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terça-feira, 21 de junho de 2011

A arte da pendura no penduranço



Estamos pendurados!

Aliás, sempre nos pendurámos em alguém ou a qualquer coisa, desde os famosos tempos das descobertas aos dinheiros avançados por supra-entidades. Continuamos a ser mestres nesta acção embora, a cada ano que passa, menos optimistas de que no futuro encontremos outros ramos ou alturas.

O penduranço faz parte do modus vivendi lusitano. São os clientes que deixam o pagamento pendurado, os artífices que largam o trabalho a meio, os desencontros, a bateria do carro, o médico que folgou precisamente no dia da nossa consulta, o reembolso do IRS, o telemóvel que crashou, o elevador que avariou, e um sem fim de pequenos azares.
E o que fazemos quando ficamos pendurados? Em vez de olharmos em frente e tornear a situação, achamos mais fácil e prático usarmos esse percalço como expediente para pendurar o próximo.

Existem outros tipos de penduranços largamente comentados pela populaça: o jogador de bola que pendura as botas, o aperto de mão que alguém recusou, a miúda da internet que falhou o encontro prometido, a boleia que não se concretizou. Mas nestes casos, os portugueses encontram sempre forma de se justificarem aos que ficam pendurados por uma explicação: coitado, já não tinha pernas; se eu fosse o outro também não o cumprimentava; ahhh, grande fdp; o sacana vai pagar-mas.

Agora que estamos a cair na real, olhamo-nos com semblante carregado, pois sabemos que até os que nos agarravam também vão ficar pendurados pelas próximas e urgentes modificações público-privadas. E agora?

Agora olha, há que mudar de comportamento e começar a trabalhar. A situação ideal seria entregar os beemers, os benz e os audi aos reais donos, locadoras e bancos. Permitirmo-nos baixar a crista e utilizarmos a excelente rede de transportes públicos que algumas cidades oferecem. Comprar ou alugar uma bicicleta ou motociclo. Poupar nas inovações tecnológicas, pois todos temos o telemóvel de 1995 ali encostado que funciona na perfeição. Preferir a marmita às máquinas automáticas, o tasco do Zé com refeição completa a 6,5€ em vez dos 20 que caem no visa, andarmos a pé numa cidade que, já sem carros, ofereceria os passeios aos peões, reservarmos algum dinheiro para eventualidades em vez de fins de semana no solário ou numa estância de Verão. Ele há um sem número de aplicações.

Seria até fácil resolver esta questão da banca rota se todos pensássemos da mesma forma e tomássemos a decisão. Mas ninguém vai dar o primeiro passo pois sabe, de antemão, que os restantes o vão deixar... pendurado.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Repto de Alarme aos Progenitores




Hoje acompanhei a minha senhora à escola de uma das pirralhas, a fim de discutir uma série de situações que nem o ME soube esclarecer previamente ao telefone.
A presença dos três directores máximos da escola, fez-nos logo perceber que a defesa dos seus interesses iria ser muito lógica e totalmente baseada em verdades que só eles conhecem.
Enfim, mais um esquema público-privado que vai enchendo, e bem, os bolsos de quem foi bem mais matreiro que eu e, logicamente, não tem qualquer dificuldade em assumir-se como mais um chico-esperto que minou, para sempre, este país.

À porta do estabelecimento, quedavam-se várias pitas em alegre cavaqueira, todas de cigarro na mão e nenhum livro, mochila ou material de estudo em seu redor.
Nos cafés defronte, a mesma situação, com a multiplicação de jovens “estudantes”. Curiosamente, no interior do estabelecimento onde decorriam as aulas, vislumbrei um punhado de alunos, mas nem todos na mesma sala. A minha companheira virou-se e mostrou o seu profundo desagrado com tudo, desde a politica educacional, à falta de integridade, honestidade, verdade, competência e honra.

Acalmei-a o mais que pude, expliquei-lhe que, pelo menos, as pirralhas ainda têm progenitores e novos companheiros dos progenitores que tiveram uma educação esmerada e uma escola bastante rigorosa. Isso deve valer para alguma coisa, pensei para os meus botões.
Ela mostrou um ligeiro sorriso de esperança e pediu para irmos para casa.

Chegados, percebemos de longe que o jovem do prédio do lado direito, estava em casa. Como? Muito simples: este puto deve ter uns 18 ou19 anos mas fala e comporta-se de uma forma que eu, e somente eu, penso revelador de um ligeiro atraso. O comportamento social, pois tem dois pais e dois irmãos mais novos, reforça esta minha conclusão, pois é impensável um puto fazer gato/sapato de quem está em casa e, pior para os vizinhos, colocar no máximo (que as rafeiras colunas de computador permitem) a sua música preferida que é, imagine-se, rap. RAP, por amor de deus... E não, ele é de tez muito clara.
O pior não é um puto ouvir aos berros esse sub-género mus... musi... music... enfim, essa construção de beat em loop com uns dizeres gritados em cima. É este puto ouvir a mesma música (em loop mas nunca chegando ao final, pois isso requer paciência e a noção de uma conclusão) até à exaustão. Dele, não será, mas é a de qualquer ser humano que ouve Música.

Pela gritaria que lhe oiço, é este puto que domina toda a família, e que ainda manda vir com os pais porque “tásver, tásver, isso de pintar carros não é pra mim” ou “tásver, tásver, o Benfica próanu ékié”.
Do bairro inteiro, sou o único que, já desesperado, vou à varanda e comporto-me como ele, debitando com a minha garganta e pulmões, algumas verdades que ele, decerto, não entende. Mas pelo menos, roda o botão do volume para a esquerda e de vez em quando, surge um dos progenitores logo atrás a sorrir uma ligeira desculpa. Eu não sorrio de volta, mas olho para a minha companheira e digo-lhe uma verdade, muito importante, que as pirralhas dela, mesmo com algumas parvoíces próprias da adolescência, não conseguem baixar a este nível social e que, graças a elas, o mundo pode ainda ter alguma safa.

Menos enervada, foi ver os emails e deparou-se com mais uma conta do estabelecimento comercial, ops, de ensino, que tínhamos acabado de visitar.
Aí não aguentei, agarrei nas chaves do carro e fiz-me à estrada!

Na minha tresloucada mente só uma questão: “quem é que dos mandantes desta porcaria tem a coragem de me dizer, na cara, que anos atrás gritou aos pais que não sabia pintar carros?”

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

De par em par, uma nesga escancarada


 
Existe um tema que provoca acesa discussão entre amigos quando é abordado: será que se deve mostrar a casa às visitas ou não?
Tenho-me divertido bastante com as variadíssimas opiniões de todos quantos conheço.

Uns dizem que sim, que é boa educação e coloca o convidado à vontade.
Outros dizem que não, pois ninguém deve ter acesso à parte não social.
Uns dizem que é de bom tom.
Outros dizem que parece que estamos a vender o imóvel com o recheio.
E assim por diante.

