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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Dodot dodot...


Tenho conta no Facebook há muito tempo e, como vivi várias vidas, grande parte dos meus “amigos” são mesmo pessoas que conheci ou com quem trabalhei ao longo das décadas. 
Logicamente que, conforme os interesses, vou aceitando ou procurando novos contactos, situação que me tem levado a tirar mais conclusões sobre as redes sociais (visto que estou em várias, do Linkedin ao Star tracker).
Uma delas é o facto de, lá fora no resto do mundo, de África ao Brasil, passando pela Austrália e até mesmo Inglaterra, as pessoas não ligarem ao FB como nós, portugueses que gostamos de ser afamados como o povo que tem mais telemóveis que habitantes.
Os contactos profissionais não cabem neste mundo virtual. As coisas ainda são feitas à antiga, ou seja, através de telefone ou cara-a-cara. Portanto, é enervante esperar por uma resposta vinda por email ou através dos posts sociais. Deste modo, e com a impossibilidade de se viajar para os confins do mundo para tratar de assuntos, há que adquirir aqueles cartões telefónicos que se vendem nas tabacarias e gastá-los até ao último cêntimo. Confesso, é dinheiro bem investido. 
O mundo, afinal, não é tão gadget freak como as Fnacs nos querem transmitir e “impor” com as sucessivas vagas de novidades tecnológicas.
Então o que faz um Presidente da República escolher este meio como o principal para a divulgação de opiniões? Ou as marcas perceberem, tarde e a más horas, que a sua sobrevivência passa pela rede? Ou jornalistas sem poiso debitarem bitaites azedos a todas as horas do dia e da noite? E os inúmeros convites para festas, lançamentos, inaugurações, etc?
Quem lhes liga?
Bom, temos notícias de festas de aniversário que conheceram a adesão de centenas ou milhares de “amigos”, porque o/a aniversariante fez o convite online. Também conhecemos o sucesso mediático que agrupou milhares de jovens, da Síria a Portugal, que se juntaram para protestar contra o imposto.
Ou seja, por um lado, as redes sociais falham na sua comunicação global, mas por outro começam a ser um agregador de vontades. Em que ficamos? Será uma questão geracional? Ou seja, dos 10 aos 30 vive-se esta funcionalidade como complemento de vida e dos 30 aos 60 sabe-se de tudo mas não passa de um agregador de feeds noticiosos e fait-divers?
Confesso que é um bocadinho estranho metade das pessoas não passarem sem elas e a outra metade viver sem elas.
De que lado vocês estão?

quarta-feira, 30 de março de 2011

Quando um é sempre seguido por dois... ou vice versa



Confessemos, andamos transtornados com a nossa situação.

Ele é a catástrofe politica, judicial, social e democrática.

Ele é a depressão psíquica geral, a falta de apoio do médico de família, o fecho de inúmeros estabelecimentos de saúde e a reforma antecipada dos senhores doutores.

Ele é a falta de politica de educação, o abandono total do conhecimento, o facilitismo nas notas, nas faltas, nas matérias.

Ele foi a aniquilação das pescas e da agricultura em solo/território português, o abandono da coisa urbana e os homens da luta.

Ele são manifestações de gente rasca que se diz à rasca, acompanhados por quem nunca foi rasca e agora está mesmo enrascado ao ver a vida a andar ainda mais para trás.

Ele são políticos, de todos os quadrantes, que deveriam estar presos mas andam a gastar os restos do erário público.

Ele são as agências de ratice que nos consideram lixo e a chegada (ou já presença silenciosa) do FMI.

Bom.

Não é uma boa situação, mas o fim do mundo ainda não chegou, pois não?

Mas...

Ele é a anunciada tragédia nuclear nipónica e o consequente envenenamento das águas e terras. Adeus maravilhoso sushi...

Ele é uma guerra já quase global, que se iniciou com os interesses “humanitários” no Iraque e Afeganistão que agora eclodem por todo o norte de África, onde os mesmos “salvadores” já iniciaram a sua batalha a favor do povo desprotegido. Há que manter o óleo bem quentinho...

Ele é Lisboa com mais de 40 graus célsius de Junho a Agosto.

Se o fim do mundo ainda não chegou, estamos lá perto...

Se a isto juntarmos as previsões maias em que o estoiro tem data marcada para 21 de Dezembro de 2012 * [sabe-se actualmente que nesta data durante o solestício a Terra estará alinhada com o Sol e com o centro da nossa galáxia, Via Láctea. Sabe-se que no centro da Galáxia existe um buraco negro supermassivo], às previsões do i-Ching *[um livro Chinês sobre concepções do mundo e filosofias de vida, que contém algumas previsões se utilizarmos a teoria “Time Wave Zero”. Usando esta técnica vê-se que o livro Chinês prevê que o mundo irá acabar a 21 de Dezembro de 2012], e ainda às profecias do mago Merlin, Einstein, Sibyl e Delphi, tudo aponta num só sentido e uma data precisa.

... bom... dá para assustar um bocadinho.

O que fazer?

O que vocês vão fazer, não sei. Eu já decidi: vou tentar viver a vida o melhor possível, rodeado por amor e carinho, relativizando os grandes dramas e, acima de tudo, pirando-me daqui e encontrar um buraquinho porreiro e com uma boa vista.
Estou na dúvida em relação ao sushi, isso estou. Vou morrer de saudades. Daqui até Dezembro de 2012 ainda é muito tempo sem ter acesso à iguaria que mais aprecio.

* dados retirados do site “ciência hoje”

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Dar e baralhar a outra face



Qual é a primeira coisa que nos ocorre quando nos lembramos de um amigo?
Do seu rosto! É ou não é? Só depois vêm o nome, as memórias, as conversas, as aventuras, o estado social, a família dele, o que faz, por onde anda e etc.

O rosto de uma pessoa, ou face (ou cara), é o primeiro dado que memorizamos de alguém. Será devido à memoria visual, o “olho” da nossa mente que cataloga cada experiência visual, que nos lembramos dos rostos das pessoas quando muitas vezes esquecemos o nome das próprias?

A face é, assim, o elemento mais importante para a designação de alguém, logo seguida pelo corpo e pela forma de vestir. Nela encontramos os olhos (que podem ou não ser o espelho da alma), a boca (para a qual olhamos com sentimentos dúbios, que podem ir do prazer de um sorriso encantatório ao interesse pelas palavras proferidas), as rugas, os sinais, a forma e muitos etc..

São, acima de tudo, sinais exteriores. E são estes, quer queiramos quer não, que nos impelem a desejar conhecer certa pessoa em detrimento de outra. A questão da beleza e riqueza interior nunca se coloca num primeiro olhar.

Foi assim que o Mark (com ou sem os associados) concebeu o Facebook: um livro digital de rostos!
No Facebook, valemos pela foto que disponibilizamos no perfil. Podemos escolher outro tipo de imagens, mas terá de ter um teor pessoal, mesmo que seja um herói de banda desenhada, um automóvel, uma figura que admiramos.

