quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Um pequeno passo atrás pode ser um grande passo para a humanidade



Levar com uma maçã no alto da cabeça pode mudar a forma como vemos o mundo. E explica muita coisa. Não há dúvida que o ser humano tem engenho e arte, alguma sabedoria e destreza, mas acima de tudo, a curiosidade felina e um espírito de sacrifício pouco comuns nas restantes espécies. E isto tudo sem contar com o luso desenrascanço, arte milenar que nos governa no dia a dia.

Enquanto vejo passar as últimas horas deste malfadado 2010, em que perdemos tanta gente boa, culta e valorosa, dei por mim a pensar no fulano que inventou que um ano tem 365 dias, mais um quando é bissexto, ou seja, um desenrascanço para alinhavar os números. Mas o que passou pela cabeça desse senhor para perder tempo com toda esta aritmética? E quantos “anos” levou para chegar à conclusão?

De vez em quando, um de nós tem uma ideia peregrina e, num repente, qualquer coisa estranha passa a conhecer uma lógica inabalável. Ele há de tudo, desde grandes pensadores que inventaram maquinetas que ajudaram outros a conseguir enormes feitos, até ao simples curioso que percebeu, arriscando a vida na apanha, que os percebes eram comestíveis.

A lista é infindável: quem foi o primeiro a descascar a banana antes de comê-la? Ou qualquer outro fruto? Quem foi o maluco que descascou a primeira pevide? E o tonto que se protegeu do frio com o primeiro “casaco” de pele e pelo?
É que falamos daqueles que inventaram a roda e perceberam que o mundo não era quadrado, mas esquecemos os pequeninos que nos mostraram o caminho, ao perceber que alguns cogumelos eram nefastos para a saúde e que aquecer azeite com cebola cortada traduz-se num dos mais apetitosos cheiros de que temos memória.

Ora se somos assim, curiosos e extraordinários, porque é que tivemos de inventar uma coisa chamada politica? E, muito pior, políticos? Quantos de nós já não nos enervámos porque temos soluções para os problemas e estes “profissionais” conseguem errar constantemente e fazer tudo ao contrário da mais humilde lógica?

A meu ver, todos eles poderiam levar com uma maçã no alto da cabeça. Até podia ser das podres. Talvez, com muita sorte, acordassem e percebessem que, fazendo mal as coisas, também eles irão perder todos os luxos que garantiram. Mais tarde que nós, mas também.
Até poderia ser que, no caso português, optassem pela reestruturação social, imitassem os antigos quando olharam a educação e a cultura como a grande ponte para a excelência de um povo, por exemplo.

É que sem bases sólidas, nenhum arranha-céus é seguro.
E nós temos a mania de voar alto.
Está na hora de voltarmos a ser pequeninos, mas curiosos e inventivos, destemidos e peregrinos, corajosos e loucos.

É este o caminho para voltar a ser grande.
Apenas um pequeno passo atrás.

Um bom 2011 para todos!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Manter uma posição enquanto sofremos imposições


É uma realidade: a maior parte da nossa vida é passada com pessoas que nos são, de uma forma ou outra, impostas.
Começamos cedo, nos parques infantis. Devido ao bairro onde os nossos pais vivem, conhecemos a tenra idade de muitos meninos e meninas, alguns que serão os nossos colegas e amigos ao longo dos primeiros anos de escola.

Essa nossa vida estudantil ensina-nos que a vida é cruel. Quando firmamos as bases para um relacionamento estável e duradouro, lá vem uma nova escola e outra e ainda outra e, com elas, todo um rancho de crianças, adolescentes e jovens universitários.
Somos, portanto, obrigados a estar sempre a mudar de relacionamentos e amizades, algumas que até mereciam uma verdadeira oportunidade.

Chegados ao primeiro emprego - quem o consegue - temos de dividir o espaço com pessoas que não nos dizem absolutamente nada, totais estranhos e, muitas vezes, já receosos pela nossa anunciada presença.
Os choques de personalidade farão parte dos primeiros passos profissionais e criamos as primeiras inimizades que nos podem, realmente, prejudicar.

Tomamos o café com esta gente, passamos a hora de almoço com esta gente e, muitas vezes, ainda fazemos serões com esta gente. Enquanto isto, os nossos verdadeiros amigos, alguns dos quais nos acompanham desde a infância, convidam-nos para jantar ou tomar um copo depois do trabalho. Mas como são mesmo amigos, entendem as negas e fica sempre para uma próxima vez.

Depois casamos e conhecemos toda uma nova família, para além dos muitos amigos da nova companhia. Se bem que alguns são extraordinários, outros não alinham com a nossa – também para eles – imposta presença. Logicamente que haverá conflitos que darão discussões...
Mais uma vez, lá deixamos pendurados os que escolhemos com o coração anos atrás. Mas como são mesmo amigos, entendem as negas e fica sempre para uma próxima vez.

E os vizinhos das novas casas? Não são bem os do nosso prédio, com quem temos acesas discussões durante as reuniões de condóminos, mas sim aqueles que têm varandas ou janelas directamente viradas para o nosso ninho. É toda uma gente que não queremos conhecer, mas que nos entram pela sala dentro... diariamente.

Envelhecemos no meio de pessoas que nos foram surgindo ao longo dos anos, quer por motivos profissionais, quer porque todos acabamos por ter novos relacionamentos, e com eles, novas pessoas que trazem outras, para além de todas as famílias emprestadas que fomos, também, deixando para trás.
Depois alguns admiram-se que existam pessoas com mais de 500 relacionamentos “reais” no facebook e similares...

É um vaivém de apresentações, discussões, pazes e novas oportunidades. São as horas que passamos a olhar de lado alguns companheiros de vida de quem está na nossa alma. São conversas intermináveis com opiniões que não nos interessam e com quem não temos um pingo de cumplicidade.

Enquanto os anos voam, sentimos cada vez mais falta da simplicidade dos primeiros anos do parque infantil, em que gostávamos de A ou B e atirávamos pedras e areia a C e D.
Mas de vez em quando, nos aniversários, natais e passagem de anos, conseguimos lembrar quem nos ficou para sempre e prometemos que será diferente a partir de hoje.
Já ninguém acredita... mas como são mesmo amigos, entendem as negas e fica sempre para uma próxima vez.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Uma floresta começa sempre por uma única semente.



O que seria do mundo se não tivessem existido teimosos? Estaria, definitivamente, muito diferente e bem pior.

São os teimosos que não se vergam às leis humanas, que decidem tomar um caminho próprio e enfrentar as muitas lombas, muitos buracos, muitas rasteiras. Ganham ódios que lhes travam os ímpetos. Mas também ganham amizades, grandes amizades, com um respeito e admiração pouco comuns.

São os teimosos que lutam por um ideal ou uma simples ideia. E poucos falham na sua obra de vida. Podem azucrinar o espírito próximo, medindo-lhe o limite da paciência, enfrentando-lhe a discussão, tomando-lhe o pulso, mas, no fim, existe sempre mais um abraço e um sorriso cúmplice.