O que é engraçado é que todos têm uma opinião, mas por vezes a posição difere na prática. Muitos dos que não gostam de mostrar a casa, têm de fazê-lo quando o conviva exclama “ai, mas que linda, onde são os quartos” e etc. Outros que até gostam de mostrá-la, ficam pendurados na fronteira entre a parte social e a privada, observando quem chega a instalar-se rapidamente nos sofás.

Depois de fazer uma muito breve pesquisa na internet, não cheguei a conclusões. Ao que parece é de bom tom, com pode não sê-lo. É agradável para a visita saber o que e onde pisa, como pode ficar acabrunhada pelo show off do anfitrião. É claro há excepções, como quando se faz umas obras valentes ou se compra aquele móvel que se deseja mostrar a toda a gente. São situações pontuais por que todos passamos.

Vai daí, olhei para mim e pensei no que faço.
Pensei, pensei e, de repente, dei por mim a mostrar a casa a algumas pessoas e a evitar fazê-lo a outras.
Como não tenho o costume de convidar indivíduos que não prezo (embora alguns demonstrassem falta de carácter após uns tempos), estranhei esta selecção.
Pensei, pensei e, de repente, cheguei a uma conclusão: não sou eu que mostro ou deixo de mostrar, são os convidados que demonstram interesse ou falta dele.

E fez-se luz.

Na verdade, o português gosta de mostrar a casa a quem convida. Gosta de falar daqueles livros que tem na estante, ou do quadro que herdou da avó. Gosta de mostrar a LedTV que custou uma “pechincha” em saldo no hipermercado, como o Magalhães que comprou para o puto mais novo.
Em tudo o que mostra tem, muitas vezes, o cuidado de apontar que não está ali nenhuma fortuna. Os pertences ou foram conseguidos com muita sorte e oportunidade, ou oferecidos ou outra coisa qualquer.
Parece que temos vergonha de ter o que temos... mas depois gostamos de mostrar os teres e haveres.

Confesso que gosto de mostrar alguns dos meus tarecos. Tão somente porque gosto tanto deles que tento que outros os apreciem.
E isso pode ser tanta coisa... por exemplo, a 1ª edição que encontrei no alfarrabista e que, atenção, custou poucos euro, o dvd super special edition que mandei vir pela Amazon e que trás outro disco cheio de extras, mas que ficou pelo preço do normal cá nas fnacs, o móvel das gavetinhas que é lindo e que consegui por excelente preço devido à mudança de casa de um amigo, etc., etc.

Muitos amigos aponta-me o defeito, talvez porque estão fartos de ouvir as explicações sobre a origem dos elementos, e meio a sério, meio a brincar, gritam “olha, não te esqueças de mostrar a despensa e a casota do animal lá na varanda”.

Todos rimos, mas não deixa de ser uma boa questão... pode-se mostrar uma parte da casa e a outra não? É de bom ou mau tom? É educado ou indelicado?
Em que ficamos?

Uma coisa é certa: é um comportamento lusitano! Ou português, pois os brasileiros fazem o mesmo e têm as mesmas dúvidas.
O que pensará um cámone quando lhe abrimos as portas?

Pior... o que pensaremos nós deles se ficarmos fechados na sala de refeições apenas com acesso ao lavabo social?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O lugarzinho a que chamamos casa



Começo por afirmar que estou farto de dizer mal do meu país, de opinar com criticas sociais, económico-políticas, contra as manias das gentes e dos costumes, passando pela falta de educação cívica e demais. Chega!
Hoje vou dizer bem deste meu lugar, tão favoravelmente bafejado pela latitude e longitude e que contém todo o mundo dentro de um tão pequeno rectângulo.

Este meu país apresenta um esplendor natural que não tem paralelo, desde o Minho ao Algarve, passando por paraísos como o Gerês, a Estrela, o Alentejo, sem retratar as maravilhosas ilhas.
Num mesmo dia podemos esquiar abaixo de zero como tomar banho de mar acima de 20 graus. Podemos saborear um queijo da serra como um peixe acabado de pescar. Por muito que a CEE nos tire o sal do pão, não conseguem tirar o sabor do alentejano ou do de Mafra. Por muito que a Asae feche estabelecimentos, continuamos a cozinhar com utensílios de madeira.  

Temos mais formas de saborear bacalhau que dias num ano. Gostamos de boa mesa e boa pinga. E porque não? Temos a melhor das mesas e pinga da boa.
Num mesmo restaurante, podemos escolher de entre uma vintena de opções, todas excelentes, que depois serão terminadas com um doce conventual, arte só nossa e sem adversário celestial.

Vivemos num pais católico mas que abre a porta a todos os que o não são. Gostamos de brindar com estrangeiros, mostrar do que somos feitos, oferecer até o que não temos.
Gostamos de afirmar a nossa História, feitos e aventuras. Somos poetas, vaidosos e teimosos. Cantamos a saudade e tentamos explicá-la com guitarras e xailes negros. Até damos nomes de ícones a lontras, de cientistas a ruas, de santos a freguesias.

Somos antigos e modernos. Temos casas de xisto e start-ups mundialmente reconhecidas. Somos inventores e desenrascados. Somos chico-espertos, mas ajudamos quem nos está próximo. Gostamos do mundo inteiro e levamos sempre uma bandeira e um hino. Há sempre um português lá fora, mas que conta os dias para regressar a casa.

Somos criativos, engenhocas, gestores e poliglotas. Somos inteligentes, eficazes, obstinados. Se em tempos idos conquistámos por mar, nos tempos vindouros conquistaremos por fibra óptica, turbinas eólicas, eficácia nas grandes obras de engenharia, na aposta de materiais únicos e só nossos, na descoberta da cura para o cancro, na sustentabilidade, transformação e inovação.

Não conhecemos limites porque não levamos a sério os físicos. Nem temos medo do Adamastor. Apostamos e perdemos, reerguemo-nos e conquistamos. Fazemos muito com pouco e inventamos o que precisamos. Gostamos de estrelas, tanto do mar como cadentes. Gostamos de festas populares, de sardinha no pão, de tremoços e mines, de futebol e carros de corrida.

Por muito que nos queixemos, não choramos, nem gritamos e não brincamos às guerras. Antes, sofremos em silêncio, esperando sempre por amanhã, porque vai ser um novo dia e uma nova esperança.

E quando nos fartamos disto tudo, escrevemos um poema, cantamos um fado ou colocamos uma flor num cano de uma espingarda.

Somos assim.
Não há nada a fazer.
E ainda bem.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Um burro sabe sempre o caminho para casa



Em tempos de crise, há que dar ideias aos mandantes para conseguirem tornear e resolver o problema.
Muito se tem falado sobre o custo de vida, os impostos agravados, o aumento do IVA, o final dos abates das carripanas, os atrasos de pagamentos a quem de direito, mas nunca li ou ouvi soluções sérias e adequadas.

Presto-me, então, e aqui neste espacito aberto ao mundo, a oferecer, de bom grado, pequenos conselhos de fácil implementação. Logicamente que são impostos, mais impostos, mas vamos dar-lhe outro nome para que o povo, sempre ordeiro, os olhe esperançosamente como um passo sério para a resolução dos seus males. E podemos até dizer-lhe que, desta vez, não lhe vamos ao bolso... o que até é verdade. Enfim, mais ou menos.