O Facebook é, deste modo, um agregador de rostos que nos saciam os sentidos imediatos, logicamente sem contar com os amigos chegados e conhecidos da vida. Os novos contactos dão-se porque se gosta daquela face, dos olhos, do sorriso, do cabelo. É uma espécie de lista telefónica de possibilidades sem limites, mesmo escondidas sob pedidos de “amizade”, quando só se procura o próximo alvo, muito facilitado porque o mundo é um “ó” onde temos sempre um amigo que é amigo desse rosto que queremos conhecer.

Os jovens ainda não entenderam bem como tudo isto funciona e colocam sem pudor variadíssimas fotos de férias, borgas, festas, convívios. Dão, deste modo, todas as informações sobre o seu rosto, corpo, locais de férias, bairros preferidos para as saídas nocturnas, etc.
É só fisgar um e seguir todos os seus passos para, inevitavelmente, chegarmos ao contacto físico.
Há que entender isto, por muito que custe... e tentar aconselhá-los.

Chegamos à conclusão que o Facebook é um embuste, pouco servindo os interesses reais da maior parte dos utilizadores, encurralando-os numa espécie de vertigem social a que é necessário pertencer e, acima de tudo, estar bem vivo e com saúde sob a forma de postagem diária.

O que o Mark deveria ter feito, era um Friendbook. Mas como, se sabemos que o rapaz é um cromo que conhecia o insucesso social, um geek que não fazia parte do grupo dos populares, um freak que acredita que usar chinelos é cool?

Ele nunca pensou na verdadeira amizade, mas sim no voyeurismo puro e duro.

Nada tenho contra o Facebook, pois utilizo-o de formas “normais”: o de realmente contactar amigos que vivem muito longe ou mesmo aqui ao lado, o de reencontrar pessoas há muito desaparecidas da minha vida e promover algumas coisas que faço, profissionais ou autorais.

Portanto, utilizo-o bem mais como Friendbook do que Facebook.   
E isso dá-me alguma paz de espírito, quando habito o terceiro país mais populoso do mundo... e em franco crescimento.

Imaginem um mundo friendbookiano onde, para além dos “likes”, “comments” e “shares”, existissem botões tipo “I miss you”, “Dinner tonight? Bring the gang” ou um simples “see you later”.

‘Bora fazer um como deve ser?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Perde-se tempo precioso a cada minuto que passa



Se ontem havia tempo de sobra, hoje há falta de tempo.
O que mudou neste entretempo?
A resposta é muito simples: a tecnologia.
Pois é. Pura e simplesmente a tecnologia.
Vamos a contas.

Sou um garoto nascido mesmo na metade dos anos sessenta. Sendo assim, ultrapassei como pude a década mais horripilante de todas, essa tal dos 70, em que toda a gente se vestia de forma a não conseguir parceiro sexual, cuja revolução aconteceu somente devido a excessos e a experiências com substâncias não muito católicas.

Lembro-me, porém, mesmo vestido e calçado pela minha mãe, com boca de sino a tapar as botas de pele de carneiro e camisas cintadas cujo colarinho chegava à costura da manga, que tinha amigos. Amigos no masculino. Isso das miúdas era para outras idades.
Passava a manhã na escola, chegava a casa para almoçar e fazer os TPC. Depois, bom, depois tinha tempo livre para fazer o que bem entendesse, desde que não saísse dos domínios da avenida. Tive a sorte de nascer e viver num bairro com jardins, o que permitiu muita subida às árvores, muita futebolada, muita apanhada e toca-e-foge, muito berlinde, muita queda das bicicletas e dos skates, e muito ténis-de-parede.

Com os meus inúmeros amigos, sobrevivia a este ritmo fisicamente esforçado. E, no final das tardes, ainda tinha tempo para ler um qualquer livro da Blyton, do Verne ou do Doyle, passando pelo Graton, Goscinny, Hergé e Disney, entre tantos outros.
Pedi ao meu pai que comprasse aqueles livros de “cultura”, pesados e cheios de bonecada, que o Circulo dos Leitores vendia, para além de colecções sobre as guerras mundiais, os clássicos da literatura, e tanta outra descoberta.

Num repente, um dos vizinhos tocou a todas as portas e pediu-nos para ir lá a casa. Deparámo-nos com uma coisa esquisita, com um teclado de borracha, e uns cabos que se ligavam ao televisor. Essa máquina do demo encantou-nos e retirou-nos da rua, o que naquela altura não era sinónimo de perdição.
As horas seguintes foram passadas em grupo com a maquineta. As primeiras discussões também, pois todos nós queríamos chegar à nossa vez para não mais a largar. E os pais perceberam que tinham de desembolsar uma quantia avultada para dar ao respectivo petiz histérico essa tal coisa chamada Spectrum.

Eu não tive um Spectrum. Portanto, descobri as miúdas uns anos mais cedo. E segui essa felicidade e facilidade por não ter concorrência, pois ninguém saía dos quartos.

Passado pouco tempo, tive o meu primeiro computador, um bicho a que chamaram Commodore Amiga. Imaginem o gozado que fui por ter uma “amiga” lá em casa... Esse maquinão ajudou-me a encaminhar a vida. Com ele descobri programas que editavam vídeo e áudio. Com ele descobri que se podia controlar sintetizadores e fazer música. Fora os magníficos jogos, que me afastaram dessa vida horripilante ao ar livre e em constante esforço físico com consequências nefastas para o corpo humano.

Comecei a ter falta de tempo.

Principalmente quando comprei o primeiro Macintosh. Depois o primeiro PC. Depois o primeiro telemóvel e depois o primeiro portátil.

Num repente, deixei de ver os amigos de sempre e passei a ter outros. Cada qual com a sua máquina de eleição e poucos com telemóvel e carro. Já tínhamos mais de 20 anos e, pasme-se, íamos de transportes públicos para todo o lado. O horror...

O dia passava entre o estudo, as máquinas, os projectos, alguns trabalhos para ganhar dinheiro, as matinés e as noites, ora no cinema, ora no Bairro Alto entretanto a acordar das leitarias e das velhas prostitutas de rua.

Não havia tempo para mais nada.
Mas as horas eram preenchidas com grandes tertúlias, vontade de mudar o mundo, chegar mais longe que os restantes, fazer empresas próprias, viajar, discutir, aprender, sonhar e sorrir.

Não havia tempo porque já éramos dominados pela tecnologia, que nos permitia ser designers gráficos, realizadores, músicos, cientistas, e tanta coisa.
Mas fomos felizes, não fomos?

Hoje seria de supor que a malta mais nova, que já nasceu com um telemóvel no berço e um laptop no colo, os usassem para chegar mais longe que nós, que facilitassem o seu dia a dia, que abusassem do conhecimento global à distância de um click, que não tivessem de perder tempo a tentar aprender a mexer com cada máquina nova que surgisse com o seu diferente modus operandi e linguagem operativa.

Mas não. Clicam fervorosamente e durante 20 horas/dia, mensagens mal escritas. Deixaram de ler, portanto não sabem escrever. Como teclam nas redes, não conversam. O discurso é inexistente e os erros evidentes. O desinteresse por tudo e todos é real, enquanto o próprio umbigo se tornou no centro das atenções.