São os teimosos que impulsionam esta nossa vidinha tão ridícula. Enquanto vemos passar os dias como se fossem o prolongamento dos anteriores, essa gente chata descobre, em cada um, mais um motivo de luta, de entusiasmo, de tertúlia, de acção e, finalmente, de regozijo.

As teimosias podem ser infantis e até cruéis, como só os putos o são. Mas também há lugar para arrependimentos e passos-atrás mais rápidos que o anunciado. E, depois, há pazes que se fazem no meio de copos vazios e outros por esvaziar. E esse aperto de mão é, geralmente, o início de uma outra vida, que se junta às muitas paralelas que se podem viver.

Acontece que os teimosos vivem a vida mais depressa que todos os outros. E, por isso, desgastam-se a um ritmo mais acelerado. É o preço que se paga quando se é maior que a própria vida e, sabemos bem, ela nunca foi barata.

Os teimosos sabem bem que pisam o risco, mas preferem-no a ser iguais a nós, os demais, paranóicos e vulgares, cheios de medos e cuidados. Por isso são chatos e teimosos. Chatos porque são teimosos. E teimosos porque são chatos. Não mudam uma vírgula às frases que reescrevem. Mas mudam todas as almas que têm a sorte de conhecê-los, e por vezes, confrontá-los.

Acontece também que as lutas constantes causam mossa. E a guerra contra o tempo e a injustiça faz envelhecer um corpo, mas nunca a alma. É essa que perdura nos anais, que modifica algo nos restantes, que dá vontade para que continuemos esse caminho tortuoso, mas enorme, fantástico!

Por vezes, somos tocados ao de leve, pois o tempo foi escasso. Mas sentimos que essas horas, por pouco que signifiquem numa vida, foram grandes e maiores que ele próprio, esse tempo vulgar e que todos desejamos imortal.

E, num repente, acontece: passamos a ser teimosos. E chatos.



Foto de Carlos Pinto Coelho,  Ruins of St. Cucufate Monastery - Vidigueira - Portugal

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

De fio de prumo a fiel da balança.



Os meus amigos, na sua grande maioria, confiam-me segredos vários, desventuras, problemas, chatices. Sou, muitas vezes, um baú com cadeado a sete chaves, onde estão escondidos os desabafos, tristezas e alegrias de cada um.

É um caixote sem fundo, mas impenetrável, intocável. Algumas desventuras dariam para escrever verdadeiros thrillers ou filmes de terror. Outras entrariam na galeria das mais deliciosas comédias e existem várias que seriam personagens únicos em fantasias extremas. Mas não as utilizo, nem para divagações escondidas sob um qualquer alter-ego digital.

Também tenho os meus segredos e, para eles, todo um cofre-forte cuja password é indecifrável. Mas sou um sortudo e, quando é necessário um desabafo, alimentado etilicamente ou por qualquer outra razão maior, conheço vários ombros onde posso descansar.

Vem isto a propósito de quem não consegue guardar segredos. E, nos últimos tempos, esse “quem” tem nome: chamam-lhe wikileaks e, a um outro nível não menos global, “casa dos segredos”.

Sou da opinião que o site é um bocadito mais importante que a “casa dos segredos”, essa horrenda produção televisiva que me desnorteia a cada infeliz zapping.
Enquanto o primeiro está prestes a fazer derrocar o mundo tal o conhecemos, o segundo promete cometer uma proeza digna de registo: o recorde do mais baixo nível televisivo de que há memória.

No wikileaks, somos confrontados com o que, interiormente, já sabíamos: os governantes dos vários países não são pessoas em que se possa confiar e que o mundo, oriental e ocidental, está podre.
Na produção da, quase sempre ela, TVi, ficamos a saber que a malta bimba tem segredos bimbos, como prostituição, encontros com o além, casas de passe e ligações sexuais com o Pinto da Costa... sex sells.

Enquanto o mentor do site está acusado de ser um malandro no que toca à sua testosterona, os participantes lusos enrolam-se por debaixo de lençóis, na esperança de serem notados e falados cá fora... sex sells.

Como se vê, existem diferentes formas de tratar um segredo: guardá-lo, dá-lo ao mundo inteiro ou mostrá-lo a quem consegue ficar atónito quando faz um simples zapping.
A primeira, a qual prezo e defendo, faz parte da personalidade cuja educação teve a sorte de conhecer progenitores e educadores dignos e especiais.
A segunda é uma daquelas coisas que acontece e que alimenta os anais da História, quando lemos as razões que levaram à derrocada de grandes impérios e civilizações.
Já a terceira é questionável e, a meu ver, completamente desnecessária.

O meu desejo é que alguém passe ao wikileaks os podres da malta que pensa, produz e realiza esta desgraça televisiva.
O mundo poderá sobreviver aos governantes que conhece, mas ficaria muito melhor se esta gente desaparecesse, de vez, da caixinha que mudou o mundo.

Até eu deixaria escapar algumas coisas que sei... numa outra caixinha que veio alterar e alimentar o conhecimento global. E com ou sem nudez, porque o sex always sells.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Uma carta a deus ex machina.


Sempre se falou do conceito homem-máquina. As artes e ciências usaram-no a seu bel prazer, desde a arquitectura à pintura, passando pela engenharia à tecnologia.

O cinema abusou dos robots com coração sentimental e dos humanos cibernéticos. A banda desenhada também, desde os vilões aos super-heróis. E é melhor nem pensar no filme "Crash" de David Cronenberg...

Na música existe o eterno “the man machine” dos não menos clássicos Kraftwerk que levaram esse conceito até ao limite, colocando robots a tocar as músicas em pleno palco.

Portanto, a que se deve esta paranóia? Qual o interesse em juntar peças de metal à carne, trocar membros naturais por plástico e pilhas? Já não bastam as ajudas centenárias, como os óculos para quem é pitosga, muleta para os coxos, viagra para os adormecidos? Não! O desejo é ter órgãos novos quando abusámos dos originais. E quem não deseja um fígado por estrear?

Vai daí, debrucei-me sobre a questão, tal como Da Vinci, entre outros, o fez. Não me deixaram ir à morgue para comprar uns corpos sem alma, pois parece que é proibido para a maioria das pessoas. E também me esquivei a ser um serial killer, pois a policia anda de olho em mim desde que escrevi, tempo atrás, que procurava o crime perfeito.
Assim, limitei-me a tirar da caixa o antigo boneco do jogo “O Corpo Humano” e lá comecei a colocar as peças dentro das cavidades apropriadas.

O que descobri foi revelador!
Somos realmente um conjunto mal amanhado de pecinhas, colocadas uma por cima das outras, arrumadas de acordo com um qualquer manual de instruções que, milénios atrás, alguém escreveu e deixou por cá.
E este exercício, para quem montou um PC quando isso foi moda, torna-se realmente esclarecedor.