Ora vejamos:

1.     Imposto sobre... aham... Taxa Temporária sobre a Felicidade: 
A partir de 1 Fevereiro de 2011, será proibida qualquer manifestação de felicidade, desde sentimento particular a demonstração geral. No caso de acontecer, o prevaricador será multado e obrigado a pagar 100€ por cada grau de felicidade, de 0  a 10, tabela a ser produzida pelo futuro Ministério de Seriedade Social (MSS).

2.     Taxa Temporária sobre Sonhos:
Sonhar não é produtivo. Antes, desenvolve sentimentos antagónicos à realidade, provocando em quem sonha necessidades de procurar outro destino para a sua existência, situação desfavorável para a ordem social. Uma sobretaxa será aplicada aos sonhos eróticos. Contudo, quem tiver pesadelos poderá preencher o formulário adequado e pedir o adiamento do pagamento da multa, que entrará em vigor a partir de 25 de Abril de 2011, paralelamente à abertura do novo Instituto para o Regulamento de Vidas Equidistantes.

3.     Taxa Temporária sobre Boa Disposição:
Um povo tristonho e infeliz, é um povo trabalhador que aceita ordens e constantes entraves ao seu progresso individual e social. É imperativo continuar esta politica para evitar sérios atropelamentos ao desenvolvimento dos filiados dos partidos que ocupam o poder. Está prevista a constituição do Instituto 1984, subsidiário directo do MSS, e que terá a finalidade de marcar digitalmente o pescoço de cada contribuinte com um sofisticado chip que conterá a informação pessoal, desde dados genéticos e actividade profissional, aos momentos de relaxe e diversão. As coimas serão activadas a partir de dois momentos sorridentes.

4.     Taxa Temporária sobre a Fé:
Será totalmente proibido ter fé num futuro melhor. Serão também abolidas expressões como “luz ao fundo do túnel”, “pior do que está é impossível” e “amanhã é um novo dia”. Uma sobretaxa será aplicada à Fézada, uma situação anormal e aleatória, que concede algum alivio individual e alimenta quem está próximo. Jogos de azar serão obrigatórios e nestes serão incluídos os da Santa Casa. Os prémios ficarão na posse estatal, sendo paga uma renda mensal ao vencedor no valor de 1/1000 da quantia total. O futuro Ministério Contra o Abuso do Dinheiro Caído do Céu (MCADCC) terá um papel influente na Igreja, concedendo-lhe algum espaço de manobra, mas orientado e fundamentado pelo novo Tratado Anti-Esperança.

5.     Taxa Temporária contra a Simpatia:
Um povo simpático é um povo de bem com a vida, com alivio monetário e com serviços sociais funcionais. Este sentimento é nefasto à indústria pesada e pode travar o desenvolvimento do país e das exportações. Em época de crise, não existe lugar para filantropias. O estado de espírito tem de ser controlado afim de evitar relacionamentos cordiais e ajudas individuais. O futuro Instituto pela Gravidade de Porte, estará totalmente dependente do MSS, e actuará directamente sobre os casos isolados que continuem a defender, entre outras, a Boa Educação e a Responsabilidade Social.

Outras taxas estão a ser pensadas.

Desta forma, os mandantes conseguem criar mais um número indeterminado de institutos e ministérios, para além de todas as empresas constituídas pelos amigos que fornecerão estas entidades de forma directa, o que impulsionará a economia nacional com a criação de inúmeros postos de trabalho, remunerados acima da média, e com possibilidade de integração em grupo de trabalho activo de quatro em quatro anos. A possibilidade de carreira é uma realidade e existem bónus mensais e anuais, dependendo do alcance dos objectivos firmados a cada nova legislatura. 


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O regresso do desejado será plural



Até que ponto somos garbosos e valentes?
Qual é o limite da nossa coragem?

Vemos, por todo o lado, exemplos extraordinários de bravura aquando uma desgraça, em que alguns colocam o valor da vida de outrem à frente do seu próprio temor e, por vezes, bom senso.
Aplaudimos com vigor essa intrepidez e seguimos em frente.

Sabemos que o ser humano é capaz de superar barreiras, tanto físicas como psicológicas, e olhar para um horizonte de esperança e melhor condição.
Mas ultimamente tem sido mais difícil. Mesmo muito mais difícil.

Há quem lhe chame crise, ou crime, desnorteio, falcatrua, imbecilidade ou mediocridade. Na verdade, estamos pobres, com uma mão à frente e outra atrás. A nossa dívida externa deverá fazer parte, daqui a 50 anos, de um pacote de perdões, porque nunca a iremos pagar. Tal como perdoámos os milhões emprestados a África. Até lá, os actuais mandantes deverão morrer de cirroses provocadas pelos melhores whiskies ou com diabetes alimentados por iguarias diárias.
Mas nunca morrerão de vergonha. Nem de arrependimento. E nem estão para isso, porque, aos poucos, conseguiram uma proeza digna de nota: o tornar cobarde o outrora vigoroso português.

A nossa valentia está doente, a nossa independência idem. Estamos cansados, tristes, indefinidos. Estamos fartos mas sem forças para lutar contra esta sina.
Vamos sobrevivendo, cada dia com menos no bolso, cada hora com mais ataques de pânico e stress acumulado. Olhamos à volta e não vislumbramos a luz ao fundo do túnel, só mais problemas acumulados.

O truque é muito simples: desespera-se o pensante e valoroso, minando-lhe os passos e as vontades. Destrói-se a sua independência, provocando-lhe necessidades a que nunca esteve habituado. E, depois, oferece-se um tachinho ou uma posição em qualquer entidade fabricada para alojar esta gente.
Sem esperança e com dívidas, poucos são os que não aceitam esta esmola.
Os que anuem, sabem que é sol de pouca dura, até outros boys tomarem o lugar destes já mais crescidos. Mas a questão é aguentar o dia a dia e, de certa forma, recuperar alguns vícios sociais. E isso tem muita importância para o português.

Outros há que se mantêm fiéis à sua demanda, recusando o sistema, quer por vergonha própria, quer por educação (também própria) ou mesmo por teimosia (ainda mais própria).
A estes temos de dar os parabéns, mesmo sabendo que não paga contas nem enche o frigorífico. E é com pena que os vemos, aos 30 e 40 anos, a embarcarem num navio com asas e a pirarem-se deste seu cantinho e terra, em busca de qualquer solução séria e honrada.

Diariamente, Portugal vê desaparecer a sua boa casta, um dna que custou a fabricar e que deveria acarinhar e fortalecer. Mas a cada um que se vai, mais poder é garantido aos medíocres que nos enterraram.
É sempre mais fácil mandar em quem tem medo de perder o pouco que ainda tem...

O problema destes tipos mandantes é que se esqueceram, porque são ignorantes e carreiristas, que o português consegue milagres quando apoiado. É sempre dos melhores quando reconhecido. É um exemplo quando o deixam em paz a trabalhar e construir.