Claro que há excepções, claro que há malta extraordinária.
Mas são muito poucos e, decididamente, aqueles que ouviram os mais velhos.

Nós?
Nós estamos cansados.
Ainda continuamos na labuta do conhecimento, ainda temos amigos...
Mas sabemos bem que o que mais gostaríamos era que o tempo voltasse para trás.

Nem que fosse por pouco tempo.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Passar novamente a ser Virgem, nem que fosse por poucos dias



Confesso que não percebo nada de signos nem sei a que mês pertence este ou aquele, com a única excepção do meu próprio e dos de alguns amigos próximos.
Nem compreendo a sua utilidade no início de conversas sociais: Olá, eu sou Gémeos e tu? Ai, Gémeos, que horror! Foge! Foge! Não se pode confiar em vocês.
Mas o que vem a ser isto? Mas porque é que certas almas acreditam mesmo nos horóscopos, lêem as revistas e aqueles livrinhos de bolso que são publicados a todos os Janeiros?

A confusão global instalou-se com o anúncio que teríamos de subtrair um mês ao nosso signo, para conhecermos o, afinal, correcto.
Não se falava de outra coisa e, confesso, também fiz o ensaio e calhou-me Touro. De Gémeos para Touro.
Ora bem, o que é que sei sobre Touros? Pouca coisa. Toda a info registada tem a ver com uma muito ex-namorada e o resultado não foi bonito.
Ao contrário dos Gémeos que são ar, os Touros são terra. Também ao contrário, detestam mudanças e coisas novas. Ainda mais ao contrário, são metódicos e adoram cumprir objectivos. E, para finalizar a comparação, são teimosos e pouco dados a alterarem a sua posição.

Isto assustou-me. De Gémeos, ou seja, do melhor signo do mundo em que duas cabeças pensam melhor que uma e dois corpos são mais trabalhadores que apenas um, vejo-me com um par de cornos, teimoso como uma mula, agarrado às coisas como uma lapa e com a mania de ser melhor que os outros como um leão.

Fiquei, para além de chocado, deveras tristonho.

Saí à rua, nestes dias sebastianistas, e deambulei pela minha zona da cidade que me protege das confusões e ajuda às confissões. Teria de modificar a minha personalidade, deixar de ser sonhador, um bocado aéreo. Passaria de criativo livre e desempoeirado a um suitman cheio de tiques e horários para cumprir.
Passaria a ter a secretária arrumada, o trabalho dividido por folders num ecrã inicial com a foto dos entes queridos, utilizaria pela primeira vez a agenda do telemóvel, só iniciaria a leitura de um livro quando terminasse o que estou a ler e tantas outras coisas que nada têm a ver comigo.

Trata-se de uma enorme injustiça! Compreendo, e até aceito, que os Touros gostassem de passar a ser Gémeos ou, pelas novas contas, que o signo que vem a seguir, um tal de Caranguejo, adorasse passar a ter uma figura humana... aliás, logo duas.

Mas nem todos se podem queixar. Por exemplo, os ex-Balança passariam a ser novamente Virgens. Um sonho antigo da humanidade e para que já existe uma operação cirúrgica. Já os Virgens ficariam mais impuros e deixariam de poder afirmar, com toda a sinceridade, que ainda o eram.

Bolas, antes Virgem que Touro. Pelo menos poderia sorrir nervosamente aquando a próxima noite de luxúria. Mas não, mas não...

Felizmente, as notícias mais recentes afirmam que os signos continuam a ser os mesmos de sempre! Qualquer coisa relacionada com o zodíaco tropical, a projecção elíptica da Terra e um qualquer ponto vernal.

Este rumor, afinal, não passou de um desejo de astrónomos do Minnesota, ou seja, americanos, o que explica muita coisa, principalmente para a crescente fatia da população que já não pode com eles.
Mas cá para mim, estes senhores tinham apenas um desejo:
Deixarem de ser Virgens... if you know what i mean..., e de geeks de laboratório transformarem-se em top models de passerelle.

Opá, se uns acreditam, porque não outros?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Os dois lados de uma circunferência



Construir uma premissa dramática não é, de todo, um segredo. Basta escolher um personagem e traçar-lhe um caminho. Ao longo desse percurso, alguns obstáculos vão surgindo e ele terá de tomar decisões.

Imaginem: o senhor João Desconhecido decide ir dar uma volta de carro para a montanha. Num repente, um grande tronco cai e atravessa-se na estrada. Decisão: voltar para trás ou torneá-lo? Decide meter o carro pela berma e arriscar. Quando se safa, percebe que a estrada continua em mau estado. Decisão: voltar para trás e reenfrentar a árvore ou continuar a aventura off-road? E por aí adiante.

A nossa vida é tal e qual a construção de uma narrativa. Estamos sempre a dizer que sabemos ao que vamos e mantemos a premissa que desenhámos no início da nossa adolescência, mas ficamos sempre perplexos quando chegamos ao próximo entroncamento. E pior ficamos se é um cruzamento.

É-nos difícil escolher – decidir – a esquerda, direita, frente ou para trás. Somos humanos, é natural recearmos o que sabemos não dominar.

É neste ponto que podemos dividir o ser humano em dois: há os que decidem seguir sempre em frente, e há os que ficam parados na encruzilhada sem saber o que fazer num primeiro momento.
Dizem que estes últimos são cuidadosos, receosos, que pensam muito bem e fazem todas as contas antes de decidir o próximo passo. Geralmente, a sua vida é menos tortuosa mas mais infeliz, contudo, são capazes de ter um emprego certo, alguma paz de espírito e uma condição ordeira.
Os outros, que nem olharam para trás, já lá vão muito à frente. Se calhar enganaram-se no caminho, tiveram acidentes, perderam pertences. Geralmente, a sua vida é mais tortuosa mas menos infeliz, contudo, não pensam sequer em voltar atrás aquando outro cruzamento. A vida é sempre em frente. São audaciosos, por vezes loucos. Têm uma vida cheia de altos e baixos e é assim que a vivem.

O interessante é quando estes dois géneros se cruzam e ficam frente a frente.
O audacioso está cansado de tanto correr e de continuar a ter de fazê-lo para sobreviver, visto que só raras vezes é que consegue um sucesso digno de registo.
O cuidadoso está cansado de tanto pensar e de continuar a ter de fazê-lo para que tudo continue a correr bem, perdendo horas em contas e papelada fiscal.
Por um momento, ambos gostariam de trocar de lugar.
Pensam nisso, nesse cruzamento em que se encontraram.
Podem até tornar-se amigos e viver um pedacito da experiência de cada um.
Encontram, regra geral, alguns pontos de contacto, sonhos idênticos, projectos similares. Mas quis a vida que fossem diferentes e que decidissem direcções opostas.

Qual deles será o mais feliz? Ou o menos infeliz?
Nem eles o sabem, quanto mais nós.

