Como já escrevi lá para baixo, estou e tenho tentado acabar com o que se alcunha de lixo da e na minha vida. Entenda-se esse lixo pela tralha que ocupa os aposentos, 90% dela que só serve para acumular pó ou ser rearrumada uma vez por ano aquando a limpeza geral.
Continuo com essa vontade e necessidade mas sofro de um complexo bipolar: às vezes tenho vontade de me desfazer de quase tudo, outras de quase nada.
Escrevo sobre isto porque a minha idade tende teimosamente a seguir em frente e porque tenho medo que a minha cabeça, num futuro, não seja capaz de se lembrar das memórias que os pertences evocam apenas pelo olhar. Imaginem a desgraça que é finalmente decidir limpar a nossa vida de tudo o que acumulámos para depois não nos lembrarmos de nada e precisarmos desse apoio material para pelo menos nos reconfortarmos.
É que tenho mesmo medo.
Mostrar mensagens com a etiqueta fobias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta fobias. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
oitenta e quatro
Adoro jardins, a melodia do vento a passar por entre as folhas. Se calhar gosto é do vento num jardim e aproveitar as sombras aqui e ali. Ou então gosto é de sombras, quanto mais frescas melhor, pois não gosto e não me dou bem com calor. Não sei de onde vem esta minha aversão ao calor mas qualquer coisita acima dos 22, 23 graus já me incomoda. Não é que goste de andar cheio de roupa pois prefiro uma t-shirt, calças leves e um par de ténis, mas tal como tenho calor acima da temperatura mencionada também só sinto frio abaixo dos 10 graus. Ou seja, sou um fulano equilibrado.
É isso. Sou equilibrado.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
setenta e seis
Numa época GPS é bastante estranho como uma coisa pequenita, digamos um petroleiro ou cargueiro, possa desaparecer sem rasto de um mundo constante e totalmente observado. Alarmantes estes modernos sinais em que uma das mais frescas notícias acusa um fabricante de smartphones de monitorizar a vida de quem comprou o mais recente modelo. Cá nas nossas terras, o futuro é chipado nas matrículas dos automóveis que garante ao big brother a total devassa sobre a nossa privacidade. E todos nos calamos assinando aqui e ali uma qualquer petição que sabemos não ir a lado algum.
O verdadeiro herói dos tempos modernos - e com acesso à internet - é o eremita 2.0*, alguém que tenta a todo o custo auto-excluir-se das teias das redes sociais, dos blogs, chats, etc. Alguém que foge a sete pés de um mundo global e à distância de um click (para quem tem mac) ou dois (para quem tem PC) e se recusa a fazer parte de todo esse clã universal.
Encaro essas pessoas - e conheço algumas - como indivíduos um tanto ou quanto sonhadores pois a maior parte tem, para além do IP, um telemóvel e outros gadgets sofisticados. Ou teimosos, pois utilizam o bom que a tecnologia oferece mas recusam as maleitas esféricas de uma liberdade que já não existe.
O grande problema é que também eles sabem que num futuro muito próximo irão ter filhos chipados (com a desculpa de monitorizar o estado de saúde e precaver futuras e graves maleitas), automóveis eléctricos e verdes que garantem um constante blip num ecrã com radar, um cartão único de cidadania já com o que falta no de hoje (e que defende a praticabilidade escondendo o cruzamento de todos os dados e movimentos) e tantos mais truques mascarados de evolução.
Hoje olha-se de lado para o dono que larga o seu cão da trela. Amanhã olhar-se-á da mesma forma para o pai que desliga o chip electrónico do pescoço do seu filho.
*gostei de ter inventado isto.
O verdadeiro herói dos tempos modernos - e com acesso à internet - é o eremita 2.0*, alguém que tenta a todo o custo auto-excluir-se das teias das redes sociais, dos blogs, chats, etc. Alguém que foge a sete pés de um mundo global e à distância de um click (para quem tem mac) ou dois (para quem tem PC) e se recusa a fazer parte de todo esse clã universal.