Estes que se estão a ir embora, sabem que vão regressar, um dia, à sua terra. Mas sem problemas, com a carteira cheia e uma vontade e dinamismo extraordinários para recomeçar uma guerra.
Pode demorar uma década, ou até mais, mas quando se reunirem na Portela, trocarão abraços guerrilheiros, olhares cúmplices e iniciarão uma revolução necessária e imperativa.

Há os que defendem que será imposta uma ditadura intelectual. Outros industrial. Seja ela qual for, que se apressem.

Até já.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ai fidelidade, a quanto obrigas o hábito de cada um



Isto da crise já se sabe que não é para todos. Os mais ricos enriquecem e os mais pobres sobrevivem. O desgoverno já nem vergonha tem, mas o povo continua ordeiro e sereno, chegando mesmo a criticar a falta de paciência dos gregos e irlandeses, dos tunisinos e haitianos.

Somos assim, para sempre amedrontados e subjugados por meio século de silêncios e demais ofensas. Dizem que é fado, outros sina, outros ainda molenguice.
Lá fora, os senhores endinheirados olham-nos como Piigs, os vizinhos como um mal menor, os orientais como porta de ouro e os restantes nem sabem quem somos ou onde estamos, tal a nossa actual pequenez, só perfurada de dois em dois ou de quatro em quatro anos.

Contudo, há um elemento que diferencia o português dos demais povos: a fidelidade! Somos tão ou mais que o bacalhau. Revemo-nos nos nossos amados cães, mesmo que os abandonemos antes das férias que outrora foram grandes.
Também continuamos agarrados aos amigos de sempre, assim como às imperiais da marca esta ou aquela, aos tremoços que ainda não se pagam e à bica, complemento vitamínico e proteico para um dia de labuta.

E... parece-me que são os últimos estandartes dessa nossa verdade.

Repare-se, tudo começa quando mudamos de banco. De banco! Por acaso os nossos pais e avós mudaram alguma vez de balcão, quanto mais de banco? Sempre foram fiéis ao Sr. Lopes ou à menina Isabelinha, cumprimentavam todos os funcionários às nove da manhã e as portas estavam sempre abertas, mesmo após as 15h. Hoje, mudamos de banco mal se anuncia uma escalada de juros, independentemente deles próprios (banqueiros) fazerem tudo por tudo, com a constante mudança de gestores de conta, para que não nos sintamos muito à vontade.

Antigamente também fomos fiéis à marca de automóvel. Uma vez francês, toujour français. Uma vez inglês, always british. E por aí adiante, só para não ter de escrever em germânico. Hoje escolhemos a que oferece maior desconto ou mais extras. Nem que seja coreana.

Os petiscos, outrora simbologia nacional, também estão a ser postos de lado, não somente pelo aumento do preço e Iva, mas também porque não são salutares. Ou pelo menos, essa é a desculpa cordial que apresentamos aos demais convivas, quando sabemos que pagar aquela sapateira, os percebes, as entradas, as saídas e os acompanhamentos etílicos, vai fazer-nos mossa lá para o meio do mês.

Enfim, tantos casos que fazem parte de um passado recente, como a ida domingueira ao restaurante preferido da Ericeira para degustar o belo do peixinho fresco, o fim de semana no Algarve (onde ainda muitos têm casa mas já não têm dinheiro para a gasolina e portagens), os copos ao fim de semana pela noite dentro, a visita semestral ao dentista para toda a família, a prenda de aniversário mais especial e onerosa para o amado, um special weekend com english breakfast na cama, as delícias das prateleiras mais altas dos supermercados, e tanta, tanta, tanta coisa.

Mas existe ainda um hábito fiel que conseguiu uma extraordinária estoicidade ao longo dos últimos anos de constantes aumentos: a marca de tabaco! Os fumadores, cada vez mais olhados de soslaio e expulsos dos locais que sempre frequentaram, ainda olham para o seu maço com o logotipo preferido como se de um talismã se tratasse. Aguentam firmes e hirtos o aumento de ontem que rondou os 40 escudos, o de hoje que aumenta 30 e o de amanhã que promete encarecê-lo mais 50.

Era bom, não era?
Até os fumadores tiveram que se fazer à dose. Aliás, a outra dose. O do costume, para sempre guardado diariamente na banca da esquina, passou ontem a ser aquele de menos 10 cêntimos. Hoje, é aquele que custa menos 15 e, amanhã, escolhe-se o que estiver esquecido na prateleira e que ainda está ao preço antigo de anteontem.

E isto sim, demonstra o ponto a que chegámos, nobre povo que demos mundos ao mundo, mas que já não podemos dar mais nada a ninguém porque há ainda outra coisa que sobe mais que o tabaco: a gasolina.

E é melhor nem ir por aí. Nem podemos... porque temos o depósito mais que vazio.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Os belos tachos que existem para quem trabalha com tachos



Fico sempre estupefacto quando vejo um anúncio de um trem de cozinha da inenarrável ideiacasa. O demonstrado frete de quem apresenta o produto, dizendo que é a melhor coisa do mundo, denota também o enfadado trabalho do copy, que, coitado, preferia estar a escrever um anúncio fantasma para tentar ganhar um qualquer prémio internacional, ao invés sobre as inúmeras qualidades dos tachos de metal com, vejam bem, apliques em "ouro".

Logo depois vem um programa de culinária com a Nigella, tão britânica e perfeita na sua cumplicidade com a família - que entra nos programas - assim como na dos amigos convidados para o repasto, que querem é aparecer na televisão.

Temos também o puto reguila (e anafadito) Jamie que, no meio de “f words” lá consegue dizer que os vegetais são salutares e necessários, tendo enveredado por um caminho mais trabalhoso que é o de tentar mudar a alimentação nas escolas britânicas. Ganhou projecção e muito, mas mesmo muito taco, nesta sua demanda pseudo-vegetariana.

Estes dois cozinheiros são quem mais vende livros pelo mundo. Livros de receitas que também dominam os tops portugueses, ao lado de “O Principezinho”, Crepúsculos e feiticeiros. Não é estranho?

Compreendo que os portugueses gostem de ver programas culinários, pois somos um dos povos com mais saberes sobre a arte, e é sempre de bom tom conhecermos mais uma receita. Mas comprar os livros desta gente? E então o Pantagruel? Ou a sebenta da avó? Ou até mesmo as fichas do Pingo Doce? É que estes dois chefs são, para quem ainda não tenha percebido, ingleses! E todos sabemos que a cozinha britânica é, talvez, a pior do mundo.

Esta minha opinião é discordante da dos meus mais próximos. E enquanto eu prefiro ver aquele senhor grisalho a comer pelo mundo tudo o que faz mal, relembro também dois outros programas culinários que segui: um foi o “two fat ladies” e um outro com um chefe negro e gay, que me mostrou delícias globais. Confesso não me lembrar do título e do nome do sujeito, mas faço um salmão com um molho extraordinário à conta dele.