Ora vejamos: Se o corpo humano é uma caixa vazia (continuando com o conceito do computador), terá de ser vertical em vez de horizontal. Portanto, os portáteis e os novos tablets não são o melhor invólucro.
Continuando: o processador é o cérebro. A RAM, o cerebelo.
Estão a acompanhar-me?
O esqueleto é a motherboard. O disco rígido só poderia ser o coração, porque, geralmente, é o elemento que mais problemas conhece, desde crashes a viroses.
Os pulmões são a fonte de alimentação e o leitor-gravador de Cd/Dvd só podia estar transformado em fígado, pois é o que mais depressa se desgasta e encrava.
O teclado são as mãos, e os braços o cabo que o liga ao PC. O rato são as pernas e pés, pois é o que nos permite "andar" de um lado para o outro. Por sua vez, os olhos são o monitor e os diversos autocolantes e inscrições a laser, as tatuagens.

Para não vos chatear com os restantes elementos, termino com o mais chato, aquele que nos exaspera e a que desejamos dar um pontapé: são os cabos, todos emaranhados e torcidos. E o que temos dentro de nós que é a sua correspondência? Os intestinos!

Então? Continuamos a aceitar que foi algo divino que nos fez à sua semelhança ou concluímos que foi um qualquer engenhocas que era um desarrumado do piorio?

Mas essa nem é a maior questão!
O grande problema é que somos todos... made in China. E isso não é confortável, pelas mais diversas razões.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Os segundos em que o odor tem cheiro.



Somos um país atrasado. Dessa realidade não nos safamos. Até somos um dos PIIGs, embora aquele que mais dá utilidade ao bicho.
Mas uma coisa é ser-se pobrezinho e atrasado, outra é confrontarem-nos com o facto que somos malcheirosos e sem noção temporal.

Como consumidor de revistas semanais e mensais, estou atento aos pequenos sinais que nos atacam subliminarmente, muitas vezes disfarçados de anúncios publicitários.
Sabemos que o big brother is watching us, mas esta nova forma de nos “relembrar” a cada página ímpar que existem 30 relógios e 20 perfumes que alimentarão o nosso ego, começa a ser, quanto a mim, exagerada.

À falta de fé, valha-nos o conformismo capitalista. Os anunciantes sabem disso, as marcas também e a quadra festiva aproveita a falta de esperança religiosa para nos cativar com um sucedâneo, ou seja, um novo pertence que nos fará sentir mais de acordo com o retrato social que ambicionamos e, para alguns, uma maior proximidade com a divindade.

Ora isto seria tudo muito bonito se não estivéssemos a atravessar a tal crise de que todos falam (e que começou em 2000). Não compreendo como as marcas têm tanto dinheiro para gastar em anúncios e, ainda por cima, todos iguais.
A cada página folheada, lá está o relógio que custa uns bons 5000€. E como isso é para macho, surge logo a seguir um perfume mais catita que ronda os 100€, para mostrar à senhora que também vai receber um presente oneroso para mostrar às amigas. Esta situação repete-se até às últimas páginas da revista, folheada com a eterna esperança que alguém saiba que gostaríamos também de ser presenteados.

Mas... se há crise, não há pilim! Portanto, todos estes anúncios são dinheiro deitado à rua. Vai daí, forcei-me a pensar no porquê.
Ontem à noite, durante a insónia habitual alimentada pelas contas e pelo fisco, cheguei à conclusão que tudo isto é um embuste maquiavélico.

Ninguém quer vender relógios e perfumes! Mas as forças que governam, continuam a pensar que estão num oásis, cheios de esperança e com grandes planos para obras públicas faraónicas e inúteis.
Ora nenhum governante, que quer deixar gravado o seu nome a qualquer custo, deseja repetir a feijoada numa ponte, visto que essa leguminosa liberta gases que não são muito agradáveis.
Sendo assim, foi estudada toda uma campanha para mudar os hábitos lusitanos: perfume para esconder o facto que a água, a electricidade e o gás, fora o sabão e o champô, estão pela hora da morte, e um relogiozito catita para chegarmos à hora marcada, e não 30 minutos depois, para a inauguração de uma qualquer obra que mudará os destinos do país.

Sinceramente, esta fórmula roça o brilhantismo. Eu sabia que os milhões gastos no Magalhães iriam servir para alguma coisa.
Agora só falta mudar o acrónimo PIIG para BIG, pois somos... grandes, muito grandes!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A greve é só para animais racionais...



Imaginemos a vida na terra azul se, num dia, alguns animais decidissem fazer uma greve geral.
Por exemplo, as abelhas.
Um dia de esquivanço laboral, faria com que o equilíbrio terrestre conhecesse sérios danos. A polinização falharia e, consequentemente, toda a natureza sofreria o abalo, com a agricultura em destaque.
Mas as abelhas são bichos trabalhadores, habituados a uma férrea disciplina.
Não estou a vê-las aderirem às ordens sindicais.

Existe um outro animal que é repelente para muitos humanos e adorado por outros tantos. A osga! É verdade, essa lagartixa de várias cores e que surge geralmente agarrada à parede exterior da casa bem perto de uma lâmpada acesa, é um dos nossos principais aliados para a qualidade de vida. São elas que comem as traças, baratas, mosquitos, moscas e, até, aranhas, que tanto nos incomodam.
Ora se as osgas - principalmente a bem portuguesa osga-moura - optassem por manifestar-se contra os nossos maus tratos e não se alimentassem durante 24h, imaginem a noite mal dormida que sofreríamos, devido aos constantes zumbidos e dolorosas picadelas.
Também não as vejo em piquetes de greve.

E as vacas leiteiras? Um dia apenas sem produzirem, esgotaria os stocks de leite, queijos e iogurtes, bases alimentícias diárias para milhões e milhões de seres humanos e outros animais. Toda a pirâmide alimentar se inverteria, os mais petizes teriam que ver a mãe a misturar o pó Nido com água, os jovens ficariam sem a dose diária de cálcio, e os mais idosos não poderiam demolhar a torrada ou bolacha Maria.

E o que dizer do peixe, que se recusaria a ser apanhado? Basta ir ao supermercado a uma segunda feira, para perceber que a frescura e a abundância se escapariam por entre os nossos dedos.

Poderia continuar a enunciar a Arca de Noé, mas parece-me que bastam estes exemplos para se perceber que fazer greve não é para todos.
Há que reflectir nesta verdade, tomar alguns apontamentos, elaborar estudos científicos e encontrar verdadeiras soluções para atacar os graves problemas que alguém provocou e alimentou.

Se continuarmos nestas verdadeiras andanças, de piquete em piquete, teremos o mesmo fim que os grandes dinossáurios... e nem será preciso um degelo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A idade do armário que de madeira passou a contraplacado.



É interessante falar, por vezes até conversar, com petizes que entraram na idade do armário.

Se à minha época, esse armário era a figura estilística encontrada para descontar os silêncios, as permanências exageradas no quarto e a cabeça cabisbaixa às horas de refeição, hoje as coisas mudaram um bocadito.

Os petizes andam enraivecidos!