Encaro essas pessoas - e conheço algumas - como indivíduos um tanto ou quanto sonhadores pois a maior parte tem, para além do IP, um telemóvel e outros gadgets sofisticados. Ou teimosos, pois utilizam o bom que a tecnologia oferece mas recusam as maleitas esféricas de uma liberdade que já não existe.
O grande problema é que também eles sabem que num futuro muito próximo irão ter filhos chipados (com a desculpa de monitorizar o estado de saúde e precaver futuras e graves maleitas), automóveis eléctricos e verdes que garantem um constante blip num ecrã com radar, um cartão único de cidadania já com o que falta no de hoje (e que defende a praticabilidade escondendo o cruzamento de todos os dados e movimentos) e tantos mais truques mascarados de evolução.
Hoje olha-se de lado para o dono que larga o seu cão da trela. Amanhã olhar-se-á da mesma forma para o pai que desliga o chip electrónico do pescoço do seu filho.
*gostei de ter inventado isto.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
sessenta e dois
Ontem acordei a pensar que era sexta feira e não fiquei muito satisfeito por ganhar mais um dia na vida. Não fiquei porque não percebo muito bem como é que saltei um dia, pois não bebi, não fiz directa... apenas fiz o que um homem faz com bastante gana e vontade, felizmente recíproca.
Hoje acordei e quase que me ia acontecendo a mesma coisa, será sexta ou sábado?
Mas o que raio é que se está a passar?
Hoje acordei e quase que me ia acontecendo a mesma coisa, será sexta ou sábado?
Mas o que raio é que se está a passar?
quinta-feira, 23 de julho de 2009
sessenta e um
Não costumo escrever sobre gadgets e novidades tecnológicas pois há outros e muito bons locais para se saberem as últimas propostas. Contudo, este Natal vai trazer alguma nostalgia/alegria para tipos como eu - e para a maior parte dos homens nascidos antes dos telemóveis - no regresso do temível e fascinante cubo de Rubik.
Confesso que tive um e sim, acabei-o. Depois guardei-o em cima de uma prateleira para todas as visitas admirarem o quanto eu era inteligente e perspicaz e deu-me um colapso quando o descobri todo remexido e ainda hoje estou a tentar saber quem foi para lhe aplicar castigo condigno.
Tudo isto para dizer que está quase a chegar o novo cubo de Rubik redenominado Rubik's TouchCube. Claro que hoje em dia é tudo touch para aqui touch para acoli, mas este vai ser um novo vício para muito boa gente. Ora espreitem o videotubo.
Rubik'sTouchCube
Confesso que tive um e sim, acabei-o. Depois guardei-o em cima de uma prateleira para todas as visitas admirarem o quanto eu era inteligente e perspicaz e deu-me um colapso quando o descobri todo remexido e ainda hoje estou a tentar saber quem foi para lhe aplicar castigo condigno.
Tudo isto para dizer que está quase a chegar o novo cubo de Rubik redenominado Rubik's TouchCube. Claro que hoje em dia é tudo touch para aqui touch para acoli, mas este vai ser um novo vício para muito boa gente. Ora espreitem o videotubo.
Rubik'sTouchCube
quarta-feira, 22 de julho de 2009
cinquenta e cinco
Tenho um conflito com as capicuas. Se por um lado as acho agradáveis, redondas e perfeitas, por outro provocam-me alguma angústia e até medo. Não sei porquê nem consigo encontrar razões para essa fobia, mas que tenho aquela comichão na barriga quando penso nisso ou dou por uma...
Bom, podia dar-me para pior.
Bom, podia dar-me para pior.
terça-feira, 21 de julho de 2009
cinquenta e quatro
Penso chegar aos 54 anos. Penso e quero. Aliás, ai de quem se meta à minha frente com uma pistola, um capuz, um boletim de voto sem alternativa democrática, um automóvel desgovernado, uma doença xpto, uma naifa, uma conta por pagar, um ciume, uma macumba, uma gripe qualquer meio marada, mais uma capa com a ana malhoa desnudada, um ovo podre ou uma ostra passada.
