, e de outras divagações televisivas. Mas como aceder-lhes se os 100 canais de tv que pago nem sabem do que estou a falar?

Será que tenho que viver ignorante, tipo carneiro, e levar com o que os abutres, geralmente incultos que mandam nas estações televisivas e radiofónicas, gostam ou me querem impingir?

Desculpem mas não sou pimba. E tão pouco estúpido.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

cento e dez

Hoje deu-me uma imensa vontade de desligar o telemóvel. A questão é que foi para sempre. Sim, sou dos tais que dormem com ele on, que o remetem para o silêncio em cinemas e artes várias,  que raras vezes o esquecem num bolso de uma mala ou casaco, dos que ficam atónitos quando não têm rede, dos que barafustam quando o operador falha, dos que procuram as mais recentes novidades de streaming de dados sem pagar quota, que adoram o wifi, que querem sempre o último modelo.
O que ganhei ao longo de todos estes anos em que ainda relembro o primeiro bloco de ferro da Nokia com uma antena ridícula e falsa? O que ganhei ao querer o último modelo porque fazia mais x que y? O que ganho actualmente quando olho o Satio na montra? A quem interessa, sem ser para mim, o facto de conseguir com este novo modelo ver o que tenho no disco rígido da PS3 que está em streaming com o iMac, em qualquer lugar remoto?
Sei que ganho momentos de prazer. Sou um confesso gadgetfreak, adoro tecnologia, todos os seus pequenitos avanços, sinto-me bem quando demonstro e ensino todos os que me rodeiam, gosto de ser considerado como guru destas artes e ciências modernas.
Adoro perder-me nos sub-menus indecifráveis para a maioria, como receber chamadas de gente em pânico porque o computador (pc ou mac) deu raia. Gosto de provar que, afinal, não sou assim tão geek ou tecnofreak, pois também detesto os nerds informáticos e similares.
Ao fim e ao cabo, acho que sou um gajo moderno, sofisticado q.b. e continuamente interessado no próximo passo.
A questão é que no século anterior, pessoas como eu ainda tinham a sua graça e utilidade. Com a passagem do milénio, surgiram novas infra-linguagens pseudo-técnicas que fazem todo um esforço para que não sejam compreendidas por pessoas nascidas antes de 1980 que é o meu caso.
Quanto a essas, no way, nunca me ultrapassarão.
O problema é outro. É  a questão da liberdade, da disponibilidade, do ser e não estar, como do parecer e não querer. Longe vão os tempos em que combinavamos com os compinchas às tantas horas naquele preciso lugar. Não tinhamos carro, nem GPS, nem telemóvel e quem chegava atrasado 15 minutos já sabia o que ia enfrentar. Hoje estamos disponíveis para as desculpas e atrasos dos outros. Ficamos à seca, pois somos do tempo em que a pontualidade era in ao invés de forex. Somos, portanto, gozados.
Ou seja, o nosso telemóvel plimplimplim é a última prisão. Recebe chamadas, mensagens escritas, faladas e imagéticas, recebe emails, tem já um A.GPS incorporado para mostrar onde estamos, é camara foto e videográfica que nos transforma em jornalistas ou paparazis, liga-nos ao Facebook, Twitter, Myspace, Netlog, Plaxo, Netmeeting, HoresOnLine, Continente, análises clínicas, fisco, StarTracker, Amazon, youtube, farmácias, trânsito, banca, pagamentos de serviços, Wikipedia, Fnac, Worten, Vobis, Stick-a-Skin, Cp, Refer, Benfica, Atlético Clube de Alvalade, Supremo tribunal de Justiça, jornais on line, Nasdac, leilões, Remax, Bimby, Torrents, Mundo, sub-mundo, extra-mundo, Scully, MacGyver, blogger, wordpress, podcasts e mais tudo.

O que nos resta então? Qual é o nosso tempo? Como podemos ler livros e escrever os próximos? Como podemos pensar nas soluções para amanhã? Como podemos ouvir música e desejar fazê-la? Como podemos ser unos quando estamos tão unidos?

