segunda-feira, 3 de agosto de 2009

setenta

Não compreendo como se desculpa a silly season. Na época em que tinha empregador e até horas extraordinárias, escolhia sempre o Agosto para ficar em Lisboa, minha terra querida e de regresso para mim e conterrâneos durante 30 dias. Empreguei bem este tempo, tendo acumulado funções de colegas que se iam, aproveitando o parco trabalho para fazê-lo como mestria e assim subir a pulso nessa multinacional, pois e apenas, dava nas vistas. Tão simplex.
Como eu outros amigos o fizeram e em poucos anos subimos aos cargos mais desejados. Gostavamos de discutir esta nossa política em restaurantes vazios de barulho e com serviço mais esmerado, embalados pela curva ascendente e mais-valias resultantes.
Passaram alguns anos e juntámo-nos novamente esta semana quando percebemos que mais uma vez seríamos nós a ficar na capital. Em anos de vacas magras e sem empregadores, discutimos as tristezas das nossas empresas pessoais e sociais, o fundo do túnel com a lâmpada fundida, a viragem à direita do próximo governo, a luta infantil pela CML, as futuras apostas em mercados estrangeiros como opção não de mercado mas de vida.
Dos seis ex-rapazolas garbosos e donos do mundo, estavam cinco homens tristonhos e cansados. Um já foi para Angola, dois vão rumar também para África e outro para o norte europeu. Os dois que restam estão demasiado agarrados a um ex-luxo que custa muito suor e insónias.
Aqui não se vive, sobrevive-se e não sei porquê, tenho a sensação que estes dois foram pensar muito bem sobre o futuro próximo para as suas vidas e não me admiraria que também eles optem pela emigração.
É assim que Portugal trata toda uma geração que apostou forte no seu país para agora estar com a corda na garganta. E é assim que vai perder, talvez, a última geração que ainda teve coragem e determinação para empreender um futuro.
Mesmo com horas extraordinárias sem serem pagas.

8 comentários:

Reflexos disse...

Pois é, amigo. Já não são só as estrelas de cinemas que caem no esquecimento!

Tanto litro dado, tanto suor não pago e é isto. Infelizmente vo^cês são 6 entre um seis seguido de um número de 6 pouco desej´VEL!

Quase nos 50 disse...

Percebo a mensagem mas sejamos francos: não foi por amor à camisola que ficou a trabalhar em Agosto.
Tinha objectivos e sobretudo percebeu como alcançá-los.
Se agora os tempos são outros e muitos vão para Angola ...pois.
Existem muitos motivos para "mudar" para Angola.
Do mesmo modo que muito bom angolano compra acções do BCP e do BPI.....
Nada de coitadices que quem ruma a algum lado sabe porque e ao que vai!
Se calhar os que ficam é que são os coitados.
Desculpe a franqueza mas quase diariamente oiço essa cantiga dum amigo meu e sei bem o que o move e a algumas pessoas.
Um abraço

volteface.book disse...

Reflexos, não entendi :)

volteface.book disse...

Quase nos 50, atenção atenção :) Não disse que se ia para Angola à procura da fortuna fácil, mas sim para África. O único que pensou em Angola já lá está. Os restantes falam muito de Moçambique e é para lá que se pensa ir. Ou seja, este grupo com a idade que tem só pensa em ir para não mais regressar. Há uma grande diferença, não é?

Reflexos disse...

Pois, quando estamos no auge sentimo-nos autenticas estrelas e quando damos conta, aliás sem dar conta... caímos...

volteface.book disse...

É a lei da vida. Mas o que interessa é termos forças para recomeçar uma e outra vez, as que sejam necessárias.

Quase nos 50 disse...

Bem eu África só mesmo de férias e olha lá, a experiência de cabo verde bastou-me.
Recomeçar noutro lugar é sempre uma opção arriscada mas custa-me a a creditar que alguém queira recomeçar em África....se os africanos se piram de lá assim que podem( basta olhar a quantidade que costuma estacionar ali para os lados do calvário, junto à embaixada!)
Mas o mais importante é ter-se a oportunidade de recomeçar, a coragem para deixar tudo e partir.
Um abraço
;-)

volteface.book disse...

Quase nos 50, pelo que se discute quase em surdina, África é neste momento um dos princiºais destinos para quem quer recomeçar. Ainda existem alguns valores que se perderam por cá, felizmente para quem vai daqui as condições podem ser boas e depois há uma questão fundamental: a paz de espirito e o não-stress quotidiano.