Tal como eles, só temos que tomar mais uma decisão e seguir o caminho que pensamos ser o certo, evitando a todo o custo o que temos de garantido: o andar às voltas.
E isso não é difícil, é apenas dramático.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Manter uma posição enquanto sofremos imposições


É uma realidade: a maior parte da nossa vida é passada com pessoas que nos são, de uma forma ou outra, impostas.
Começamos cedo, nos parques infantis. Devido ao bairro onde os nossos pais vivem, conhecemos a tenra idade de muitos meninos e meninas, alguns que serão os nossos colegas e amigos ao longo dos primeiros anos de escola.

Essa nossa vida estudantil ensina-nos que a vida é cruel. Quando firmamos as bases para um relacionamento estável e duradouro, lá vem uma nova escola e outra e ainda outra e, com elas, todo um rancho de crianças, adolescentes e jovens universitários.
Somos, portanto, obrigados a estar sempre a mudar de relacionamentos e amizades, algumas que até mereciam uma verdadeira oportunidade.

Chegados ao primeiro emprego - quem o consegue - temos de dividir o espaço com pessoas que não nos dizem absolutamente nada, totais estranhos e, muitas vezes, já receosos pela nossa anunciada presença.
Os choques de personalidade farão parte dos primeiros passos profissionais e criamos as primeiras inimizades que nos podem, realmente, prejudicar.

Tomamos o café com esta gente, passamos a hora de almoço com esta gente e, muitas vezes, ainda fazemos serões com esta gente. Enquanto isto, os nossos verdadeiros amigos, alguns dos quais nos acompanham desde a infância, convidam-nos para jantar ou tomar um copo depois do trabalho. Mas como são mesmo amigos, entendem as negas e fica sempre para uma próxima vez.

Depois casamos e conhecemos toda uma nova família, para além dos muitos amigos da nova companhia. Se bem que alguns são extraordinários, outros não alinham com a nossa – também para eles – imposta presença. Logicamente que haverá conflitos que darão discussões...
Mais uma vez, lá deixamos pendurados os que escolhemos com o coração anos atrás. Mas como são mesmo amigos, entendem as negas e fica sempre para uma próxima vez.

E os vizinhos das novas casas? Não são bem os do nosso prédio, com quem temos acesas discussões durante as reuniões de condóminos, mas sim aqueles que têm varandas ou janelas directamente viradas para o nosso ninho. É toda uma gente que não queremos conhecer, mas que nos entram pela sala dentro... diariamente.

Envelhecemos no meio de pessoas que nos foram surgindo ao longo dos anos, quer por motivos profissionais, quer porque todos acabamos por ter novos relacionamentos, e com eles, novas pessoas que trazem outras, para além de todas as famílias emprestadas que fomos, também, deixando para trás.
Depois alguns admiram-se que existam pessoas com mais de 500 relacionamentos “reais” no facebook e similares...

É um vaivém de apresentações, discussões, pazes e novas oportunidades. São as horas que passamos a olhar de lado alguns companheiros de vida de quem está na nossa alma. São conversas intermináveis com opiniões que não nos interessam e com quem não temos um pingo de cumplicidade.

Enquanto os anos voam, sentimos cada vez mais falta da simplicidade dos primeiros anos do parque infantil, em que gostávamos de A ou B e atirávamos pedras e areia a C e D.
Mas de vez em quando, nos aniversários, natais e passagem de anos, conseguimos lembrar quem nos ficou para sempre e prometemos que será diferente a partir de hoje.
Já ninguém acredita... mas como são mesmo amigos, entendem as negas e fica sempre para uma próxima vez.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Uma floresta começa sempre por uma única semente.



O que seria do mundo se não tivessem existido teimosos? Estaria, definitivamente, muito diferente e bem pior.

São os teimosos que não se vergam às leis humanas, que decidem tomar um caminho próprio e enfrentar as muitas lombas, muitos buracos, muitas rasteiras. Ganham ódios que lhes travam os ímpetos. Mas também ganham amizades, grandes amizades, com um respeito e admiração pouco comuns.

São os teimosos que lutam por um ideal ou uma simples ideia. E poucos falham na sua obra de vida. Podem azucrinar o espírito próximo, medindo-lhe o limite da paciência, enfrentando-lhe a discussão, tomando-lhe o pulso, mas, no fim, existe sempre mais um abraço e um sorriso cúmplice.

São os teimosos que impulsionam esta nossa vidinha tão ridícula. Enquanto vemos passar os dias como se fossem o prolongamento dos anteriores, essa gente chata descobre, em cada um, mais um motivo de luta, de entusiasmo, de tertúlia, de acção e, finalmente, de regozijo.

As teimosias podem ser infantis e até cruéis, como só os putos o são. Mas também há lugar para arrependimentos e passos-atrás mais rápidos que o anunciado. E, depois, há pazes que se fazem no meio de copos vazios e outros por esvaziar. E esse aperto de mão é, geralmente, o início de uma outra vida, que se junta às muitas paralelas que se podem viver.

Acontece que os teimosos vivem a vida mais depressa que todos os outros. E, por isso, desgastam-se a um ritmo mais acelerado. É o preço que se paga quando se é maior que a própria vida e, sabemos bem, ela nunca foi barata.

Os teimosos sabem bem que pisam o risco, mas preferem-no a ser iguais a nós, os demais, paranóicos e vulgares, cheios de medos e cuidados. Por isso são chatos e teimosos. Chatos porque são teimosos. E teimosos porque são chatos. Não mudam uma vírgula às frases que reescrevem. Mas mudam todas as almas que têm a sorte de conhecê-los, e por vezes, confrontá-los.

Acontece também que as lutas constantes causam mossa. E a guerra contra o tempo e a injustiça faz envelhecer um corpo, mas nunca a alma. É essa que perdura nos anais, que modifica algo nos restantes, que dá vontade para que continuemos esse caminho tortuoso, mas enorme, fantástico!

Por vezes, somos tocados ao de leve, pois o tempo foi escasso. Mas sentimos que essas horas, por pouco que signifiquem numa vida, foram grandes e maiores que ele próprio, esse tempo vulgar e que todos desejamos imortal.

E, num repente, acontece: passamos a ser teimosos. E chatos.



Foto de Carlos Pinto Coelho,  Ruins of St. Cucufate Monastery - Vidigueira - Portugal

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A greve é só para animais racionais...



Imaginemos a vida na terra azul se, num dia, alguns animais decidissem fazer uma greve geral.
Por exemplo, as abelhas.
Um dia de esquivanço laboral, faria com que o equilíbrio terrestre conhecesse sérios danos. A polinização falharia e, consequentemente, toda a natureza sofreria o abalo, com a agricultura em destaque.
Mas as abelhas são bichos trabalhadores, habituados a uma férrea disciplina.
Não estou a vê-las aderirem às ordens sindicais.

Existe um outro animal que é repelente para muitos humanos e adorado por outros tantos. A osga! É verdade, essa lagartixa de várias cores e que surge geralmente agarrada à parede exterior da casa bem perto de uma lâmpada acesa, é um dos nossos principais aliados para a qualidade de vida. São elas que comem as traças, baratas, mosquitos, moscas e, até, aranhas, que tanto nos incomodam.
Ora se as osgas - principalmente a bem portuguesa osga-moura - optassem por manifestar-se contra os nossos maus tratos e não se alimentassem durante 24h, imaginem a noite mal dormida que sofreríamos, devido aos constantes zumbidos e dolorosas picadelas.
Também não as vejo em piquetes de greve.