Eu não pedi para ser irmão de toda a gente ou o tio dos mais pequenos ou o amante dos mais desesperados. Mas caí na própria teia. Tenho saudades de ter tempo e de ser quem fui. Tenho saudades do tempo. Da liberdade. Da individualidade.
Tenho saudades de mim, quando quis mudar o mundo, pois era imortal e tão garboso que levaria a minha nave a conquistar o desconhecido.
Agora...
Bom, agora só penso em desligar para sempre o telemóvel.
Mas sei que vou ferir toda a gente que pensa em mim, que me quer bem e que está habituada a que eu exista. É que hoje em dia, desligar o telemóvel é como desligar a máquina que nos sustenta a respiração e a identidade.
Se o desligar, morro.
Creio nisso.
E ainda sou novo....

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

cento e cinco

Pensei muito em escrever ou não sobre o António Sérgio. Decidi-me a fazê-lo quando ajudei alguns amigos jornalistas a compilar informações sobre as primeiras décadas de trabalho e ao reparar que a malta nova, esses grandes consumidores de "música", nem faziam a mínima ideia que tal senhor existia, quanto mais que era uma grande voz da rádio.
Fica então aqui uma homenagem em jeito de história melómana e modus-vivendi para as gerações mais novas que se julgam donas da matéria e da razão.

O António Sérgio (AS) marcou a minha geração. Com a sua escolha e divulgação musical que desde o início foi pautada pela novidade e diferença, fez com que um puto como eu tivesse comprado vinis atrás de vinis (enquanto a mesada durava) de nomes estranhos, sonoridades ímpares, letras e palavras cheias, rebeldia q.b., múltiplas linguagens rítmicas e melódicas com essências tão díspares que iam do punk à new wave.
Passei horas defronte à aparelhagem por elementos separados, como convinha, e que contava com um gira-discos da Onkyo, um amplificador vintage da mesma marca, um deck de cassetes da Nec e umas colunas da B&W. O meu pai, que pouco ouvia música, pelo menos tinha comprado o que era bom e, talvez por isso, a qualidade do som encheu-me os canais desde tenra infância, ajudado por uns imensos e pesados auscultadores da Senheiser.
Essas horas fizeram-me mal às costas, pois estava sempre curvado para carregar no botão Rec quando os primeiros segundos das músicas que perseguia soavam como se fosse um alarme.
Depois era uma camada de nervos sem igual até que a música atingisse o seu final, onde era necessária muita rapidez e mestria para carregar no botão Rec/pausa afim de não gravar a publicidade ou a voz do AS. Como puto, eu queria só as músicas...
Essas cassetes que foram crescendo em número e qualidade (de normal a dióxido de crómio e metal, estas muito caras e raras) deram-me alento diário, juntaram-me aos demais ouvintes em romarias no início do Bairro Alto para as matinés do Rockhaus, levaram-me a frequentar últimos pisos em prédios dos Olivais onde existiam rádios pirata e a fazer a minha primeira banda pop/punk/synth/newwave.
Foi com o AS que este país medíocre e inculto saíu do labirinto das FM e das suas leituras juvenis, dos atropelos à liberdade a mandato dos padres da RFM, entre outros casos e politicas.
Se o AS nos dava as novidades, nós repassámos-las nas ondas hertzianas piratas para todo um bairro estar curvado para a tecla Rec dos respectivos gravadores.
Foi assim que grandes nomes da pop/rock começaram a visitar o nosso país, alertados por notícias de uma movida 80 que estava a acontecer na juventude lisboeta e é por isso que nos dias de hoje temos salas cheias com os Massive Attack ou o Steve Reich, festivais extraordinários um pouco por todo o lado, festas melómanas, rádios ainda como deve ser (Radar, Oxigénio e Europa) e um parco mas importante número de pessoas ávidas pelo diferente, não comercial e mais adulto som e imagem.
O AS não foi, portanto, apenas um lobo da rádio com a sua eterna voz de bagaço, a sua inquietação quando ouvia algo novo, a sua alegria quando trocava nomes e experiências.
Pelo contrário, foi alguém que formou muita gente, pessoas que agora tentam incutir nos seus mais novos toda essa liberdade de um mundo outsider das editoras mainstream, das políticas terroristas das playlists, de um imenso programa estupidificante e global que tem como propósito abafar quem pensa diferente das maiorias, quem gosta de ir mais além, quem tem mais do que os cinco sentidos básicos com que nasceu.
O problema é que AS só houve um e não há lugar para mais nenhum, pois até ele foi múltiplas vezes atacado e abandonado pelos seus pares mandantes. Pares esses que agora o choram... quando ainda ontem lhe fizeram a cama.
Desgraçado este povo e este país que vê a cultura por um canudo cada vez mais estreito. E desgraçada destas novas gentes, pupilos de uma MTV vendida e que abraça modas, credos e vestes de gente que nada nos diz. Nem a nós nem ao mundo. Quando acordarem já vai ser tarde.