Terão razão? O mundo mudou assim tanto?
Bom... talvez.
Antes, os traquinas mostravam com evidente orgulho as primeiras penugens faciais, sempre ridículas e imberbes.
Aqueles parcos e afastados pelos, entre o nariz e o lábio superior, formalizavam a passagem para a idade adulta.
O que fazem hoje? Ao primeiro sinal de crescimento de um qualquer pelo em qualquer local do corpo sem ser no alto da cabeça, vivem a urgência de rapá-lo, queimá-lo, puxá-lo, destrui-lo.
Se antes a mãe e o pai não permitiam qualquer desvio no guarda-roupa adequado à sua classe social, como por exemplo os Le Coq Sportif, os jeans Wrangler, Lee ou Lois, o pólo Lacoste ou Coronel e o pullover Sidney numa gama média/alta, hoje os putos mandam nas suas escolhas. Ou pensam que mandam, pois pelo que parece, o andar vestido com calças que caem até aos joelhos, sweats com capuz, ténis sem atacadores e phones constantemente nos ouvidos, são uma espécie de fardamento obrigatório, como se de uma bata ou bibe se tratasse.
Conclusão: nem antigamente nem agora a vida foi e é fácil. Temos um empate.

No campo feminino, as modas surgiam e desapareciam em catadupa. Quem viveu o liceu nos 70/80, nunca se esquecerá das calças de bombazine extremamente justas até ao joelho que depois alargavam até tapar o calçado. Ou das botas de pele de carneiro, os anoraks e kispos.
Hoje elas dizem-nos... aliás, gritam-nos, que têm de ter aquela roupa, e aquela, e aquela outra, e mais aquela e morrem se não tiverem aquela ali da montra. O problema é que a montra agora é global - chamam-lhe internet - onde encontram a cor que a amiga não tem e o modelo que ainda não chegou a Portugal.

Em termos de vivência sexual, as coisas também “mudaram” muito. Se antigamente havia as curtes, hoje há os enrolanços. A actividade sexual era vista como o passaporte para uma atitude mais adulta, hoje é “a” questão que engloba todas as conversas, sms e chats. Antes, era impensável ter mais que um “namorado”, hoje é impensável ter apenas um. É de cota, isso.
Conclusão: nem antigamente nem agora a vida foi e é fácil. Temos um empate.

O mais interessante é reparar nos actuais petizes quando não conseguem a roupa, o MP3, o telemóvel com redes sociais, o bilhete para o concerto ou a saída nocturna durante todo o fim de semana.
Chegam a casa, remetem-se e nos para o silêncio, permanecem exageradamente no quarto, forçam-nos a aceitar a cabeça cabisbaixa às horas de refeição e respondem mal.

É essa a única diferença para connosco: é que são mais arrogantes, malcriados, altivos e parvos, não conseguindo aceitar que nós já passámos por tudo isto.
O que mudou foi o simples acto de ouvir.
Nós ainda ouvíamos os conselhos ou sermões.
Eles ouvem os decibéis que abafam qualquer bom senso.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Manifesto contra os projectores de vox populi



Existem dois tipos de manifestações: as sociais e individuais.
Confesso a minha aversão ao primeiro grupo. Não gosto de manifs, não as frequento, não as defendo e, geralmente, estou contra quem as promove.
Uma manif é quase sempre nacional, como se replica pelos altifalantes, e geralmente engana o associado. É raro resolver alguma coisa, provoca desacatos, alguns tumultos, muitas reportagens televisivas e erros aritméticos.

Se por um lado as centrais sindicais promotoras afirmam sempre que Portugal inteiro aderiu, por outro estão os dados estatísticos que demonstram que os números são exagerados em muitos pontos percentuais.

Mas, realmente, o que é uma manifestação anunciada e agendada?
Para os mais desesperados, é uma forma de gritar, de mostrar descontentamento. Para muitos que ainda têm emprego, é um passeio, muitas vezes combinado como se fosse uma romaria ou uma flashmob.
“Amiga, vamos à manif?”
“Vamos pois. Tenho é de ir comprar uns trapinhos novos. Queres vir comigo e depois lanchamos no Chiado?”
“Olha, belo programa. Deus queira que não chova, pois já marquei o cabeleireiro.”

Uma manifestação deveria contar para alguma coisa. Para mudar qualquer coisa. Ora se os aderentes votam sempre nas mesmas cores, mesmo depois destas serem o principal motivo da desgraça, qual é o interesse da caminhada?
E porque é que as frases de ordem são as mesmas desde a revolução?
Será a repetição a fórmula encontrada para provocar uma mudança de mentalidades? E o que dizer daquele som fanhoso e metálico dos horrorosos altifalantes que ampliam as vozes de quem os segura?
Bolas, a tecnologia evoluiu...

Mas há manifestações que me agradam.
As de carinho estão em primeiro lugar.
Que bom recebê-las e oferecê-las de volta.
Essas sim, mudam alguma coisa: fortalecem uma ligação, alimentam uma paixão.

Ainda não sei se a minha cara metade vai à manifestação anunciada como a maior de sempre. Mas se for, uma coisa prometo!
Em vez de gritar palavras de ordem, como “Ainda acreditas nessa gente?”, “Mas porque é que ainda vais em contos de fadas?” e tantas outras, vou aguardar o seu regresso, manifestando o meu carinho com um chazinho bem quente, uma manta aquecida e pastilhas para a garganta.

Ela manifestar-se-á agradecida, tenho a certeza absoluta!
E depois de uma noite bem dormida, quem ganhará alguma coisa no dia seguinte... serei eu.




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Uma semana em que a animação é social.



Durante estes dias, os egos dos facebookers transformaram-se em retratos que animaram a sua juventude. Encontramos de tudo, desde o Speedy Gonzalez até uma ninfa do Manara, várias Mafaldas que acompanham inúmeros Corto Malteses.

O Facebook está uma animação!

Tudo começou com uma mensagem simples que muitos reproduziram, um pedido para alterar a imagem normal para uma qualquer que definisse a tenra idade de quem escreve neste meio social.
A princípio, confesso, não acreditei que fosse um sucesso, mas neste preciso momento, raro é quem não seguiu a ordem.

Ora como também fui um deles, recebi mensagens pouco abonatórias de quem não percebe nem entende este momentum, como também outras que já me obrigaram a mudar de personagem.
O ter escolhido o vilão Olrik da saga Blake & Mortimer, encheu a minha caixa postal com pedidos de esclarecimento. Para não perder mais tempo a explicar quem é o sujeito, alterei para o Homem-Aranha, para sempre o meu personagem preferido da gama super heróis. Finalmente, decidi colocar a minha própria cara... mas animada.

Confesso que me tenho divertido com toda esta história. Não porque o FB está mais colorido, não porque deixei de saber imediatamente quem coloca mensagens, mas sim porque existem lutas tremendas entre uma certa intelligentsia lusitana.

Há agora uma luta de classes, a que nos remete para figuras globais (Tintin, Lucky Luke, Mafalda, Marretas e etc.) e a que nos demonstra que a BD sempre foi uma arte mais adulta (Ran Xerox, Manara, Moebius, Rotundo, etc.).
É este segundo grupo que trava uma guerra sem quartel, demonstrando a tal cultura que sempre os diferenciou quando usavam botas ortopédicas e óculos de massa.
Num repente, os geeks dos anos 70 são agora pintas nos 10.