E as vacas leiteiras? Um dia apenas sem produzirem, esgotaria os stocks de leite, queijos e iogurtes, bases alimentícias diárias para milhões e milhões de seres humanos e outros animais. Toda a pirâmide alimentar se inverteria, os mais petizes teriam que ver a mãe a misturar o pó Nido com água, os jovens ficariam sem a dose diária de cálcio, e os mais idosos não poderiam demolhar a torrada ou bolacha Maria.

E o que dizer do peixe, que se recusaria a ser apanhado? Basta ir ao supermercado a uma segunda feira, para perceber que a frescura e a abundância se escapariam por entre os nossos dedos.

Poderia continuar a enunciar a Arca de Noé, mas parece-me que bastam estes exemplos para se perceber que fazer greve não é para todos.
Há que reflectir nesta verdade, tomar alguns apontamentos, elaborar estudos científicos e encontrar verdadeiras soluções para atacar os graves problemas que alguém provocou e alimentou.

Se continuarmos nestas verdadeiras andanças, de piquete em piquete, teremos o mesmo fim que os grandes dinossáurios... e nem será preciso um degelo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A idade do armário que de madeira passou a contraplacado.



É interessante falar, por vezes até conversar, com petizes que entraram na idade do armário.

Se à minha época, esse armário era a figura estilística encontrada para descontar os silêncios, as permanências exageradas no quarto e a cabeça cabisbaixa às horas de refeição, hoje as coisas mudaram um bocadito.

Os petizes andam enraivecidos!

Terão razão? O mundo mudou assim tanto?
Bom... talvez.
Antes, os traquinas mostravam com evidente orgulho as primeiras penugens faciais, sempre ridículas e imberbes.
Aqueles parcos e afastados pelos, entre o nariz e o lábio superior, formalizavam a passagem para a idade adulta.
O que fazem hoje? Ao primeiro sinal de crescimento de um qualquer pelo em qualquer local do corpo sem ser no alto da cabeça, vivem a urgência de rapá-lo, queimá-lo, puxá-lo, destrui-lo.
Se antes a mãe e o pai não permitiam qualquer desvio no guarda-roupa adequado à sua classe social, como por exemplo os Le Coq Sportif, os jeans Wrangler, Lee ou Lois, o pólo Lacoste ou Coronel e o pullover Sidney numa gama média/alta, hoje os putos mandam nas suas escolhas. Ou pensam que mandam, pois pelo que parece, o andar vestido com calças que caem até aos joelhos, sweats com capuz, ténis sem atacadores e phones constantemente nos ouvidos, são uma espécie de fardamento obrigatório, como se de uma bata ou bibe se tratasse.
Conclusão: nem antigamente nem agora a vida foi e é fácil. Temos um empate.

No campo feminino, as modas surgiam e desapareciam em catadupa. Quem viveu o liceu nos 70/80, nunca se esquecerá das calças de bombazine extremamente justas até ao joelho que depois alargavam até tapar o calçado. Ou das botas de pele de carneiro, os anoraks e kispos.
Hoje elas dizem-nos... aliás, gritam-nos, que têm de ter aquela roupa, e aquela, e aquela outra, e mais aquela e morrem se não tiverem aquela ali da montra. O problema é que a montra agora é global - chamam-lhe internet - onde encontram a cor que a amiga não tem e o modelo que ainda não chegou a Portugal.

Em termos de vivência sexual, as coisas também “mudaram” muito. Se antigamente havia as curtes, hoje há os enrolanços. A actividade sexual era vista como o passaporte para uma atitude mais adulta, hoje é “a” questão que engloba todas as conversas, sms e chats. Antes, era impensável ter mais que um “namorado”, hoje é impensável ter apenas um. É de cota, isso.
Conclusão: nem antigamente nem agora a vida foi e é fácil. Temos um empate.

O mais interessante é reparar nos actuais petizes quando não conseguem a roupa, o MP3, o telemóvel com redes sociais, o bilhete para o concerto ou a saída nocturna durante todo o fim de semana.
Chegam a casa, remetem-se e nos para o silêncio, permanecem exageradamente no quarto, forçam-nos a aceitar a cabeça cabisbaixa às horas de refeição e respondem mal.

É essa a única diferença para connosco: é que são mais arrogantes, malcriados, altivos e parvos, não conseguindo aceitar que nós já passámos por tudo isto.
O que mudou foi o simples acto de ouvir.
Nós ainda ouvíamos os conselhos ou sermões.
Eles ouvem os decibéis que abafam qualquer bom senso.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Uma semana em que a animação é social.



Durante estes dias, os egos dos facebookers transformaram-se em retratos que animaram a sua juventude. Encontramos de tudo, desde o Speedy Gonzalez até uma ninfa do Manara, várias Mafaldas que acompanham inúmeros Corto Malteses.

O Facebook está uma animação!

Tudo começou com uma mensagem simples que muitos reproduziram, um pedido para alterar a imagem normal para uma qualquer que definisse a tenra idade de quem escreve neste meio social.
A princípio, confesso, não acreditei que fosse um sucesso, mas neste preciso momento, raro é quem não seguiu a ordem.

Ora como também fui um deles, recebi mensagens pouco abonatórias de quem não percebe nem entende este momentum, como também outras que já me obrigaram a mudar de personagem.
O ter escolhido o vilão Olrik da saga Blake & Mortimer, encheu a minha caixa postal com pedidos de esclarecimento. Para não perder mais tempo a explicar quem é o sujeito, alterei para o Homem-Aranha, para sempre o meu personagem preferido da gama super heróis. Finalmente, decidi colocar a minha própria cara... mas animada.

Confesso que me tenho divertido com toda esta história. Não porque o FB está mais colorido, não porque deixei de saber imediatamente quem coloca mensagens, mas sim porque existem lutas tremendas entre uma certa intelligentsia lusitana.

Há agora uma luta de classes, a que nos remete para figuras globais (Tintin, Lucky Luke, Mafalda, Marretas e etc.) e a que nos demonstra que a BD sempre foi uma arte mais adulta (Ran Xerox, Manara, Moebius, Rotundo, etc.).
É este segundo grupo que trava uma guerra sem quartel, demonstrando a tal cultura que sempre os diferenciou quando usavam botas ortopédicas e óculos de massa.
Num repente, os geeks dos anos 70 são agora pintas nos 10.

É uma vingança, mas cheia de animação.

Confesso um sorriso.
E confesso também uma boa gargalhada quando alguém se lembra do Marsupilami ou do Ric Hochet, assim como do Metabarão ou do ciclo de Cyenn.

Qual é o mal disto e porque é que algumas pessoas ficam tão enervadas, não querendo embarcar neste mar de traços a carvão e cores abertas, sonhos criativos e mundos paralelos?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A Hip...nose em tons rosa e azul



Uma palavrita com duas letritas, pode esconder um sem número de significados.
Há, portanto, que ter algum cuidado na sua utilização.
Vou dar um exemplo: “Pó”.