Ora a discussão estala: como é possível eu gostar deste fulano que apresenta o “No reservations”? Mas que nojo, tal e coiso, ele come tudo e mais alguma coisa, desde insectos a testículos de boi.
Sim... eu sei. Mas descobre novos sabores, novas formas de cozinhar, mostra-nos o mundo real, o que as pessoas comem lá no morro do Rio como à beira rio no Vietname.
Ou seja, para mim, comida não é só um alimento. É também terra, ar, fogo e água. São as tradições, as misturas, as originalidades. É por isso que gosto de ver programas diferentes e ousados, curiosamente, feitos por.... ingleses!!!

Interessante é que a mais saborosa comida não é preparada num glorioso trem de cozinha nem tem um livro de capa dura a acompanhar:
Uma tradicional e tosca assadeira de barro, louro, pimenta, sal e azeite fazem com que todos nós, sem excepção, sejamos o mais fantástico dos cozinheiros.
Não precisamos da originalidade de um lençol enrolado na cabeça, nem dos milhões que a BBC ou ITV investem neste conceito televisivo.
Apenas aguardamos que um amigo ou grupo de amigos nos digam que querem jantar connosco, para provarmos que somos capazes de iguarias ímpares, sem recurso a livros nem programas gravados.

A simplicidade não engana. É como o algodão. E sabe bem.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Um pequeno passo atrás pode ser um grande passo para a humanidade



Levar com uma maçã no alto da cabeça pode mudar a forma como vemos o mundo. E explica muita coisa. Não há dúvida que o ser humano tem engenho e arte, alguma sabedoria e destreza, mas acima de tudo, a curiosidade felina e um espírito de sacrifício pouco comuns nas restantes espécies. E isto tudo sem contar com o luso desenrascanço, arte milenar que nos governa no dia a dia.

Enquanto vejo passar as últimas horas deste malfadado 2010, em que perdemos tanta gente boa, culta e valorosa, dei por mim a pensar no fulano que inventou que um ano tem 365 dias, mais um quando é bissexto, ou seja, um desenrascanço para alinhavar os números. Mas o que passou pela cabeça desse senhor para perder tempo com toda esta aritmética? E quantos “anos” levou para chegar à conclusão?

De vez em quando, um de nós tem uma ideia peregrina e, num repente, qualquer coisa estranha passa a conhecer uma lógica inabalável. Ele há de tudo, desde grandes pensadores que inventaram maquinetas que ajudaram outros a conseguir enormes feitos, até ao simples curioso que percebeu, arriscando a vida na apanha, que os percebes eram comestíveis.

A lista é infindável: quem foi o primeiro a descascar a banana antes de comê-la? Ou qualquer outro fruto? Quem foi o maluco que descascou a primeira pevide? E o tonto que se protegeu do frio com o primeiro “casaco” de pele e pelo?
É que falamos daqueles que inventaram a roda e perceberam que o mundo não era quadrado, mas esquecemos os pequeninos que nos mostraram o caminho, ao perceber que alguns cogumelos eram nefastos para a saúde e que aquecer azeite com cebola cortada traduz-se num dos mais apetitosos cheiros de que temos memória.

Ora se somos assim, curiosos e extraordinários, porque é que tivemos de inventar uma coisa chamada politica? E, muito pior, políticos? Quantos de nós já não nos enervámos porque temos soluções para os problemas e estes “profissionais” conseguem errar constantemente e fazer tudo ao contrário da mais humilde lógica?

A meu ver, todos eles poderiam levar com uma maçã no alto da cabeça. Até podia ser das podres. Talvez, com muita sorte, acordassem e percebessem que, fazendo mal as coisas, também eles irão perder todos os luxos que garantiram. Mais tarde que nós, mas também.
Até poderia ser que, no caso português, optassem pela reestruturação social, imitassem os antigos quando olharam a educação e a cultura como a grande ponte para a excelência de um povo, por exemplo.

É que sem bases sólidas, nenhum arranha-céus é seguro.
E nós temos a mania de voar alto.
Está na hora de voltarmos a ser pequeninos, mas curiosos e inventivos, destemidos e peregrinos, corajosos e loucos.

É este o caminho para voltar a ser grande.
Apenas um pequeno passo atrás.

Um bom 2011 para todos!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Os segundos em que o odor tem cheiro.



Somos um país atrasado. Dessa realidade não nos safamos. Até somos um dos PIIGs, embora aquele que mais dá utilidade ao bicho.
Mas uma coisa é ser-se pobrezinho e atrasado, outra é confrontarem-nos com o facto que somos malcheirosos e sem noção temporal.

Como consumidor de revistas semanais e mensais, estou atento aos pequenos sinais que nos atacam subliminarmente, muitas vezes disfarçados de anúncios publicitários.
Sabemos que o big brother is watching us, mas esta nova forma de nos “relembrar” a cada página ímpar que existem 30 relógios e 20 perfumes que alimentarão o nosso ego, começa a ser, quanto a mim, exagerada.

À falta de fé, valha-nos o conformismo capitalista. Os anunciantes sabem disso, as marcas também e a quadra festiva aproveita a falta de esperança religiosa para nos cativar com um sucedâneo, ou seja, um novo pertence que nos fará sentir mais de acordo com o retrato social que ambicionamos e, para alguns, uma maior proximidade com a divindade.

Ora isto seria tudo muito bonito se não estivéssemos a atravessar a tal crise de que todos falam (e que começou em 2000). Não compreendo como as marcas têm tanto dinheiro para gastar em anúncios e, ainda por cima, todos iguais.
A cada página folheada, lá está o relógio que custa uns bons 5000€. E como isso é para macho, surge logo a seguir um perfume mais catita que ronda os 100€, para mostrar à senhora que também vai receber um presente oneroso para mostrar às amigas. Esta situação repete-se até às últimas páginas da revista, folheada com a eterna esperança que alguém saiba que gostaríamos também de ser presenteados.

Mas... se há crise, não há pilim! Portanto, todos estes anúncios são dinheiro deitado à rua. Vai daí, forcei-me a pensar no porquê.
Ontem à noite, durante a insónia habitual alimentada pelas contas e pelo fisco, cheguei à conclusão que tudo isto é um embuste maquiavélico.

Ninguém quer vender relógios e perfumes! Mas as forças que governam, continuam a pensar que estão num oásis, cheios de esperança e com grandes planos para obras públicas faraónicas e inúteis.
Ora nenhum governante, que quer deixar gravado o seu nome a qualquer custo, deseja repetir a feijoada numa ponte, visto que essa leguminosa liberta gases que não são muito agradáveis.
Sendo assim, foi estudada toda uma campanha para mudar os hábitos lusitanos: perfume para esconder o facto que a água, a electricidade e o gás, fora o sabão e o champô, estão pela hora da morte, e um relogiozito catita para chegarmos à hora marcada, e não 30 minutos depois, para a inauguração de uma qualquer obra que mudará os destinos do país.

Sinceramente, esta fórmula roça o brilhantismo. Eu sabia que os milhões gastos no Magalhães iriam servir para alguma coisa.
Agora só falta mudar o acrónimo PIIG para BIG, pois somos... grandes, muito grandes!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A greve é só para animais racionais...