Um grande abraço António. E um grande e sentido bem haja por me teres ajudado a ser quem sou.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

cento e três

Ser corrupto, ladrão e/ou criminoso não é para todos. Sempre pensei que essas artes eram exclusivas de pessoas que não têm nada a dever a ninguém e estão longe dessa figura ominipresente e potente que é a... mãe. Ou seja, se quisesse ser amigo do que me é alheio e enriquecer de forma rápida e vertiginosa só me restaria uma possibilidade que era saír daqui e ir para uma terra grande e distante. Imaginem se fosse apanhado pela polícia? Como é que diria à minha mãe que, afinal, toda a educação que recebi não tinha servido para uma vida impoluta e digna mas sim para me juntar aos grupos e líderes deste país (ou de tantos outros) para ter uma forte presença social e cargos ao mais alto nível?
Como é que ultrapassaria a vergonha de ver em tribunal todos os familiares que utilizam o meu apelido? E os amigos que me confiaram segredos ao longo dos anos? E o olhar incrédulo de um pai? E os vizinhos? E o fiado que tenho nas mercearias, quiosques e tascos aqui do bairro?
Por tudo isto, e por muito que até saiba alguns truques desse sub-mundo que é o poder aliado à gatunice, não teria coragem para enfrentar tantas lanças olhadas contra mim.
Sofro desse sentimento que se chama vergonha. Na cara, no corpo, na rua, no trabalho, relações e amizades. Nesta altura em que o dinheiro custa cada vez mais a ganhar de uma forma, vá lá e digamos, honesta, seria muito fácil resvalar para caminhos de triangulação empresarial, orçamentos feitos em papel pardo e sem iva, renomear outrém (menor se fosse possível) para os bens móveis e imóveis, apresentar despesas invulgares ao fisco e ter com amigos essa maravilha que é uma off-shore.
Mas não consigo. Por muito que uma vida de ladrão de jóias e arte me fascine, há sempre a possibilidade de ser apanhado e de ter que telefonar à mãe da prisão.
E isso é impensável.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

cem

Extraordinário como cheguei a este número bonito, mágico e complicado de se gerir.
Tenho gostado muito de escrever este blog e, confesso, nunca pensei chegar a um número tão alto de escritos.
Poderia ser um terminus bonito e elegante... cem. Mais a mais porque coincide com uma tristeza particular profunda (e não tem nada a ver com as legislativas nem autárquicas, embora sinta alguma desconecção com o meu próprio país) que me vai mudar radicalmente o dia a dia e a noção que tenho dele. Pensei por isso em terminar este capítulo, mas por outro lado acho bem mais interessante em jeito de memória e de celebração de vida, continuá-lo com gosto e garra.
Ele há coincidências interessantes nesta vida. Nem que seja através de um bonito e redondo número.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

