segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Um doce que vem com o frio mas que aquece quem não o quer.



Tenho para mim que os doces são guloseimas que, na medida certa, fazem um bem danado à alma, ao mesmo tempo que alimentam os sentidos e acalmam um certo tipo de urgências.

Também sou homem para gostar de comer um chocolate de vez em quando, mas prefiro gelados. Adoro gelados, de qualquer tipo ou marca, vindos em pacote, com pauzinho ou bolacha. Bombons é que dispenso. E afasto-me de alguns que só surgem na pré-época natalícia. É que não confio na pretensa sazonalidade.

Passo a explicar: se posso comprar e comer um chocolate em qualquer altura do dia ou do ano, porque raio existe uma marca que coloca dois dos seus produtos à venda apenas nesta altura? E, para além de repetir o conceito já gasto do Ambrósio até à exaustão, massacra-me com a mensagem de que só surgem nesta altura porque sim, porque estão na mais perfeita das condições, porque não são compatíveis com tempos mais encalorados, porque defendem o consumidor...

Porque é a sua publicidade tão agressiva e omnipresente? Porque raio é este bombom de aspecto fatela, com o embrulho douradinho e novo-pobre, uma obrigatoriedade de consumo? E porque tanta gente diz que gosta quando, na verdade, não o suporta? E porque é que só se faz publicidade a este, esquecendo-se o seu mano menos mau, que até tem álcool e tudo?

As plásticas embalagens do produto, talvez por apresentarem um preço não muito elevado, têm ainda um outro papel na nossa vida: destronaram as peúgas brancas oferecidas pela avó na altura das festividades. Natais houve que vi, incrédulo, alguém oferecer dezenas de embalagens idênticas a todos os presentes. E sabem que mais? Também as levou de troca, como se de comércio directo se tratasse.

Ora se alguém oferece 12 caixas e recebe outra dúzia, não vai ter tempo de consumi-las até ao Verão. Mais a mais porque, secretamente, não as gosta. Sendo assim, ou se arma em alarve e come tudo para não deitá-las fora, com a consequente indisposição e aumento de colesterol e triglicerídios,  ou arruma-as na prateleira mais acima e esquece-as até à limpeza semestral.
Quando as redescobre, apercebe-se, cheia de calor e afrontamentos e no meio do pó levantado, que, afinal, estes bombons retêm o mesmo aspecto e, quiçá, o mesmo sabor. Conheço quem experimentou e garanto que não pereceu.

Portanto, a questão da sazonalidade poderá ser... falsa! Ou seja, publicidade enganosa. Uma falcatrua das antigas.

Só acredita quem quer.

O meu trabalho, que acorda uma dúvida no consumidor, está, assim e aqui, feito. Um simples alerta para esta verdade e que esconde um singelo pedido: não me ofereçam isso no próximo Natal. Lixo em casa já eu tenho... muito.

11 comentários:

Dora disse...

Já tenho saudades de saborear um chocolate, confesso.

Ana Oliveira disse...

ainda bem que a publicidade enganosa existe.
olha que ela acaba? se tu te calas é o fim.....
podes sempre fazer como eu, não comes chocolates nem gelados e és amargo na mesma. ;)

JG disse...

Mas acusas-me de ser enganoso ou pouco doce?

Ana Oliveira disse...

enganosamente agri-doce.

JG disse...

mhhh...
Não sei se te safaste.
:)

Ana Oliveira disse...

lol. claro que me safei. docemente. lol.

JG disse...

Sei não, viu?
:)

redonda disse...

Bem, por acaso, costuma ser uma prenda de Natal que tenho oferecido bastante nos Natais passados (sobretudo quando não conheço suficientemente bem os gostos de a quem ofereço)...
vou ter de procurar outras marcas de chocolates...:(

JG disse...

Ele ainda há sombrinhas de chocolate da Favorita...

redonda disse...

:)

Anónimo disse...

Este bonbom é de facto o unico que é bom. Porque será?