terça-feira, 15 de setembro de 2009

oitenta e nove

Muito se fala sobre o papel da Mulher nos tempos modernos sempre e cada vez mais influenciado pelas revistas, televisões, opiniões, anúncios, ilusões, necessidades, obrigatoriedades, encantos, desalentos, paixões, desamores, paparazos, imagem e imagens, tradições, modernidades, sexo, subtilezas, praias, modas, magreza, idolos, amantes e um nunca acabar de provocações, promoções, festas, alarido, cor rosa e sonhos photoshopianos.
Depois o mundo realkombat ataca esta ilusão com o concreto, as formas, rugas, os descaídos, a idade, gordura, os papos, a tristeza, desilusão, combate, fúria, doenças, maternidade, emprego, cansaço, carreira, "domesticidade", pavor, medos, fobias e os receios de perder, esgotar e ser trocada por um modelo mais novo.
No meio disto tudo estão os homens. Uns parvos ao ponto de acreditarem e seguirem o primeiro formato, outros conscientes que o segundo também não é assim tão mau.
O problema é que os homens ficaram impávidos e serenos a assistir a este endeusamento de uma Mulher que não existe (ou existem poucas) de formas bellucianas, sorrisos foxianos, sensibilidades penelopianas, graciosidades Berryanas e inteligência thurmaniana ou, para conter tudo no mesmo saco, aliar um cruzar de pernas ao QI superior de um alien chamado Stone o que, convenhamos, é uma pedra!
Mas tudo estava bem, pois nós homens gostamos de afirmar que gostamos delas grandes ou médias, deles grandes ou redondos, carnudos ou sensuais, longos ou encaracolados, dela curta ou comprida, dele a ver-se ou escondido, de fio ou body, de odor 5 ou natural, peluda ou pelada, loura ou morena, verdes ou negros, azuis ou castanhos ou, para terminar, cinzentos como eu gosto.
Num repente, tudo mudou graças ao que explanei no primeiro parágrafo. Devido a Bekhams ou Ronaldos e afins, somos neste momento confrontados com a dura realidade do excesso de peso, de pelo, da falta de um dente, de um sorriso menos branco, de um cabelo ao natural ou da falta dele, da roupa de marca x, p t ou ó, da sapatonga, do perfume certo no lugar certo, da forma de estar, de não poder gostar de jogos e desportos tradicionais como o futebol e bilhar e ter que admirar golfe ou poker, de ter o carro da moda como se de uma jóia se tratasse, de Spas, lamas, massagens, ginásticas, de estar sempre impec num mundo de impecs.

O problema é que vejo as senhoras que recusam ser fantoches a admirar este novo mundo em que o homem passa, também ele, a ser um boneco insuflado e falso.
Por um lado há aquelas que desdenham o David ou o Cristiano, pois por muito bons que sejam, são uns cretinos da pior espécie. Por outro somos confrontados pela grande verdade: se mesmo eles que são das barracas conseguem, porque é que tu, ó cota acabado e sisudo, não consegues pelo menos abater essa barriga? Olha que estás aqui estás a ser trocado por um modelo mais novo.

6 comentários:

maria teresa disse...

Estereótipos.

Maria José disse...

Do 1 ao 89 num ápice.....
Do sorriso à gargalhada; Da ternura à comoção....

Sem palavras!!!

E se ao fim de 30 anos (números redondos, mas certos), ainda o consegues... não é obra... é talento!!!!!

Obrigada!

António Barbosa disse...

POR MAIS QUE RESISTAS NÃO HÁ NADA A FAZER. ÉS GENIAL.
PELA MINHA PARTE RESTA FICAR CALADINHO E APRENDER, COMO SEMPRE.
PARA QUEM TE LEVAR A SÉRIO SERÁS TÃO SOMENTE UMA ESPÉCIE DE EURO MILHÕES COM JACKPOT.
MIL OBRIGADOS POR SERES TÃO ESCLARECEDOR.

volteface.book disse...

Maria T, e nunca mais acabam...

volteface.book disse...

Maria José, ui... fiquei sem palavras agora. E foi preciso ter paciência, arre! Parabéns, ehehehe.

volteface.book disse...

António, ehlé...