noventa e sete

Fiquei tão agastado com o 96 que tenho que escrever depressa sobre qualquer outra coisa. Mas ouvir e ver o António Costa a querer fazer o bonito e a estampar-se com a história do terreno do IPO, o Paulo Portas a apanhar um banho na Madeira com os submarinos dentro de água, o Santana Lopes a dançar com todas as idosas que lhe surgiam à frente e demais palhaçadas dos protagonistas que querem mandar nas pessoas e cidades, que fico sem jeito. Sem capacidade. E sem vontade.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

noventa e três

Uma simples frase de alguém pode reacordar-nos algo que estaria perdido para todo o sempre. Foi o que me aconteceu agora ao ler um dos muitos blogues que gosto de seguir: alguém quer pisar uvas. O que me foi fazer... relembro agora, cada vez com mais saudade a cada segundo que passa, as temporadas que passava na terra do meu pai (que tem dois éles e um ipsilon de história antiga mas esquecida pelo tempo e gentes) quando era muito muito catraio.
Tinha a companhia de primos e era uma algazarra empoleirar-mo-nos nos pequenos espaços livres das carroças puxadas por bois, cheias de uva acabadinha de apanhar. Nesse caminho até ao lagar, comiamos quilos de uva preta pequenita e depois ajudavamos na pisa. Normalmente o resultado era um extremo e sonolento (quase embriagado) cansaço infantil e uma forte diarreia, mas no dia seguinte ninguém nos proibia a mesma viagem. Nessa mesma altura comia queijo de cabra acabadinho de fazer, bebia o seu leite e adorava ir à cave de um outro primo onde a família se juntava para grandes conversas regadas com vinho da pipa, presuntos pendurados a curar, outros cortados com mestria, queijos vários e um pão que sabia à vida.
De vez em quando bebia um copito de vinho.
E de vez em quando era muito, mas muito feliz.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

noventa

Como já escrevi lá para baixo, estou e tenho tentado acabar com o que se alcunha de lixo da e na minha vida. Entenda-se esse lixo pela tralha que ocupa os aposentos, 90% dela que só serve para acumular pó ou ser rearrumada uma vez por ano aquando a limpeza geral.
Continuo com essa vontade e necessidade mas sofro de um complexo bipolar: às vezes tenho vontade de me desfazer de quase tudo, outras de quase nada.
Escrevo sobre isto porque a minha idade tende teimosamente a seguir em frente e porque tenho medo que a minha cabeça, num futuro, não seja capaz de se lembrar das memórias que os pertences evocam apenas pelo olhar. Imaginem a desgraça que é finalmente decidir limpar a nossa vida de tudo o que acumulámos para depois não nos lembrarmos de nada e precisarmos desse apoio material para pelo menos nos reconfortarmos.
É que tenho mesmo medo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

oitenta e oito

Há sitios netianos com vozes do além, despojos sentimentalistas, teorias conspirativas e, pasme-se, obituários sobre relações que não deram certo. Alertado por uma exclamação e respectivo link no FB, fui ver este local em que se despeja ódio, razões, falta delas e se apontam erros, descortesias, problemas e traições.
Li apenas as primeiras frases dos casos portugueses que escancaram as suas desilusões e fiquei cheio de medo. Tive a minha quota parte de namoricos e aventuras, vivências e exposições e comecei a pensar em algumas, exactamente nas que não terminaram bem. Se bem que me ache um tipo porreiro que cometeu certamente alguns erros, tenho a consciência limpa em 98% dos casos. Vá lá, 95%. Ok, 90%.
Desde tenra idade que fui namoradeiro, tinha boa figura e um sorriso bonito que aliado aos profundos olhos negros, convencia muita rapariga que poderia ser o tal. Confesso que tudo fiz para que se apaixonassem mas fugia delas a sete pés quando tal acontecia. Nesse aspecto serei um sacana? Depois defendia-me com duas situações: a primeira era fazer tudo por tudo para que elas acabassem o namorico, não eu, fingindo-me distante, desinteressado e não tão perfeito quanto um principe o é. A segunda era tentar depois uma ou duas razões para que o desenlace negativo fizesse sentido. Consegui algumas vezes esses intentos e noutras falhei rotundamente.
Já me chamaram muitos nomes feios por ter sido assim, mas na verdade só não falo com duas ou três pessoas que passaram pela minha vida, o que não me parece assim tão mau.
Contudo a experiência da vida mostra-me que não fui tão perfeito quanto pensava e que fiz sofrer algumas pessoas que não o mereciam. A elas fica aqui um pequenito mas sentido pedido de desculpas e que estou aqui para qualquer esclarecimento adicional... nem que seja apenas para não fazer parte desse site de falhanços.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