Ora o pó pode dar um trabalhão a quem lhe é alérgico, pois não é de fácil remoção e ainda por cima está minado por esse bicho asqueroso que é o ácaro.
Este tipo de pó faz mal à saúde, causa alergias e espirros, inflamações no nariz, garganta e brônquios. É nefasto para os asmáticos e para os mais jovens e seniores entre nós.

Por outro lado, temos outro tipo de pó que geralmente alcunha substâncias que alteram o comportamento psíquico e físico de quem o absorve. Os mais incautos chamam-lhe droga, mas há quem saiba diferenciar o pó da droga mais comum, ao pó de anjo, denominado por acaso de PCP. Este último parece o que não é. Por exemplo, os efeitos que se procuram, alucinações tipo LSD, não passam de uma cópia mal feita, tipo daquelas de Sacavém. Mas o frenesim é semelhante a muitas outras drogas, como o rubor facial, o suor profundo, o maldito formigueiro nas extremidades e a perda de coordenação. Não é, concordemos, a melhor figura que poderemos fazer.

Mas existe um outro pó mais nefasto, horrendo e que nos exige a imediata contra-acção, seja através de posts no facebook (causas, alertas, pedidos), o passa-palavra, até cartas ao Provedor.
É o PÓ...POTA! Dois pós numa palavra de três sílabas!
Um pó que junta todos os problemas enunciados nos dois acima, mas com agravantes:
O Popota cria erupções cutâneas, calvice nervosa. Provoca surdez e perda de razão. Acorda-nos os abafados sentidos guerreiros e um justificado aumento de adrenalina.
Este maldito bicho, ou bicha, ataca-nos no final de cada ano. É vendido nas mais variadas cores, mas tem como principais a rosa e o azul turquesa, o que sugere alterações químicas bem conhecidas de outras décadas.
Enquanto nos hip...notiza como sendo um produto infanto-juvenil, balanceia as suas redondas formas ao som de uma das mais temíveis músicas do século passado, que teve o título “daddy cool”.

Não brinquemos... vestes ousadas, ancas bamboleantes, poses sensuais misturadas com um tema que alerta qualquer encarregado de educação, mas alterado para "pó... popopota, pó...popopota" em vez de "daddy...daddycool, daddy...daddycool", é, talvez, o exercício mais pornográfico que existe e que passa nos nossos ecrãs às horas em que os petizes estão a ver Tv.

E, depois, queixemo-nos que eles querem viver a vida o mais rápida e urgentemente possível...
Tenham pó... aliás, dó!


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Os dramas de um escritor no Séc. XXI



Como muitos outros que passaram ao lado de uma carreira artística, também cheguei à idade em que posso tentar ser escritor. Será a última das artes performativas e solitárias, a par da escultura e pintura, em que um cidadão menos jovem pode ainda ousar ser uma criança.
O mais engraçado nesta conclusão, é que sempre fui rodeado por sinais que me indicavam este caminho. Aos 20 queria fazer filmes mas era jornalista, aos 30 fui músico mas também copywriter. Ou seja, sempre que tentei uma outra arte, com ou sem sucesso, estava paralelamente com os dedos ocupados a pressionar teclas alfanuméricas. E reparem que até tentei enganar o destino, pois as outras teclas dos vários teclados que usei, eram pretas e brancas, tal e qual as teclas brancas de um teclado de escrita com inscrições a preto. 
Comecei com pesadas, e de ferro, máquinas de escrever, ainda com teclado Hcesar. Talvez seja devido à enorme força com que se tinha de pressionar uma “letra”, que ainda hoje só escrevo com os indicadores: é que o impulso e movimento rápido necessários, quase que se assemelhavam ao lançamento de uma bola de baseball.
Uma das minhas grandes alegrias foi quando paguei, com muitos contos de réis, a minha primeira máquina de escrever electrónica. As teclas já eram suaves e podia escrever uma ou duas linhas na memória embutida, revendo os erros num pequeníssimo ecrã lcd, antes de dar a ordem para impressão na folha de papel.
Fui feliz e, confesso, muito mais rápido. E também deixei de gastar corrector.
Os tempos foram mudando a tecnologia e, como sabemos, os computadores vieram tomar o lugar dessas maquinetas fantásticas que tanta obra-prima deram a ler. Contudo, muitos escritores preferem escrever à mão, enquanto outros se recusam a trocar a sua centenária máquina de escrever, pela facilidade de um computador.
Como os compreendo...
Passo a explicar:
Hoje acordei ao meio da manhã. Duche e pequeno almoço. Subi o andar para o escritório. Liguei o computador e sentei-me defronte. Chequei os emails e respondi a vários, liguei o Facebook e escrevi uns posts, li as notícias no iGoogle, liguei o Linkedin para aceitar mais uma amizade profissional e respondi às mensagens do The Star Tracker. Num repente, chegou a hora de almoço. Regressado do tasco vizinho, respondi aos emails que tinham respondido aos meus. Re-consultei o FB antes de escrevinhar um slogan e um texto para um anúncio de um cliente. Um amigo nos Estados Unidos ligou-me pelo Skype e ficámos na conversa durante uns largos minutos. Logo de seguida, o telefone tocou: o agente literário perguntava pelos seguintes capítulos. Respondi-lhe que ainda os enviaria hoje. Abri a página em branco do Word mas nada me vinha à cabeça e decidi não stressar, jogando um solitário no computador. Reabri o Word, continuava branco. Vi um episódio de um seriado preferido que tinha acabado de "chegar". Chequei novamente os emails, o FB, o Linkedin e o TST.
Num repente, fez-se luz! Tinha a ideia para terminar mais um capítulo.
Já não temia o cursor a piscar na folha de texto e, quando apontei os dois indicadores ao teclado, a electricidade foi cort...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

cento e trinta e cinco

Um dia como o de ontem, em que obtive várias respostas de interesse para um projecto já com algum tempo e que, por não ser populista, conhece enormes dificuldades em vingar, fez-me abrir um sorriso franco e largo.
Pode não dar em nada, mas esses interesses vários demonstram, apenas e só, que pelo menos o que fiz tem alguma qualidade. É um bónus, uma mais valia. É aquele empurrão que dá mais um bocadito de força para continuar ou recomeçar melhorando.
E pensei cá para mim: "se chegar a bom porto, junta-se aos impossíveis que já fiz". Se esse dia chegar, olharei para o meu passado com mais orgulho e uma enorme ternura. E conquistarei a total certeza com que poderei, finalmente, aconselhar com mais alento quem me procura porque, por muito que o sonho seja alto, às vezes consegue-se lá chegar.