Imaginemos a vida na terra azul se, num dia, alguns animais decidissem fazer uma greve geral.
Por exemplo, as abelhas.
Um dia de esquivanço laboral, faria com que o equilíbrio terrestre conhecesse sérios danos. A polinização falharia e, consequentemente, toda a natureza sofreria o abalo, com a agricultura em destaque.
Mas as abelhas são bichos trabalhadores, habituados a uma férrea disciplina.
Não estou a vê-las aderirem às ordens sindicais.

Existe um outro animal que é repelente para muitos humanos e adorado por outros tantos. A osga! É verdade, essa lagartixa de várias cores e que surge geralmente agarrada à parede exterior da casa bem perto de uma lâmpada acesa, é um dos nossos principais aliados para a qualidade de vida. São elas que comem as traças, baratas, mosquitos, moscas e, até, aranhas, que tanto nos incomodam.
Ora se as osgas - principalmente a bem portuguesa osga-moura - optassem por manifestar-se contra os nossos maus tratos e não se alimentassem durante 24h, imaginem a noite mal dormida que sofreríamos, devido aos constantes zumbidos e dolorosas picadelas.
Também não as vejo em piquetes de greve.

E as vacas leiteiras? Um dia apenas sem produzirem, esgotaria os stocks de leite, queijos e iogurtes, bases alimentícias diárias para milhões e milhões de seres humanos e outros animais. Toda a pirâmide alimentar se inverteria, os mais petizes teriam que ver a mãe a misturar o pó Nido com água, os jovens ficariam sem a dose diária de cálcio, e os mais idosos não poderiam demolhar a torrada ou bolacha Maria.

E o que dizer do peixe, que se recusaria a ser apanhado? Basta ir ao supermercado a uma segunda feira, para perceber que a frescura e a abundância se escapariam por entre os nossos dedos.

Poderia continuar a enunciar a Arca de Noé, mas parece-me que bastam estes exemplos para se perceber que fazer greve não é para todos.
Há que reflectir nesta verdade, tomar alguns apontamentos, elaborar estudos científicos e encontrar verdadeiras soluções para atacar os graves problemas que alguém provocou e alimentou.

Se continuarmos nestas verdadeiras andanças, de piquete em piquete, teremos o mesmo fim que os grandes dinossáurios... e nem será preciso um degelo.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Manifesto contra os projectores de vox populi



Existem dois tipos de manifestações: as sociais e individuais.
Confesso a minha aversão ao primeiro grupo. Não gosto de manifs, não as frequento, não as defendo e, geralmente, estou contra quem as promove.
Uma manif é quase sempre nacional, como se replica pelos altifalantes, e geralmente engana o associado. É raro resolver alguma coisa, provoca desacatos, alguns tumultos, muitas reportagens televisivas e erros aritméticos.

Se por um lado as centrais sindicais promotoras afirmam sempre que Portugal inteiro aderiu, por outro estão os dados estatísticos que demonstram que os números são exagerados em muitos pontos percentuais.

Mas, realmente, o que é uma manifestação anunciada e agendada?
Para os mais desesperados, é uma forma de gritar, de mostrar descontentamento. Para muitos que ainda têm emprego, é um passeio, muitas vezes combinado como se fosse uma romaria ou uma flashmob.
“Amiga, vamos à manif?”
“Vamos pois. Tenho é de ir comprar uns trapinhos novos. Queres vir comigo e depois lanchamos no Chiado?”
“Olha, belo programa. Deus queira que não chova, pois já marquei o cabeleireiro.”

Uma manifestação deveria contar para alguma coisa. Para mudar qualquer coisa. Ora se os aderentes votam sempre nas mesmas cores, mesmo depois destas serem o principal motivo da desgraça, qual é o interesse da caminhada?
E porque é que as frases de ordem são as mesmas desde a revolução?
Será a repetição a fórmula encontrada para provocar uma mudança de mentalidades? E o que dizer daquele som fanhoso e metálico dos horrorosos altifalantes que ampliam as vozes de quem os segura?
Bolas, a tecnologia evoluiu...

Mas há manifestações que me agradam.
As de carinho estão em primeiro lugar.
Que bom recebê-las e oferecê-las de volta.
Essas sim, mudam alguma coisa: fortalecem uma ligação, alimentam uma paixão.

Ainda não sei se a minha cara metade vai à manifestação anunciada como a maior de sempre. Mas se for, uma coisa prometo!
Em vez de gritar palavras de ordem, como “Ainda acreditas nessa gente?”, “Mas porque é que ainda vais em contos de fadas?” e tantas outras, vou aguardar o seu regresso, manifestando o meu carinho com um chazinho bem quente, uma manta aquecida e pastilhas para a garganta.

Ela manifestar-se-á agradecida, tenho a certeza absoluta!
E depois de uma noite bem dormida, quem ganhará alguma coisa no dia seguinte... serei eu.




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Uma semana em que a animação é social.



Durante estes dias, os egos dos facebookers transformaram-se em retratos que animaram a sua juventude. Encontramos de tudo, desde o Speedy Gonzalez até uma ninfa do Manara, várias Mafaldas que acompanham inúmeros Corto Malteses.

O Facebook está uma animação!

Tudo começou com uma mensagem simples que muitos reproduziram, um pedido para alterar a imagem normal para uma qualquer que definisse a tenra idade de quem escreve neste meio social.
A princípio, confesso, não acreditei que fosse um sucesso, mas neste preciso momento, raro é quem não seguiu a ordem.

Ora como também fui um deles, recebi mensagens pouco abonatórias de quem não percebe nem entende este momentum, como também outras que já me obrigaram a mudar de personagem.
O ter escolhido o vilão Olrik da saga Blake & Mortimer, encheu a minha caixa postal com pedidos de esclarecimento. Para não perder mais tempo a explicar quem é o sujeito, alterei para o Homem-Aranha, para sempre o meu personagem preferido da gama super heróis. Finalmente, decidi colocar a minha própria cara... mas animada.

Confesso que me tenho divertido com toda esta história. Não porque o FB está mais colorido, não porque deixei de saber imediatamente quem coloca mensagens, mas sim porque existem lutas tremendas entre uma certa intelligentsia lusitana.

Há agora uma luta de classes, a que nos remete para figuras globais (Tintin, Lucky Luke, Mafalda, Marretas e etc.) e a que nos demonstra que a BD sempre foi uma arte mais adulta (Ran Xerox, Manara, Moebius, Rotundo, etc.).
É este segundo grupo que trava uma guerra sem quartel, demonstrando a tal cultura que sempre os diferenciou quando usavam botas ortopédicas e óculos de massa.
Num repente, os geeks dos anos 70 são agora pintas nos 10.

É uma vingança, mas cheia de animação.

Confesso um sorriso.
E confesso também uma boa gargalhada quando alguém se lembra do Marsupilami ou do Ric Hochet, assim como do Metabarão ou do ciclo de Cyenn.

Qual é o mal disto e porque é que algumas pessoas ficam tão enervadas, não querendo embarcar neste mar de traços a carvão e cores abertas, sonhos criativos e mundos paralelos?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A sopa de cavalo dado, não se olha o dente de leite.