É uma vingança, mas cheia de animação.

Confesso um sorriso.
E confesso também uma boa gargalhada quando alguém se lembra do Marsupilami ou do Ric Hochet, assim como do Metabarão ou do ciclo de Cyenn.

Qual é o mal disto e porque é que algumas pessoas ficam tão enervadas, não querendo embarcar neste mar de traços a carvão e cores abertas, sonhos criativos e mundos paralelos?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Um doce que vem com o frio mas que aquece quem não o quer.



Tenho para mim que os doces são guloseimas que, na medida certa, fazem um bem danado à alma, ao mesmo tempo que alimentam os sentidos e acalmam um certo tipo de urgências.

Também sou homem para gostar de comer um chocolate de vez em quando, mas prefiro gelados. Adoro gelados, de qualquer tipo ou marca, vindos em pacote, com pauzinho ou bolacha. Bombons é que dispenso. E afasto-me de alguns que só surgem na pré-época natalícia. É que não confio na pretensa sazonalidade.

Passo a explicar: se posso comprar e comer um chocolate em qualquer altura do dia ou do ano, porque raio existe uma marca que coloca dois dos seus produtos à venda apenas nesta altura? E, para além de repetir o conceito já gasto do Ambrósio até à exaustão, massacra-me com a mensagem de que só surgem nesta altura porque sim, porque estão na mais perfeita das condições, porque não são compatíveis com tempos mais encalorados, porque defendem o consumidor...

Porque é a sua publicidade tão agressiva e omnipresente? Porque raio é este bombom de aspecto fatela, com o embrulho douradinho e novo-pobre, uma obrigatoriedade de consumo? E porque tanta gente diz que gosta quando, na verdade, não o suporta? E porque é que só se faz publicidade a este, esquecendo-se o seu mano menos mau, que até tem álcool e tudo?

As plásticas embalagens do produto, talvez por apresentarem um preço não muito elevado, têm ainda um outro papel na nossa vida: destronaram as peúgas brancas oferecidas pela avó na altura das festividades. Natais houve que vi, incrédulo, alguém oferecer dezenas de embalagens idênticas a todos os presentes. E sabem que mais? Também as levou de troca, como se de comércio directo se tratasse.

Ora se alguém oferece 12 caixas e recebe outra dúzia, não vai ter tempo de consumi-las até ao Verão. Mais a mais porque, secretamente, não as gosta. Sendo assim, ou se arma em alarve e come tudo para não deitá-las fora, com a consequente indisposição e aumento de colesterol e triglicerídios,  ou arruma-as na prateleira mais acima e esquece-as até à limpeza semestral.
Quando as redescobre, apercebe-se, cheia de calor e afrontamentos e no meio do pó levantado, que, afinal, estes bombons retêm o mesmo aspecto e, quiçá, o mesmo sabor. Conheço quem experimentou e garanto que não pereceu.

Portanto, a questão da sazonalidade poderá ser... falsa! Ou seja, publicidade enganosa. Uma falcatrua das antigas.

Só acredita quem quer.

O meu trabalho, que acorda uma dúvida no consumidor, está, assim e aqui, feito. Um simples alerta para esta verdade e que esconde um singelo pedido: não me ofereçam isso no próximo Natal. Lixo em casa já eu tenho... muito.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

De mão em mão e de boca em boca até ao regresso.



Há qualquer coisa de muito estranho no manuseamento de tupperwares. Quem de nós já não comprou, ou recebeu de oferta, um conjunto dessas fantásticas caixinhas plásticas, multicolores e com tampas simples, com ou sem ventilação?
Quantos de nós já não as usou e reutilizou vezes sem conta, confiando-lhes o preparo gastronómico que sobrou da refeição? E onde guardamos as fatias de flamengo ou fiambre? E a sopa da mamã? E tantos etc.

Os tupperwares são um ajudante de campo, um braço direito sempre às ordens. São divertidos, funcionais e têm dimensões que nos facilitam a sua arrumação ao lado ou no topo de outros que contêm restos da nossa vida alimentar.

Sendo assim, porque não os tratamos com o máximo respeito e carinho? Porque carga de água os emprestamos à visita que comerá parte das sobras do jantar de hoje, que tanto agradeceu e comentou, ao almoço de amanhã?
Porque é que os entregamos às cegas, confiando que um dia, o mais depressa possível, regressarão ao nosso lar para reconquistar o seu lugar de direito no armário junto ao fogão?

A questão obrigatória impõe-se: sabem onde estão as dezenas de tupperwares que emprestaram ao longo da vida? E de quem são aqueles dois que temos para ali arrumados? E estes, que a mãe jura que são nossos e a que já nos fartámos de responder que nunca na vida compraríamos caixas com desenhos e florezinhas estampadas...

Não vale a pena.
Os tupperwares são como os isqueiros Bic. São nossos, dos amigos, dos familiares. São de toda a gente, não pertencem a ninguém. Visitam casas e vidas. Estão aqui e ali durante um tempo, nunca muito longo, e desaparecem da nossa vista para sempre.

De vez em quando, e com muita sorte, redescobrimos o Bic esquecido ou guardado longe da nossa vista, numa segunda e muito próxima visita. E o que fazemos? Escondemo-lo imediatamente no nosso bolso, com vergonha de sermos apanhados, como se estivéssemos a roubar o pertence de outrem.

Saímos com um misto de vergonha e conquista, apalpando a algibeira onde está resguardado o isqueiro. Mas, lá no fundo no fundo, o que queremos mesmo é apanhar adormecidos os donos da casa, e assaltar o armário junto ao fogão, para escolher, um a um, os 14 tupperwares que lhes fomos emprestando ao longo de uma década de jantaradas.

Isso sim, o seu a seu dono.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A Hip...nose em tons rosa e azul



Uma palavrita com duas letritas, pode esconder um sem número de significados.
Há, portanto, que ter algum cuidado na sua utilização.
Vou dar um exemplo: “Pó”.

Ora o pó pode dar um trabalhão a quem lhe é alérgico, pois não é de fácil remoção e ainda por cima está minado por esse bicho asqueroso que é o ácaro.
Este tipo de pó faz mal à saúde, causa alergias e espirros, inflamações no nariz, garganta e brônquios. É nefasto para os asmáticos e para os mais jovens e seniores entre nós.

Por outro lado, temos outro tipo de pó que geralmente alcunha substâncias que alteram o comportamento psíquico e físico de quem o absorve. Os mais incautos chamam-lhe droga, mas há quem saiba diferenciar o pó da droga mais comum, ao pó de anjo, denominado por acaso de PCP. Este último parece o que não é. Por exemplo, os efeitos que se procuram, alucinações tipo LSD, não passam de uma cópia mal feita, tipo daquelas de Sacavém. Mas o frenesim é semelhante a muitas outras drogas, como o rubor facial, o suor profundo, o maldito formigueiro nas extremidades e a perda de coordenação. Não é, concordemos, a melhor figura que poderemos fazer.