oitenta e quatro

Adoro jardins, a melodia do vento a passar por entre as folhas. Se calhar gosto é do vento num jardim e aproveitar as sombras aqui e ali. Ou então gosto é de sombras, quanto mais frescas melhor, pois não gosto e não me dou bem com calor. Não sei de onde vem esta minha aversão ao calor mas qualquer coisita acima dos 22, 23 graus já me incomoda. Não é que goste de andar cheio de roupa pois prefiro uma t-shirt, calças leves e um par de ténis, mas tal como tenho calor acima da temperatura mencionada também só sinto frio abaixo dos 10 graus. Ou seja, sou um fulano equilibrado.

É isso. Sou equilibrado.

domingo, 23 de agosto de 2009

oitenta e um

Não sou vingativo. Minto. Penso nas vinganças ao menor detalhe e sigo a máxima de que se servem quando estiver mais frio. Não me dou bem é com injustiças e derrotas que promovem esse nosso feio comportamento, muito menos quando me têm como perdedor. Nessas alturas sou vingativo e como já referi, penso na resposta com calma, perfeccionismo e tenacidade. Mas o tempo passa e acabo sempre por ficar apenas com um amargo de boca já sem força ou vontade para dispender mais energia e apontando o dedo acusatório apenas contra essa minha sofreguidão. Deixo, portanto, que o tempo - esse grande conselheiro - coloque os pontos nos is. Não é que fique satisfeito, mas pelo menos olho para cima e digo em surdina "fez-se justiça!".
Dias atrás aconteceu uma dessas situações em que, passada uma década, olho a derrota de alguém que me derrotou anteriormente. Foi uma conversa olhos nos olhos, digna, séria e emotiva. A outra parte sabe que a sua carreira obrigou ao cancelamento da minha pois só havia um lugar no poleiro. Nunca falámos sobre isso, nunca foi preciso. E nesta altura menos boa, foi comigo que gritou o mesmo que eu já tinha gritado, que amaldiçoou os maus ventos gerais, injuriou uns quantos deuses e suspirou umas cem vezes.
No fim não me senti satisfeito nem justiçado. Até sofri uma pequena ponta de tristeza que rapidamente tentei afastar. Não é bonito sofrer uma derrota. Mas também não é bonito assistir à derrota de outrém.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