Penso e quero. Mas não mando.
Penso e quero. Mas não mando.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
cinquenta
Os argentinos descobriram que o governo lhes mentiu em relação à gripe, os ingleses andam a fazer festas para apanhá-la antes do inverno e a ministra portuguesa é das únicas que ainda não percebeu a gravidade e só fez uma pré-encomenda da vacina.
A H1N1 vai ser terrífica e por cá ainda ninguém percebeu. Há médicos que querem proibir desde já as entradas e saídas do país enquanto o governo lança uns pequenos avisos para lavarmos as mãos. As empresas estão em pânico pois ficar sem trabalhadores em momentos de crise é catastrófico... ou talvez não e é uma bela desculpa para o layoff. Tenho amigas que já lutam contra a falta de clientela em pequenos espaços comerciais, como restaurantes ou cafés, e sabem que não vão conseguir aguentar a renda e demais despesas se perderem mais clientes. Outras não sabem se deixarão os filhos ir à escola já em Setembro, quando há quem defenda um adiamento do início do ano lectivo para Outubro ou mesmo Novembro.
Andamos a brincar com mais um virus lançado para fazer a fortuna de alguns. E não, não é uma teoria da conspiração (nem da constipação), pois basta ver quem é o dono da farmacêutica que detem o único medicamento contra o bicho e que controla 80% das plantações dessa planta milagrosa e etecétera e tal e coiso.
Andamos adormecidos ou este será mais um virus que ajudará os "controladores" no seu genocídio programado e anunciado? 2012, não é?
E para saberem quem são estes senhores, vejam uma série tv com 10 anitos intitulada "Millenium". É engraçado ver as coincidências... tal como foi engraçado ver todas as outras (desde o 24 aos filmes) que tinham como presidente norte-americano um negro.
Confesso que estou bastante preocupado pois não gosto de hospitais.
A H1N1 vai ser terrífica e por cá ainda ninguém percebeu. Há médicos que querem proibir desde já as entradas e saídas do país enquanto o governo lança uns pequenos avisos para lavarmos as mãos. As empresas estão em pânico pois ficar sem trabalhadores em momentos de crise é catastrófico... ou talvez não e é uma bela desculpa para o layoff. Tenho amigas que já lutam contra a falta de clientela em pequenos espaços comerciais, como restaurantes ou cafés, e sabem que não vão conseguir aguentar a renda e demais despesas se perderem mais clientes. Outras não sabem se deixarão os filhos ir à escola já em Setembro, quando há quem defenda um adiamento do início do ano lectivo para Outubro ou mesmo Novembro.
Andamos a brincar com mais um virus lançado para fazer a fortuna de alguns. E não, não é uma teoria da conspiração (nem da constipação), pois basta ver quem é o dono da farmacêutica que detem o único medicamento contra o bicho e que controla 80% das plantações dessa planta milagrosa e etecétera e tal e coiso.
Andamos adormecidos ou este será mais um virus que ajudará os "controladores" no seu genocídio programado e anunciado? 2012, não é?
E para saberem quem são estes senhores, vejam uma série tv com 10 anitos intitulada "Millenium". É engraçado ver as coincidências... tal como foi engraçado ver todas as outras (desde o 24 aos filmes) que tinham como presidente norte-americano um negro.
Confesso que estou bastante preocupado pois não gosto de hospitais.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
trinta e um
Tenho muito medo do histerismo de massas.
Já passei por duas situações complicadas em que quase fui esmagado e naturalmente sofro de uma fobia. Nunca fui a um jogo de futebol, ir a concertos ao vivo é complicado e só vou se tiver lugar sentado nas bancadas ou camarotes. Dizem-me que assim não gozo os artistas e estar no meio do maralhal é que é bom, mas desculpem, não. Tenho medo, muito medo do povo, da sua desordem, pânico e loucura.
Quando vejo mais de 20 pessoas a dirigirem-se a mim só me apetece gritar.