sábado, 16 de janeiro de 2010

cento e vinte seis

O poder e riqueza toldam até o mais puro dos justos. Não o neguemos. Quantos de nós perdemos o contacto com aquela gente que é nossa "amiga" quando estamos bem, mas que desaparece sem registo quando ficamos menos bem? Vamos fazer um teste, olhar para os nossos contactos no telemóvel e emails e ver quantos deles estão "desconectados" da nossa existência. Se calhar, mais de metade. Ou para quem não utiliza o SIM para tudo e mais alguma coisa, um pouco menos.
Confesso que tenho muitos, demasiados, contactos que não utilizo nem deverei vir a reutilizar. Então porque pura e simplesmente não os apago da memória, que está a abarrotar pelas costuras?
Por um lado penso que, quando regressar ao topo, já os tenho. Por outro penso, quando regressar ao topo, de que me interessa tê-los? Já mostraram bem o que valem. Mas na verdade na verdade e quando mudo de telemóvel (frequentemente), fico hesitante em carregar na tecla "apagar da memória?". Se escolho o Sim, fico um bocadito perturbado. Se escolho o Não, também.
Bolas, se sei que esta gente não vale nada, porque raio ainda me preocupo com a sua existência?
Sou mesmo tótó...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

cento e vinte e quatro

Hoje acordei com uma necessidade estranha de escrever cartas com a Montblanc que tenho ali parada, desejando tudo de bom a quem é bom. Cartas... que raio. A última vez que escrevi um longo texto à mão fiquei com ela toda dormente e dorida. Os ossos já não se adaptam à cerâmica do corpo de uma boa caneta, assim como a pressão exacta para desenhar os rabiscos que se transformam em palavras no papel, já não me é imediata e confortável.
Acordei também com uma grande vontade de não levar telemóvel para a rua mas sim um livro. E em vez de me encaixar no veículo automóvel, dei por mim a estudar a rede do metro que, confesso, me é estranha com tanta cor e estações de mudança das mesmas.
Antes de sair, olhei para os relógios que guardo na gaveta. Só um está com a hora certa e muitos sem pilha. Gosto muito de relógios e de canetas que são, no meu entender, as únicas jóias masculinas e vergasto-me por ter deixado de usá-las. O relógio deixou de ser uma necessidade já que o telemóvel, o tablier do carro, o auto-rádio e aqueles monumentos, perdão, mupis lisboetas com publiciade, horas e temperatura, estão sempre a apontar-nos a hora certa. Até o computador a mostra.
Estamos rodeados pelo tempo ao mesmo tempo que perdemos tempo a tentar viver neste tempo moderno que nos exclui de muitas coisas boas da vida, como por exemplo, escrever uma carta a um amigo, educar o aparo de uma caneta nova, encher o reservatório com tinta e olhar a coroa de uma peça intemporal que nos mostra o tempo real em que vivemos, pois ao fim e ao cabo, é esse o tempo que temos.

sábado, 2 de janeiro de 2010

cento e vinte e três

Finalmente vamos conseguir falar desta década como deve ser, ou seja, vamos dizer anos 10. Acabou-se, pelo menos para nós que (sobre)vivemos actualmente, a nomenclatura demasiado estranha dos zeros. Esta década foi até um zero à esquerda a diversos níveis, tanto pessoais como globais. Foi mesmo para esquecer como se tivesse nascido para ser limpa da nossa memória. Pelo menos, da minha vai.
Entrei no 10 de uma forma calma, limpa e serena. Nem muito álcool nem muita galhofada. Foi simples, correcta, elegante, com brindes sentidos e outros acompanhados por olhares cúmplices de quem sabe o que este ano vai mudar.
E ai se vai mudar...
Talvez devido a isso, e deixando passar este fim de semana ainda festivo, vou mudar algumas coisas no meu dia a dia. Já acordo mais cedo, decidi deixar de ter tv no quarto (que me acompanhava as insónias e me embalava em inglês), de 40 passei para 5 cigarros (e já vou no 2º dia sem grande tormenta), vou tentar deixar-me da companhia irlandesa com gelo e com ou sem um farrapo de água, decidi beber apenas uma bica em vez das 10 e aproveitar a teína do chá, resumindo, vou mudar mesmo algumas coisas importantes.
Pode ser que estas pequenitas modificações sensoriais antecipem o que vem aí. A ver vamos. Até estou contente. Tenho muitas confusões para resolver, mas estou contente. Bom, talvez este não seja o sentimento certo... Entusiasmado? Pode ser, é melhor.
Vou é torcer para que na segunda feira nada de mau aconteça. Quero evitar sobressaltos que me provoquem alterações e me obriguem a refugiar em café e cigarros. Por via das dúvidas, já retirei a tv da parede do quarto e não consigo recolocá-la no grampo sem ajuda. Portanto vou entrar na semana sem ninguém ao lado para evitar uma recaída.
Ai... sózinho, sem tv, desorientado pela falta da cafeína e sem cigarros porque pensava que aqueles últimos cinco chegavam?
Já me estou a passar... e ainda é Sábado.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

cento e vinte e dois

Vivi um encontro imediato do 3º grau, não com aliens, mas com uma familia alien bem tuga constituida por pai, mãe e filha menor. Pai agente da autoridade, mãe não sei bem o quê e filha estudante num ano qualquer. A conversa... mhhh.... antes discussão, iniciou-se com as hostilidades do costume: deus versus a não existência dele próprio, a liberdade de escolha e tal e coiso. Ao argumento do ovo e da galinha eu, confesso e vergasto-me, não soube responder. Tal incúria foi-me logo apontada como o exemplo máximo divino de que tudo foi criado por alguém e que só isso prova que deus existe. Perplexo, pois nunca pensei no big bang como clara e ovo, mantive-me hirto. Por uns momentos, poucos segundos, encostei o chefe de família bastante pensativo: a questão tinha a ver com a possibilidade de Eva ter nascido de Adão o que, a meu ver, faz dela filha dele com costela e tudo. O ADN comprovaria-o se o CSI existisse na altura mas como não vivemos num mundo perfeito ainda reforcei a situação com o facto não muito eclesiástico de que Adão e Eva teriam cometido adultério para povoar o mundo, visto serem os únicos habitantes deste planeta ao universo plantado.
O que fui fazer... impropérios, suores frios, desorientação espacial, tudo vi numa face que virou demoníaca. Isso fez com que lhe apontasse um demo interior o que, confesso, não foi a melhor continuação.
Depressa se passou para os gays e o seu casamento. De nada me serviu dizer-lhe frases feitas como "a minha liberdade acaba onde começa a de outrém" e anormalidades do género. A cada uma que proferia, pensando sempre nos exemplos históricos helénicos e românicos para citar os mais kitch, via crescer um ódio nazi que foi, inclusivé e não estou a brincar, reforçado com a frase "o Hitler é que tinha razão".
Sei que muitos teriam abandonado a questão e o local, mas... raios me partam, adoro (vivo) com uma situação destas, ou seja, a possibilidade de ser forcado à frente de um boi (única hipótese de olhar para uma tourada e pedindo-vos que a leiam como analogia) e chamar o bicho, a sua raiva e a sua... como se diz... investida.
E tal aconteceu!
Não vou repetir o que o homem disse em relação aos gays (a que juntou prostitutas, travestis, chulos e demais) pois até eu fiquei ruborizado. Mas uma coisa vos garanto: em pleno séc XXI e a poucos dias da sua segunda década, é-me complicado entender estas mentes tementes e prostradas a um deus católico e que admitem e proclamam a matança a todos os que não sejam, a seus olhos, normais.
Sem querer maçar-vos com mais pormenores, apenas exponho a última questão. Perguntei-lhe se, caso a sua filha menor sentisse que a sua vida, paixão e amor passasse pela homossexualidade, o que faria ele nessa situação. A resposta foi rápida e directa: "a minha filha??? NUNCA! E ISSO NÃO VAI ACONTECER! NUNCA! ERA O QUE FALTAVA!"