Com o aumento previsto do IVA para uns inacreditáveis 23% em alguns produtos de primeira necessidade, resta-nos sentar e fazer contas à vidinha (isso de ter uma vida já foi chão que deu uvas).
De todas as medidas, uma há que exaspera jovens, adultos e idosos, que é o badalado aumento do leite com chocolate, essa mistura catita que tonifica a alma e presenteia o palato com muito Vigor. É, resumidamente, uma bebida Mimosa.
A situação é ainda mais anedótica quando sabemos que o vinho continuará a pagar os mesmos 13% de IVA, não sofrendo qualquer alteração no seu corpo e cor.
Ora esta situação leva-me a tempos idos, da outra senhora, altura em que a nação era pobre e inculta e em que se proferiam palavras que tinham muito peso, como honra, honestidade, ultramar e, até mesmo, mocidade portuguesa.
Nessa mesma altura, era proibida a venda e consumo de coca-cola, por exemplo.
Raio de tempos esses, em que uma criança era obrigada a tomar um pequeno-almoço denominado “sopa de cavalo cansado” para ir quentinha para a escola, calcorreando dezenas de quilómetros ao frio e relento, de madrugada, para depois ter de fazer todo o percurso inverso até casa e ainda ajudar na lida da mesma.
Todos nós criticamos essa mistura venenosa e que fazia mal aos petizes, pois a sopa de cavalo cansado consistia em pão demolhado em vinho tinto, algo que se pensava fortificante. E, hoje, nenhum pai ou mãe ousa sequer pensar nessa solução matinal para o seu próprio filho.
Mas os tempos mudam, o governo mantém-se, e o IVA dispara.
O leite com chocolate ficará arredado do cabaz mensal de uma família média, e ao ritmo a que as escolas fecham por todo o pais, principalmente onde mais fazem falta, chegamos a uma simples conclusão:
Andámos meio século para trás! E isto quando já estávamos atrasados 25 anos em relação à Europa. Portanto, são 75 anos a marcar passo.
Amanhã, os petizes sairão de casa com a barriguita bem cheia de tintol (13% de IVA) e percorrerão dezenas de km para chegar à escola (+ de 700 fechadas este ano).
Ah.... mas transportarão um peso acrescido: chamam-lhe Magalhães. 
Viva o pro... Gresso.


PS: TALVEZ DEVIDO A ESTE ESCRITO, O GOVERNO DECIDIU NÃO AUMENTAR O IVA NO LEITE ACHOCOLATADO.

sábado, 30 de outubro de 2010

Acordar um acordo acordado pelo desacordo


Há pessoas que concordam e outras que acordam.
As concordantes são, geralmente, as que mais discordam de tudo o que não seja a sua opinião, vontade ou objectivo. As que acordam são as que estão, muitas e demasiadas vezes, adormecidas. No caso das primeiras, chegar a uma concordância implica cedência. Já para as segundas, o acordar dá-se, invariavelmente, tarde. E nem a cafeína ajuda.
Enquanto que o primeiro grupo se desfaz em acusações, avanços, recuos, mudanças e assinaturas, o segundo mantém-se mudo, quedo e só quer mesmo, na maior parte dos casos, voltar a adormecer.
O mundo seria mais justo se todos concordassem e chegassem a conclusões satisfatórias e positivas. Tenho a certeza que, se tal acontecesse, os adormecidos olhariam o novo dia sem ramelas, mas com vigor e vontade, destreza e novas capacidades.
O objectivo pode ser geral, mas parte sempre de uma noção particular. Se calhar, já é tarde para acordar. Mesmo depois de alguns concordarem que esse não é o melhor estado para se sobreviver. Mas de estado em ...estado, todos, sem excepção, vão adormecendo quem estava acordado porque, e sejamos sinceros, nenhum discorda que um outro, que luta contra a sonolência, lhe pode ser nefasto.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O GPS esconde um director de campanha política




Tenho para mim que o GPS, esse aparelhómetro que ajuda pessoas como eu, eterno alfacinha que se perde quando chega à Amadora ou tem de ir a reuniões na Quinta da Fonte e think tanks similares, é um instrumento politico que nos apela ao sentido e obrigação cívica de escolher um dos lados do espectro político-partidário nacional.
Durante uma viagem, somos constantemente agredidos, por uma voz masculina ou feminina, para virar à esquerda ou à direita. Podemos seguir em frente durante um bom bocado, mas inevitavelmente, seremos obrigados a escolher um lado daí a uns centenas de metros ou quilómetros.
Se já não é fácil guiar num país que tem os maiores pilotos do mundo de estrada, para já não falar dos taxistas e de ambulâncias desgovernadas e, nunca esquecendo, peões kamikaze, pombos adormecidos e cães e gatos desorientados, ter uma voz alarmista que nos obriga a virar na próxima saída a 200 metros para um dos lados sem ter a noção do perigo e risco que essa manobra implica, é no mínimo, um completo e profundo exame às nossas capacidades psico-motoras.
Naturalmente, o software português que vem de origem nos GPS, conta com a nossa arte do desenrascanço. E este mesmo software foi a escolha de outros países, como a Turquia, Índia, Grécia e partes da Itália, quando perceberam que os condutores aumentam o volume do auto-rádio para abafar as ordens da maquineta, pois é uma vergonha para qualquer macho receber instruções e direcções, mas que, mesmo assim, ainda os ajuda muito de vez em quando.
Se fizermos o paralelismo para com os governantes, também o português médio escolhe a TSF para o ajudar a passar o tempo perdido nas filas de trânsito. Vai, assim, ouvindo as notícias sobre mais medidas impopulares e as repetidas entrevistas aos candidatos a qualquer cargo público, que se misturam com as tais ordens de viragem à esquerda ou direita. Podia ser confuso, mas não é. O português é teimoso e sabe a direcção que deve tomar, independentemente se for ou não a melhor para o resto dos condutores, passageiros ou restante população. E mesmo se a voz repetir que tem de voltar para trás logo que possível, ele está-se borrifando. Só lhe interessa o seu percurso e a sua noção do que é verdade. Que se dane se é melhor virar para um dos lados para chegar mais depressa a uma solução, leia-se destino. Se ele decidiu desde pequenino que vai virar à esquerda, virará sempre à esquerda, mesmo que o GPS lhe diga e repita que pela direita é o caminho mais acertado. O problema são as rotundas...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Manual de etiqueta em como ser-se bom vizinho