Mas existe um outro pó mais nefasto, horrendo e que nos exige a imediata contra-acção, seja através de posts no facebook (causas, alertas, pedidos), o passa-palavra, até cartas ao Provedor.
É o PÓ...POTA! Dois pós numa palavra de três sílabas!
Um pó que junta todos os problemas enunciados nos dois acima, mas com agravantes:
O Popota cria erupções cutâneas, calvice nervosa. Provoca surdez e perda de razão. Acorda-nos os abafados sentidos guerreiros e um justificado aumento de adrenalina.
Este maldito bicho, ou bicha, ataca-nos no final de cada ano. É vendido nas mais variadas cores, mas tem como principais a rosa e o azul turquesa, o que sugere alterações químicas bem conhecidas de outras décadas.
Enquanto nos hip...notiza como sendo um produto infanto-juvenil, balanceia as suas redondas formas ao som de uma das mais temíveis músicas do século passado, que teve o título “daddy cool”.

Não brinquemos... vestes ousadas, ancas bamboleantes, poses sensuais misturadas com um tema que alerta qualquer encarregado de educação, mas alterado para "pó... popopota, pó...popopota" em vez de "daddy...daddycool, daddy...daddycool", é, talvez, o exercício mais pornográfico que existe e que passa nos nossos ecrãs às horas em que os petizes estão a ver Tv.

E, depois, queixemo-nos que eles querem viver a vida o mais rápida e urgentemente possível...
Tenham pó... aliás, dó!


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A sopa de cavalo dado, não se olha o dente de leite.



Com o aumento previsto do IVA para uns inacreditáveis 23% em alguns produtos de primeira necessidade, resta-nos sentar e fazer contas à vidinha (isso de ter uma vida já foi chão que deu uvas).
De todas as medidas, uma há que exaspera jovens, adultos e idosos, que é o badalado aumento do leite com chocolate, essa mistura catita que tonifica a alma e presenteia o palato com muito Vigor. É, resumidamente, uma bebida Mimosa.
A situação é ainda mais anedótica quando sabemos que o vinho continuará a pagar os mesmos 13% de IVA, não sofrendo qualquer alteração no seu corpo e cor.
Ora esta situação leva-me a tempos idos, da outra senhora, altura em que a nação era pobre e inculta e em que se proferiam palavras que tinham muito peso, como honra, honestidade, ultramar e, até mesmo, mocidade portuguesa.
Nessa mesma altura, era proibida a venda e consumo de coca-cola, por exemplo.
Raio de tempos esses, em que uma criança era obrigada a tomar um pequeno-almoço denominado “sopa de cavalo cansado” para ir quentinha para a escola, calcorreando dezenas de quilómetros ao frio e relento, de madrugada, para depois ter de fazer todo o percurso inverso até casa e ainda ajudar na lida da mesma.
Todos nós criticamos essa mistura venenosa e que fazia mal aos petizes, pois a sopa de cavalo cansado consistia em pão demolhado em vinho tinto, algo que se pensava fortificante. E, hoje, nenhum pai ou mãe ousa sequer pensar nessa solução matinal para o seu próprio filho.
Mas os tempos mudam, o governo mantém-se, e o IVA dispara.
O leite com chocolate ficará arredado do cabaz mensal de uma família média, e ao ritmo a que as escolas fecham por todo o pais, principalmente onde mais fazem falta, chegamos a uma simples conclusão:
Andámos meio século para trás! E isto quando já estávamos atrasados 25 anos em relação à Europa. Portanto, são 75 anos a marcar passo.
Amanhã, os petizes sairão de casa com a barriguita bem cheia de tintol (13% de IVA) e percorrerão dezenas de km para chegar à escola (+ de 700 fechadas este ano).
Ah.... mas transportarão um peso acrescido: chamam-lhe Magalhães. 
Viva o pro... Gresso.


PS: TALVEZ DEVIDO A ESTE ESCRITO, O GOVERNO DECIDIU NÃO AUMENTAR O IVA NO LEITE ACHOCOLATADO.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

sexo



Num dos principais fóruns de think tanks portugueses, um que ainda exige convite para se entrar, está uma gentil rapariga a questionar “o que dizer ou fazer para que os seus posts tenham muitas visitas”.
De início pensei que era um truque para apanhar os mais afoitos numa qualquer teia. Esperei então pelas respostas. Nada. Depois pensei, como a resposta é lógica demais, que todos os membros do clube a sabem bem e não entendem como é que uma donzela pode ser tão ingénua. E acho que é por aqui.
Ao fim de tantos anos nestas andanças da net e dos fóruns e quejandos, todos sabemos que um título para ser famoso, e por conseguinte ser clicado vezes sem conta, tem de conter a palavra sexo. “Sex sells”! E sai reforçado se o autor for do género F.  Sexo escrito por uma donzela é quase sempre sinónimo de um velado convite para se entrar num quarto escuro, onde tudo poderá ser possível, onde os desejos e algumas taras poderão ser correspondidos.
Logicamente que, e dependendo dos canais, o sucesso de um escrito deste género pode conhecer tanta fama que promova a autora a escritora imediata, ou apresentadora de programas televisivos, ou reputada ensaísta ou, ainda, cronista da praça. Vejam-se os vários casos de blogues que passaram a livros, para citar um exemplo. Portanto, há quem pense que é um caminho rápido para subir a escada da fama, sem passar pela meta e receber dois mil escudos (sim, tenho uma versão antiga do Monopólio). Mas essa conclusão é errada.
Tal como afirmámos que era impossível a televisão descer mais baixo após o “big brother”, fomos logo açoitados pelo “bar da tv”, o Mendes como líder contínuo de audiências e demais exemplos que magoa relembrar. E o que temos hoje? A “casa dos segredos” e o tal programa da Fátima que paga as dívidas dos coitados que se prestam à humilhação pública.... mas com um sorriso galhardo na face.
Com o sexo passa-se a mesma coisa: se tivemos um “na cama com” a Alexandra, depois outro de que não me lembro do título com aquela fulana que casa e descasa como eu troco de t-shirt, agora somos confrontados com especiais sérios que relatam os malefícios de uma vida dedicada à actividade sexual, a Sic Radical a mostrar-nos tudo, mas mesmo tudo, antes da meia noite, criticas aos lançamentos (e conteúdo) de títulos em DVD que uma rapariga faz no canal Q, ou o Malato a questionar um jovem católico se existem raparigas que se prostituem por prazer. Ou seja, nunca o sexo desceu tão baixo (evitem relacionar esta frase com o que vos vai na cabeça).
Portanto, se hoje uma senhora quiser escrever ou falar abertamente sobre a causa, será obrigada a encontrar novas soluções para se destacar da concorrência, que é feroz e contínua. Os canais estão abertos, as portas escancaradas. Andamos num vaivém contínuo em busca do santo graal, sabemos tudo sobre o clitóris, prepúcio ou escroto, o bondage é aceite assim como o swing. Então como se destacar das demais?
O meu conselho é simples: keep it clean and simple! Ou seja, escreva no título do post apenas a palavra “Sexo”. Verá, gentil donzela, que muitos lhe irão clicar.
Veja o que vai acontecer com as visitas a este...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Os dramas de um escritor no Séc. XXI