tadicho... falta-lhe bem mais do que um bocadinho assim.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

cento e vinte e um

Tentei, sem êxito, não me preocupar com prendas natalícias. E por variadíssimas razões. A primeira é o estado sofrível da conta bancária, a segunda o cada vez maior número de participantes, a terceira todo o folclore e carnaval consumista que ataca tudo e todos e a quarta a total falta de paciência para encarar filas de mau humor e correrias desenfreadas para conseguir a última embalagem de um qualquer produto apadrinhado pela tv. Nunca gostei do Natal que é, quanto a mim, uma obrigação. E como não gosto de ser obrigado a fazer o que não quero, fico totalmente confundido nesta quadra, ciente que os meus próximos desejam a minha presença, os meus não próximos desejam votos e os meus mais longínquos choram saudades por sms ou videoposts. Desde há uns anos a esta parte, encaro-o não como um frete com dia e hora marcada, mas com mais suavidade e até algum divertimento. Toda a minha vida foi passada em algumas casas e com famílias que não a minha, pela única razão que lá em casa o meu pai tinha outros afazeres na noite da consoada, como por exemplo, ganhar algum dinheiro extra que servisse para mimar os empregados com mais um reforço. A minha mãe, pouco ou nada religiosa, assumia a noite como mais uma do ano e só durante a manhã e almoço do dia 25 é que se cheiravam os presentes e os... ausentes. Celebrei assim muitos natais infantis e juvenis e, conforme a vida nos ensina, passei depois a frequentar casas de namoradas cujas famílias levavam e levam ao pormenor toda esta tradição. Na verdade, nunca me senti um outsider e é com grato prazer que recebo convites das ex-famílias que me têm em boa conta e me passaram a tratar por primo em vez de futuro-qualquer-coisa.
Mas este ano a situação é ainda mais difícil pois passei a ser outra vez um futuro-qualquer-coisa paralelamente a primo oficial e oficioso, sobrinho, padrinho e quejandos. Como, então, descalçar a bota?
Olhei em redor, pesquisei, wikidipei e finalmente percebi o que tantas botas de pai natal fazem penduradas nas lareiras ou paredes ou portas... são o calçado de muita gente que, tal como eu, não pode sub-dividir-se molecularmente.
De repente dei por mim a tentar comprar botas de pai natal em filas intermináveis de gente com mau humor e numa correria desenfreada até à prateleira do linear que vende estas vestes específicas.
Estou cansado...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

cento e quatorze

Hoje é um dia muito especial e está a passar ao lado de milhões de utilizadores da internet: o site Mininova, muito apreciado pela comunidade P2P, pôs fim à distribuição de torrents, ou seja, filmes, séries, fotos, discos, documentários and so on and so on.
Logicamente, esta situação tem a ver com a perseguição dos vários governos contra este tipo de troca de ficheiros (a CEE prepara-se para aprovar uma nova lei anti-pirataria) e defende os tão famosos direitos de autor nas suas variadas formas e fórmulas.

Defende?

Na minha sincera opinião, não! Pelo contrário e passo a explicar.

Sendo também um autor publicado, o primeiro crime que existe contra os meus direitos vem através da própria editora quando faz milhares de discos a mais numa fábrica brasileira que coloca à venda no mundo inteiro sem dar cavaco a ninguém. Ou seja, nem eu sei quantos discos vendi e vendo. Nem eu nem a SPA.
O segundo problema é a própria SPA, um antro de gananciosos e ladrões que vivem à custa dos meus royalties e que têm o descaramento de oferecer "adiantamentos" milionários aos artistas do costume que são os que menos precisam deles. Esta sociedade tem esquemas tão bem montados que os antigos gestores, após terem sido demitidos por gestão danosa, ainda ganharam um recurso que a obriga a  pagar-lhes uma maquia de dinheiro digna de um prémio do euromilhões.
Depois vêm os direitos conexos, coisa juridicamente complicada, cujo pagamento é "esquecido" pelas entidades que utilizam a nossa imagem/nome/obra para se promoverem (tvs, rádios, revistas, etc).
O publishing é outra grande cantilena. São empresas que andam pelas SPAs de todo o mundo à caça do meu dinheirinho. Como é que um artista controla isto?
Finalmente, os armazéns de multimedia que revendem os cds às lojas (fora os esquemas e as compras directas às editoras), os distribuidores e as lojas que, todos juntos, conseguem vender um CD que custa dois euro a 15, 18 ou 20. Os artistas recebem uma mísera percentagem por cada CD à saída da fábrica, não ao preço da loja.

Ora com tudo isto é normal que quem faça música (ou outra arte que tenha suportes e esquemas de produção similares) não fique rico e que tenha nos concertos ao vivo o real ganho de sopa e pão.
Mas se não há disco, não há distribuição nem divulgação. Sem essas não há concertos. E pum!

Então porque é que, sendo artista, não concordo com o fecho de sites onde vou buscar de borla o que quero? Como é que defendo a ladroagem ao meu próprio bolso? Bom, convém dizer que pago principescamente o serviço net que assinei, portanto pago a alguém os royalties e demais direitos do que "saco" ou "baixo". Se a Meo/Zon/Clix/Sapo/etc não têm um acordo com a SPA, isso é um outro problema a resolver. E, sinceramente, o real!
A questão é que no ano passado comprei cerca de 100 cds dos 500 que ouvi. Se não tivesse ouvido não os tinha comprado, pois continuava a desconhecê-los e, convenhamos, pagar 18€ por um disco que não se sabe se é bom ou não é só para alguns. Este ano já comprei uns 40 dos 300 que ouvi.
Ou seja, devido à troca de ficheiros P2P comprei 140 cds em dois anos. E fiz outros comprarem-nos, pois teci elogios por mail, telefone ou facebook... façam as contas.

Como artista, o que me interessa é a divulgação e essa é feita através da net, pois as editoras e demais amigos não querem gastar dinheiro em promoção. Acho que é uma equação muito simples...

Existem outros problemas como, num país limítrofe e inculto como o português, sofrer o imenso azar de ter um gosto diferente da maioria. Ou seja, e mesmo que queira comprar o que procuro, não o encontro à venda nas lojas nacionais. Sou, portanto, obrigado a esforçar-me e ter um cartão de crédito e dar a ganhar o meu dinheiro às lojas internacionais.
Gosto muito de documentários, principalmente da BBC, e de outras divagações televisivas. Mas como aceder-lhes se os 100 canais de tv que pago nem sabem do que estou a falar?

Será que tenho que viver ignorante, tipo carneiro, e levar com o que os abutres, geralmente incultos que mandam nas estações televisivas e radiofónicas, gostam ou me querem impingir?

Desculpem mas não sou pimba. E tão pouco estúpido.