Vizinhos barulhentos...
Eu tenho.
São vários dentro de uma casa que de pequena nada tem.
Poderiam escolher uma das múltiplas divisões para gritarem uns com os outros. Mas não.
Escolheram a janela mais próxima da minha varanda para sala de estar, onde reuniram todos os apetrechos modernos: Televisor, Playstation e Singbox, Computador e colunas, etc.
Todos os dias, pelas 18h, dá-se início a um festival rocambolesco e histérico. Geralmente dura duas horas, até a telenovela começar, ou outro qualquer programa de teor mais popular.
Esta família conta com a sogra, o marido escanzelado, a mulher e mãe que deve ter sido catita antes de ter casado e parido, e três fedelhos.
São os fedelhos que fazem barulho. O mais velho, que saiu à avó, sugere não ter a totalidade da capacidade intelectual. Mas quando oiço as conversas no messenger, ao máximo que as colunas suportam, percebo que é somente muito parvo. Este é quem mais grita. Sobre tudo, futebol, jogos de computador, porque não gosta da comida, não gosta da escola, não gosta dos professores, enfim. Só gosta, e muito, do Sport Lisboa e Benfica.  Aliás, o momento glorioso da sua vidinha é um jogo transmitido pela Tv. Aí, pasme-se, faz-se um silêncio sepulcral naquela habitação.
No meio está outro fedelho. Saiu ao pai, de tão franzino e irritadiço. Já está de mal com a vida e ainda não concluiu a primeira década. É este que absorve mais de metade dos watts difundidos pelo mano. E ficar surdo não lhe vai servir de nada, pois também deverá ficar desfigurado, já que, de vez em quando, lhe é atirada qualquer coisa dura. E algumas fazem um som surdo, nada quebradiço como um vidro no chão, seguido pela choradeira que abafa qualquer apito de comboio ou alarme para evacuação de uma fábrica.
Os diálogos entre os manos são incompreensíveis. Comunicam por gritos, uns mais prolongados (como a raiva e o choro), outros mais incisivos (ordens, calão).
Nunca, mas mesmo nunca, lhes ouvi uma conversa.
Os pais só encontram forças para tentar calá-los, quando se apercebem da minha presença na varanda, fumando um cigarro ou tentando apreciar o meu rio. Mas tenho de estar lá fora! Convenhamos que, quando chove ou faz frio, não é agradável e eles também não olham para fora, portanto, a gritaria continua.
No fim da tabela está a coitada da catraia. Saiu à mãe. Não lhe oiço a voz nem lhe vejo o tímido sorriso quando me encontra na rua. Mas, porque há sempre um mas, faz-se ouvir a alto e bom som das 18h às 19h, através do sistema de karaoke e das colunas acima referidas, que conseguem, inacreditavelmente, piorar o som das músicas da Floribela, distorcidas nos graves e médios. A júnior canta com toda a força. Já conhece as letras de fio a pavio, gosta de repetir os temas e não parece, nem ninguém da alcateia, importar-se com o inaudível som da distorção.
Todos nós temos vizinhos.
E estes têm um rafeiro de porte médio.
E o que é que os cães fazem? Imitam os donos. É ou não é?

sexta-feira, 12 de março de 2010

Cento e trinta

Se houve alturas em que pensei que a minha já não tão jovem idade me atiraria à pobreza e solidão quando as minhas profissões fossem tomadas pelas castas mais jovens, hoje percebo que não é nem vai ser assim.
Tenho tido a sorte de acompanhar a vida de malta nova numa base quase diária, malta ainda no liceu e que vai ser o futuro deste nosso país e mundo. O que tenho visto e ouvido dá-me a noção que o país ainda vai precisar, e muito, das gentes da minha geração.
É extraordinário revisitar as palavras do meu pai e mãe quando eu estudava e tinha dúvidas numa qualquer matéria. A resposta era automática: "Filho, eu aprendi isso tudo e mais alguma coisa na 4ª classe, mas que raio de escola é a actual?" Ficava a olhar para eles sem perceber a necessidade de saber de cor todas as estações e apeadeiros dos Caminhos de Ferro, assim como todos os rios e afluentes lusitanos. Mas lá ia aprendendo alguma coisa, nem que fosse por obrigação, como saber na ponta da lingua os tipos de nuvens, a tabela periódica, os reis e seus feitos, os poetas e ficcionistas, e tantos etc.
Hoje olho para esta nova geração e não evito exclamar "Mas eu aprendi isso tudo e mais alguma coisa na 4ª classe, mas que raio de escola é a actual?"
Só que neste momento, a malta jovem nem ouve o que digo, pois está de phones na cabeça e a teclar sms. 

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

cento e vinte e dois

Vivi um encontro imediato do 3º grau, não com aliens, mas com uma familia alien bem tuga constituida por pai, mãe e filha menor. Pai agente da autoridade, mãe não sei bem o quê e filha estudante num ano qualquer. A conversa... mhhh.... antes discussão, iniciou-se com as hostilidades do costume: deus versus a não existência dele próprio, a liberdade de escolha e tal e coiso. Ao argumento do ovo e da galinha eu, confesso e vergasto-me, não soube responder. Tal incúria foi-me logo apontada como o exemplo máximo divino de que tudo foi criado por alguém e que só isso prova que deus existe. Perplexo, pois nunca pensei no big bang como clara e ovo, mantive-me hirto. Por uns momentos, poucos segundos, encostei o chefe de família bastante pensativo: a questão tinha a ver com a possibilidade de Eva ter nascido de Adão o que, a meu ver, faz dela filha dele com costela e tudo. O ADN comprovaria-o se o CSI existisse na altura mas como não vivemos num mundo perfeito ainda reforcei a situação com o facto não muito eclesiástico de que Adão e Eva teriam cometido adultério para povoar o mundo, visto serem os únicos habitantes deste planeta ao universo plantado.
O que fui fazer... impropérios, suores frios, desorientação espacial, tudo vi numa face que virou demoníaca. Isso fez com que lhe apontasse um demo interior o que, confesso, não foi a melhor continuação.
Depressa se passou para os gays e o seu casamento. De nada me serviu dizer-lhe frases feitas como "a minha liberdade acaba onde começa a de outrém" e anormalidades do género. A cada uma que proferia, pensando sempre nos exemplos históricos helénicos e românicos para citar os mais kitch, via crescer um ódio nazi que foi, inclusivé e não estou a brincar, reforçado com a frase "o Hitler é que tinha razão".
Sei que muitos teriam abandonado a questão e o local, mas... raios me partam, adoro (vivo) com uma situação destas, ou seja, a possibilidade de ser forcado à frente de um boi (única hipótese de olhar para uma tourada e pedindo-vos que a leiam como analogia) e chamar o bicho, a sua raiva e a sua... como se diz... investida.
E tal aconteceu!
Não vou repetir o que o homem disse em relação aos gays (a que juntou prostitutas, travestis, chulos e demais) pois até eu fiquei ruborizado. Mas uma coisa vos garanto: em pleno séc XXI e a poucos dias da sua segunda década, é-me complicado entender estas mentes tementes e prostradas a um deus católico e que admitem e proclamam a matança a todos os que não sejam, a seus olhos, normais.
Sem querer maçar-vos com mais pormenores, apenas exponho a última questão. Perguntei-lhe se, caso a sua filha menor sentisse que a sua vida, paixão e amor passasse pela homossexualidade, o que faria ele nessa situação. A resposta foi rápida e directa: "a minha filha??? NUNCA! E ISSO NÃO VAI ACONTECER! NUNCA! ERA O QUE FALTAVA!"


tadicho... falta-lhe bem mais do que um bocadinho assim.