Já passei por duas situações complicadas em que quase fui esmagado e naturalmente sofro de uma fobia. Nunca fui a um jogo de futebol, ir a concertos ao vivo é complicado e só vou se tiver lugar sentado nas bancadas ou camarotes. Dizem-me que assim não gozo os artistas e estar no meio do maralhal é que é bom, mas desculpem, não. Tenho medo, muito medo do povo, da sua desordem, pânico e loucura.
Quando vejo mais de 20 pessoas a dirigirem-se a mim só me apetece gritar.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
vinte e dois
Há quem se perca por sapatos, malas, relógios ou outros ítems.
Ou por bons vinhos e petiscos. Ou por desejos carnais difíceis de esconder.
Ou por amor ao próximo ou próximos. Até por amor a Deus.
Eu sei quase sempre o meu caminho. Mas tenho que pensá-lo antes da viagem.
Ou por bons vinhos e petiscos. Ou por desejos carnais difíceis de esconder.
Ou por amor ao próximo ou próximos. Até por amor a Deus.
Eu sei quase sempre o meu caminho. Mas tenho que pensá-lo antes da viagem.
vinte
Estou com mais uma insónia das que me acompanham desde tenra idade - já fui a tudo e todos, esqueçam lá as mezinhas - e são sempre mais graves quanto o mais cedo tenho de acordar para um qualquer compromisso.
Já sei como é e rodeio-me de episódios de séries tv, filmes, livros, revistas e jornais. O resultado é este: cinco da manhã e reunião às nove.
Regressarei à cama daqui a um minuto. Sei que vou ver as seis.
Talvez as sete.
Até logo.
Pelo menos foi bom desabafar.
Já sei como é e rodeio-me de episódios de séries tv, filmes, livros, revistas e jornais. O resultado é este: cinco da manhã e reunião às nove.
Regressarei à cama daqui a um minuto. Sei que vou ver as seis.
Talvez as sete.
Até logo.
Pelo menos foi bom desabafar.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
dezassete
Sempre fui um medroso no que toca a grandes mudanças na vida.
E sabem que mais? Estou mais crescido.
Já não tenho medo.
Só um pequeno receio.
E sabem que mais? Estou mais crescido.
Já não tenho medo.
Só um pequeno receio.
treze
Gosto muito deste número. É dinâmico, forte e dito de duas formas. Não sei porquê, mas é-me confortável e só posso mesmo adorá-lo.
Para uns é sinónimo de azar, para outros de nada e para os restantes não tem qualquer importância. A não ser que coincida com uma sexta-feira. Nesse caso, até os mais ousados pensam sempre duas vezes quando se cruzam com um gato preto, um escadote ou uma escada, um carro funenário ou um guarda-chuva aberto no interior de uma casa.
Estas fobias são muito engraçadas e é com elas que passamos o exame de menino para moço.
Lembro-me bem de um dia desses, tinha os meus 13 anos. Era sexta-feira, chovia a potes e fazia frio. No caminho para o liceu um gato preto correu-me à frente, passei por baixo de um escadote de um fulano dos TLP, vi um caixão a ser arrumado numa carrinha preta e não fechei o guarda-chuva no hall do liceu.
Estou vivo, não estou?
Para uns é sinónimo de azar, para outros de nada e para os restantes não tem qualquer importância. A não ser que coincida com uma sexta-feira. Nesse caso, até os mais ousados pensam sempre duas vezes quando se cruzam com um gato preto, um escadote ou uma escada, um carro funenário ou um guarda-chuva aberto no interior de uma casa.
Estas fobias são muito engraçadas e é com elas que passamos o exame de menino para moço.
Lembro-me bem de um dia desses, tinha os meus 13 anos. Era sexta-feira, chovia a potes e fazia frio. No caminho para o liceu um gato preto correu-me à frente, passei por baixo de um escadote de um fulano dos TLP, vi um caixão a ser arrumado numa carrinha preta e não fechei o guarda-chuva no hall do liceu.
Estou vivo, não estou?
Subscrever:
Mensagens (Atom)