setenta e nove

Não nasci num Portugal com fracos valores mas num de mudança maior que implicava vontade, energia, caminho e objectivo. Tudo isso falhou mas uma coisa não o deveria e é essa que mais me preocupa, agora que também me toca e persegue.
Se contarmos 80 anos como uma vida, ter 40 é estar na meia idade. Ora em Portugal isso é quase sinónimo, caso nos sintamos obrigados ou com vontade de recomeçar (tão simplesmente e repito, recomeçar), do final da vida útil. É-se um velho, fora da realidade, sem conhecimentos desse novo mundo da web e redes sociais. É-se gasto, out, ultrapassado. Está-se caduco, não maduro. Cansado, não sereno. Louco, não perspicaz. Sonhador, não aventureiro.
Tenho pensado sobre a meia idade. Ao fim e ao cabo, com 40 anos quero fazer muito mais coisas do que fiz até agora. Chamam-me nomes e gozam comigo pois deveria era estar a pensar na reforma para depois poder fazer as coisas que gosto e/ou viajar. Ora tive, talvez, sorte na vida e consegui fazer muita coisa que sempre gostei e até viajei um bocadinho do mundo. Portanto, não é por aí e continuo a querer fazer mais coisas do que fiz até agora. E antes de ouvir outra resposta ou aconselhamento sobre esta grande imbecilidade, construi uma resposta simples e bastante concreta:
Ora se os meus primeiros 15 anos foram de aprendizagem básica, depois mais dez de aprendizagem teórica, depois mais cinco de aprendizagem prática, na verdade só comecei a viver o eu aos trinta anos. Ou seja e por esse ponto de vista, a meia idade profissional é aos 50 (25 de aprendizagem básica + teórica) e terei mais 25, no mínimo, para fazer as tais coisas que quero ainda tentar e conseguir. Ora 50 para 80, noves fora nada, ainda dá uns belos 30 para o antes e o depois, ou não?
Nunca fui bom a matemática, mas bolas... é que nem de uma equação se trata.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

setenta e oito

Chegado de um provençal jantar onde conheci pessoas que deverão fazer parte da minha vida futura, chego à conclusão - mais uma vez - que não me calo quando quero ficar bem no fotomaton. E depois vergasto-me porque o percebo, consciente que se calhar e talvez fui um chato do camandro. Reconhecem a sensação? A que, por um lado, respondemos ao que talvez fosse já o nosso retrato previa e socialmente esperado mas que, por outro lado, poderíamos ter ficado caladinhos e tentado (mais uma vez) aquela coisa de ser um tipo "estranho", fugidio, interessante e misterioso?
Ai o que dava por ser um desses tais misteriosos, fechado numa capa de concentração e interesse, ávido por ler nas retinas o que vai na mente, esperar a altura certa para proferir uma qualquer concordância ou evitar iniciar uma discussão politica, tão em voga neste periodo pré-eleitoral.
Mas sou um livro aberto e nem utilizo aquela máxima "quem gosta gosta, quem não gosta..." pois por muito que a defenda, não a assino assim tão por baixo. Talvez de lado e com um xis para não ser apanhado num tempo próximo.

Mas que chatice...

sábado, 1 de agosto de 2009

sessenta e nove

Achei por bem aguardar este escrito, presenteado pelo número mágico que faz sorrir, e tentar escrever uma qualquer parvoíce quando já estou ébrio. Sim, a noite de despedida dos convivas que partem para merecido descanso teminou à pouco e foi dura e longa e num repente quedei-me sózinho neste meu novo mundo.
Confesso que reli inúmeras vezes o parágrafo anterior e estou a fazer um enorme esforço para não escrever erroneamente uma qualquer palavra, quanto mais frase.
Tenho para mim que o álcool, ingerido com comensais que o sabem e conhecem, é uma mais valia na nossa vida. É com ele que conseguimos ser mais afoitos, directos, progressivos e com que, geralmente, até conseguimos chegar ao objectivo quando ele se bamboleia naquele vestido de Verão, mais solto e floral, mais colado e convidativo.
Ou então não, fechamo-nos em copas, armamo-nos na couraça intransponível e achamo-nos melhores que todos os outros, porque assim sim e porque assim sim senhor. Ela até vai perceber que eu fechado em educação sou melhor que o badboy que não a larga...
Confesso aqui e agora que não é raro deixar-me e continuar-me ébrio após longas horas de convívio. Continuo solitariamente em busca daquele mundo cor-de-rosa, ou botão, meto os phones xpto hifi e blablabla na cabeça e redescubro os discos que fazem parte da minha vida, com décibeis pouco salutares e figuras que fariam capa de uma qualquer revista rosa, se eu assinasse esse tom (que não sou em ambos os sentidos).
Curioso... demorei imenso tempo a reler o primeiro parágrafo e agora estou-me nas tintas para os seguintes.
Estou ébrio, só pode.