Como muitos outros que passaram ao lado de uma carreira artística, também cheguei à idade em que posso tentar ser escritor. Será a última das artes performativas e solitárias, a par da escultura e pintura, em que um cidadão menos jovem pode ainda ousar ser uma criança.
O mais engraçado nesta conclusão, é que sempre fui rodeado por sinais que me indicavam este caminho. Aos 20 queria fazer filmes mas era jornalista, aos 30 fui músico mas também copywriter. Ou seja, sempre que tentei uma outra arte, com ou sem sucesso, estava paralelamente com os dedos ocupados a pressionar teclas alfanuméricas. E reparem que até tentei enganar o destino, pois as outras teclas dos vários teclados que usei, eram pretas e brancas, tal e qual as teclas brancas de um teclado de escrita com inscrições a preto. 
Comecei com pesadas, e de ferro, máquinas de escrever, ainda com teclado Hcesar. Talvez seja devido à enorme força com que se tinha de pressionar uma “letra”, que ainda hoje só escrevo com os indicadores: é que o impulso e movimento rápido necessários, quase que se assemelhavam ao lançamento de uma bola de baseball.
Uma das minhas grandes alegrias foi quando paguei, com muitos contos de réis, a minha primeira máquina de escrever electrónica. As teclas já eram suaves e podia escrever uma ou duas linhas na memória embutida, revendo os erros num pequeníssimo ecrã lcd, antes de dar a ordem para impressão na folha de papel.
Fui feliz e, confesso, muito mais rápido. E também deixei de gastar corrector.
Os tempos foram mudando a tecnologia e, como sabemos, os computadores vieram tomar o lugar dessas maquinetas fantásticas que tanta obra-prima deram a ler. Contudo, muitos escritores preferem escrever à mão, enquanto outros se recusam a trocar a sua centenária máquina de escrever, pela facilidade de um computador.
Como os compreendo...
Passo a explicar:
Hoje acordei ao meio da manhã. Duche e pequeno almoço. Subi o andar para o escritório. Liguei o computador e sentei-me defronte. Chequei os emails e respondi a vários, liguei o Facebook e escrevi uns posts, li as notícias no iGoogle, liguei o Linkedin para aceitar mais uma amizade profissional e respondi às mensagens do The Star Tracker. Num repente, chegou a hora de almoço. Regressado do tasco vizinho, respondi aos emails que tinham respondido aos meus. Re-consultei o FB antes de escrevinhar um slogan e um texto para um anúncio de um cliente. Um amigo nos Estados Unidos ligou-me pelo Skype e ficámos na conversa durante uns largos minutos. Logo de seguida, o telefone tocou: o agente literário perguntava pelos seguintes capítulos. Respondi-lhe que ainda os enviaria hoje. Abri a página em branco do Word mas nada me vinha à cabeça e decidi não stressar, jogando um solitário no computador. Reabri o Word, continuava branco. Vi um episódio de um seriado preferido que tinha acabado de "chegar". Chequei novamente os emails, o FB, o Linkedin e o TST.
Num repente, fez-se luz! Tinha a ideia para terminar mais um capítulo.
Já não temia o cursor a piscar na folha de texto e, quando apontei os dois indicadores ao teclado, a electricidade foi cort...

domingo, 31 de outubro de 2010

A casa dos gordos que escondem magros segredos



Confesso, e porque tenho uns quilos a mais, dou por mim a ver os episódios dessa telenovela desagradável à vista que é o “The Biggest Looser”. Talvez seja para me sentir melhor na minha pele, pois não sou assim tão vasto, ou para tentar auto-convencer-me que preciso de dieta e ginástica afim de garantir resultados semelhantes.
Estes participantes escondem um segredo: é que odeiam ser gordos, por muito que sejam simpáticos e bem dispostos e que mimem os adversários com profundas declarações de amor, aquando a expulsão de um deles.
Num outro continente, está a decorrer uma telenovela cujos participantes também escondem segredos. Intitulada “A casa dos segredos”, estes são em tudo diferentes dos anteriores, pois em vez de exibirem banha, mostram músculos e tatuagens.
Nada podia ser tão diferente, mas os dois programas/concursos têm um factor comum: todos os intervenientes surgem em trajes menores que exibem a maior parte possível de pele e carne. Mas as coincidências não se ficam por aqui. Em ambos os shows televisivos, a carne que se nos apresenta é ...para canhão.
Os segredos, as manhas, as vigarices e os esquemas, fazem parte dos dois jogos, só que chamam-lhe “estratégia”.
Portanto, malta semi-nua, gorda ou musculada, são os novos estrategas ao Serão, que nos ensinam golpes baixos, sujos, mesquinhos e traiçoeiros, tudo em busca de um prémio monetário na precisa altura em que o dinheiro não abunda em lado algum.
Podemos olhar para os programas e decidir que um é menos mau que o outro. Eu já decidi! Perdi uns 15 minutos a assistir a vários segmentos da casa que esconde segredos, mas continuo a ver, quando me lembro, o programa em que se filma o esforço físico e psicológico. A razão é simples: é que enquanto estes portugueses farão sempre parte da escória e mete nojo da nação, os americanos vão deixar de sê-lo, pois passarão de sapos a príncipes e princesas. 
E, convenhamos, sabemos bem o que chamar aos intervenientes do programa da Júlia, e nunca será um epíteto nobre.

sábado, 30 de outubro de 2010

Acordar um acordo acordado pelo desacordo


Há pessoas que concordam e outras que acordam.
As concordantes são, geralmente, as que mais discordam de tudo o que não seja a sua opinião, vontade ou objectivo. As que acordam são as que estão, muitas e demasiadas vezes, adormecidas. No caso das primeiras, chegar a uma concordância implica cedência. Já para as segundas, o acordar dá-se, invariavelmente, tarde. E nem a cafeína ajuda.
Enquanto que o primeiro grupo se desfaz em acusações, avanços, recuos, mudanças e assinaturas, o segundo mantém-se mudo, quedo e só quer mesmo, na maior parte dos casos, voltar a adormecer.
O mundo seria mais justo se todos concordassem e chegassem a conclusões satisfatórias e positivas. Tenho a certeza que, se tal acontecesse, os adormecidos olhariam o novo dia sem ramelas, mas com vigor e vontade, destreza e novas capacidades.
O objectivo pode ser geral, mas parte sempre de uma noção particular. Se calhar, já é tarde para acordar. Mesmo depois de alguns concordarem que esse não é o melhor estado para se sobreviver. Mas de estado em ...estado, todos, sem excepção, vão adormecendo quem estava acordado porque, e sejamos sinceros, nenhum discorda que um outro, que luta contra a sonolência, lhe pode ser nefasto.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O GPS esconde um director de campanha política




Tenho para mim que o GPS, esse aparelhómetro que ajuda pessoas como eu, eterno alfacinha que se perde quando chega à Amadora ou tem de ir a reuniões na Quinta da Fonte e think tanks similares, é um instrumento politico que nos apela ao sentido e obrigação cívica de escolher um dos lados do espectro político-partidário nacional.
Durante uma viagem, somos constantemente agredidos, por uma voz masculina ou feminina, para virar à esquerda ou à direita. Podemos seguir em frente durante um bom bocado, mas inevitavelmente, seremos obrigados a escolher um lado daí a uns centenas de metros ou quilómetros.
Se já não é fácil guiar num país que tem os maiores pilotos do mundo de estrada, para já não falar dos taxistas e de ambulâncias desgovernadas e, nunca esquecendo, peões kamikaze, pombos adormecidos e cães e gatos desorientados, ter uma voz alarmista que nos obriga a virar na próxima saída a 200 metros para um dos lados sem ter a noção do perigo e risco que essa manobra implica, é no mínimo, um completo e profundo exame às nossas capacidades psico-motoras.
Naturalmente, o software português que vem de origem nos GPS, conta com a nossa arte do desenrascanço. E este mesmo software foi a escolha de outros países, como a Turquia, Índia, Grécia e partes da Itália, quando perceberam que os condutores aumentam o volume do auto-rádio para abafar as ordens da maquineta, pois é uma vergonha para qualquer macho receber instruções e direcções, mas que, mesmo assim, ainda os ajuda muito de vez em quando.
Se fizermos o paralelismo para com os governantes, também o português médio escolhe a TSF para o ajudar a passar o tempo perdido nas filas de trânsito. Vai, assim, ouvindo as notícias sobre mais medidas impopulares e as repetidas entrevistas aos candidatos a qualquer cargo público, que se misturam com as tais ordens de viragem à esquerda ou direita. Podia ser confuso, mas não é. O português é teimoso e sabe a direcção que deve tomar, independentemente se for ou não a melhor para o resto dos condutores, passageiros ou restante população. E mesmo se a voz repetir que tem de voltar para trás logo que possível, ele está-se borrifando. Só lhe interessa o seu percurso e a sua noção do que é verdade. Que se dane se é melhor virar para um dos lados para chegar mais depressa a uma solução, leia-se destino. Se ele decidiu desde pequenino que vai virar à esquerda, virará sempre à esquerda, mesmo que o GPS lhe diga e repita que pela direita é o caminho mais acertado. O problema são as rotundas...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Manual de etiqueta em como ser-se bom vizinho



Vizinhos barulhentos...
Eu tenho.
São vários dentro de uma casa que de pequena nada tem.
Poderiam escolher uma das múltiplas divisões para gritarem uns com os outros. Mas não.
Escolheram a janela mais próxima da minha varanda para sala de estar, onde reuniram todos os apetrechos modernos: Televisor, Playstation e Singbox, Computador e colunas, etc.
Todos os dias, pelas 18h, dá-se início a um festival rocambolesco e histérico. Geralmente dura duas horas, até a telenovela começar, ou outro qualquer programa de teor mais popular.
Esta família conta com a sogra, o marido escanzelado, a mulher e mãe que deve ter sido catita antes de ter casado e parido, e três fedelhos.
São os fedelhos que fazem barulho. O mais velho, que saiu à avó, sugere não ter a totalidade da capacidade intelectual. Mas quando oiço as conversas no messenger, ao máximo que as colunas suportam, percebo que é somente muito parvo. Este é quem mais grita. Sobre tudo, futebol, jogos de computador, porque não gosta da comida, não gosta da escola, não gosta dos professores, enfim. Só gosta, e muito, do Sport Lisboa e Benfica.  Aliás, o momento glorioso da sua vidinha é um jogo transmitido pela Tv. Aí, pasme-se, faz-se um silêncio sepulcral naquela habitação.
No meio está outro fedelho. Saiu ao pai, de tão franzino e irritadiço. Já está de mal com a vida e ainda não concluiu a primeira década. É este que absorve mais de metade dos watts difundidos pelo mano. E ficar surdo não lhe vai servir de nada, pois também deverá ficar desfigurado, já que, de vez em quando, lhe é atirada qualquer coisa dura. E algumas fazem um som surdo, nada quebradiço como um vidro no chão, seguido pela choradeira que abafa qualquer apito de comboio ou alarme para evacuação de uma fábrica.
Os diálogos entre os manos são incompreensíveis. Comunicam por gritos, uns mais prolongados (como a raiva e o choro), outros mais incisivos (ordens, calão).
Nunca, mas mesmo nunca, lhes ouvi uma conversa.
Os pais só encontram forças para tentar calá-los, quando se apercebem da minha presença na varanda, fumando um cigarro ou tentando apreciar o meu rio. Mas tenho de estar lá fora! Convenhamos que, quando chove ou faz frio, não é agradável e eles também não olham para fora, portanto, a gritaria continua.
No fim da tabela está a coitada da catraia. Saiu à mãe. Não lhe oiço a voz nem lhe vejo o tímido sorriso quando me encontra na rua. Mas, porque há sempre um mas, faz-se ouvir a alto e bom som das 18h às 19h, através do sistema de karaoke e das colunas acima referidas, que conseguem, inacreditavelmente, piorar o som das músicas da Floribela, distorcidas nos graves e médios. A júnior canta com toda a força. Já conhece as letras de fio a pavio, gosta de repetir os temas e não parece, nem ninguém da alcateia, importar-se com o inaudível som da distorção.
Todos nós temos vizinhos.
E estes têm um rafeiro de porte médio.
E o que é que os cães fazem? Imitam os donos. É ou não é?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A extraordinária arte da escolha no acto da compra.



É cada vez mais complicado viver neste mundo digitalmente moderno.
Se ainda ontem telefonávamos uns para os outros através de um aparelho pesado, preto e com 10 buracos numa circunferência móvel, hoje...

- Boa tarde, quero comprar um telemóvel!
- Muito bem, caro cliente. Tem alguma necessidade específica?
- Sim, telefonar...
- Posso indicar-lhe um modelo com sistema operativo Android?
- Pode.
- Ora aqui está um, mas vai na versão 2.1. A 2.2 está mesmo a saír.
- E por aí adiante, não é?
- Sim. Pode também optar pelo sistema proprietário da Blackberry.
- Mhhhh...
- Ou então os Nokia. Eles usam um sistema também próprio, o Symbian.
- Não gosto de Nokias.
- Pode então esperar um mês, pois vão ser lançados terminais com o Windows 7?
- Tive um com Windows 6.1 e não gostei.
- Pode sempre escolher um iPhone, é fantástico e totalmente diferente.
- Não pago 1000 euros por um telemóvel....
- Bom, tem todos os outros disponíveis, com interfaces de cada marca, uns touch, outros com teclado qwerty ou muitos outros mais simples. Temos também terminais com dois cartões sim, uns musicais, outros com grandes aptidões fotográficas...
- Olhe, vou pensar. Obrigado.

Fora da loja, retirei o actual do bolso. Olhei-o bem. Ainda é bonito, tem um ano. Possui leitor de música, câmara fotográfica, AGPS, Wifi, Bluetooth...
Mas porque carga de água entrei no estabelecimento?