quinta-feira, 30 de julho de 2009

sessenta e oito

Num país de grande nobreza e justiça, como o Portugal dos dias de hoje, é normal que me apeteça ser um autarca de uma cidade pequena ou vilória grande, como Felgueiras, Matosinhos, Maia, Leça, Figueira, Oeiras e tantas outras.
Como autarca poderia ajudar o clube da minha terra, oferecer electrodomésticos aos populares e até agraciar primos no estrangeiro com grandes somas de dinheiro.
Com outro dinheiro poderia dar novas rotundas, arranjos florais, um lar de terceira idade e embelezar umas quantas praças e avenidas para o povo revotar em mim.

É uma vida boa ser autarca neste país.
Melhor só mesmo ser dirigente futebolístico e autarca... paralelamente.

terça-feira, 28 de julho de 2009

sessenta e sete

Reparei que ofereci com o meu suor 1.000.000 de magalhães.
Estou com urticária e falta de ar.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

sessenta e seis

Sou padrinho de três jovens pessoas mas dou-me somente com duas, pois perdi o rasto à terceira e aos seus pais que rumaram para muito longe para se abrigarem da fúria a que se chama crise.
Senti-me bem quando fui convidado para apadrinhar estas três almas e prometi solenemente que, na falta dos pais, seria eu a indicar-lhes o caminho em frente.
Sinto-me bem neste papel e até orgulhoso. Não pelo convite, pois já demonstra a confiança que depositam em mim, mas pela atitude dos júniores que abrem um grande sorriso quando me reencontram sem olhar para as mãos em busca do presente mais especial.

É bom, sim senhor, e recomendo.

sessenta e cinco

Sou urbano, cosmopolita, olissiponense e adoro. Como eu, muitos amigos e amigas dessa teia denominada Facebook gostamos de sentir o pulsar da cidade e ficamos perdidos no meio de um qualquer campo.
Portanto, é curioso que toda a gente queira ser agricultor como se pode ver pelo imenso e crescente número que têm farmvilles e farmtowns. Uns até atinam e alguns são uma perfeita desgraça.
Esta vida moderna em que nos enfiamos nos computadores para fazer tudo o que se fazia sem eles há 20 anos atrás começa a demonstrar a insanidade de um mundo.
Mas até eu tenho uma quinta com bichos, árvores e culturas...

sessenta e quatro

Há por aí um blog de uma tal Margarida que se afirma virgem e faz gala nisso/disso. Esta miuda tem sido convidada para inúmeros shows televisivos, peças jornalísticas e uma promoção invulgar por gente que, acho, deixou de ser virgem há algum tempo.
De início achei piada à moça que tem a liberdade de dizer e defender o que quer nem que seja uma virtude que o vai deixar de ser brevemente. É conhecida e reconhecida na rua, recebe muito correio de raparigas que se julgavam sózinhas e até refila contra o hatemail com que é brindada.
Mas, e há sempre um mas, tudo muda quando percebo que a Margarida está a escrever um livro e que há um clube de virgens em que o acesso é vedado a todos os que o não são.
Algo está mal e vamos por partes.
O livro.
A moça escreve mal que se farta e os erros são uma constante na sua sebenta digital; contudo alguma editora apostou na sua verdade e dará ao mundo mais uma nobre escritora que vai fazer-nos reflectir sobre a justeza de ser editada ao invés do hímen que é retratado.
O clube a que chama Forum Privado.
Eu sempre lutei para ser indiferente à diferença mas esta moça alimenta-a de forma gratuita como se fosse uma qualquer brincadeira de mau gosto. Mas o que é mesmo muito mau (e o que me fez escrever este post) é saudar quem visita o blog com um espantoso e pouco comum "Olá pessoal do bem ;)" e isto sim é demoníaco.
Vou escusar-me a tecer comentários sobre a virgindade. Cada qual é livre de viver a sua intimidade da forma que deseja. Mas a minha liberdade acaba onde começa a dos outros (sim, o Direito e a sua esfera jurídica) e encontrei nesta existência Margaridesca um desconforto que não deveria sentir.

E sinto-me, vá lá, desflorado.


blog virgem

sexta-feira, 24 de julho de 2009

sessenta e três

Há homens que precisam mesmo de uma grande mulher a seu lado. Confesso ser um e não é difícil entender as razões e os porquês. Muito resumidamente, sou daqueles fulanos que não aprende com os erros. Assusto-me, mudo um hábito ou mania, mas não aprendo a lição continuando a ser tão fiel a mim e às minhas manias que até enjoa.
Já tive algumas vezes a oportunidade de resolver situações que depois continuam a ser problemas. Se bem que não tenho a solução, tenho a enxada o que já não é nada mau. Mas lá continuo no meu torpor à espera de melhores dias, queixando-me ao sol e à lua e tentando explicar-me que, afinal, não serei feito do mesmo calibre de alguns homens que fazem acontecer o impossível.
Também tive mulheres que eram grandes à sua maneira, mas perseguiam tanto os seus fantasmas que não tinham tempo - nem paciência - para serem a grande mulher por trás de um homem como eu. Se calhar nunca lhes pedi mas, lá está, também acho que é uma coisa que não se pede. Adivinha-se.

Recentemente tive a fortuna de ser escolhido por uma nova mulher, numa altura que pensava que tal já não fosse possível, o que acontece sempre quando se está de ressaca de uma longa relação.
Esta mulher não sabe que eu tenho este blog. Mesmo se soubesse creio que nunca o visitaria, pois é daquelas pessoas que respeita o mundo de outrém e que esse, por vezes, é privado.
Esta belíssima mulher já demonstrou que é a tal Mulher que um homem como eu precisa durante a sua vida.

Sou um sortudo, eu sei.

É-me difícil não pensar nela a cada minuto, de querer estar com ela, de poder mimá-la até conseguir combater as dúvidas que ainda tem em relação à minha permanência na sua vida.

Nunca fui muito bom a declarar o amor, apenas satisfação e bem estar.
Mas já lhe disse que ela deveria ter entrado na minha vida há 25 anos atrás, quando tudo era possível inclusivé mudar o mundo.
Agora o meu vai mudar por ela. E com ela.

E não sei o que mais acrescentar.

sessenta e dois

Ontem acordei a pensar que era sexta feira e não fiquei muito satisfeito por ganhar mais um dia na vida. Não fiquei porque não percebo muito bem como é que saltei um dia, pois não bebi, não fiz directa... apenas fiz o que um homem faz com bastante gana e vontade, felizmente recíproca.
Hoje acordei e quase que me ia acontecendo a mesma coisa, será sexta ou sábado?
Mas o que raio é que se está a passar?

quinta-feira, 23 de julho de 2009

sessenta e um

Não costumo escrever sobre gadgets e novidades tecnológicas pois há outros e muito bons locais para se saberem as últimas propostas. Contudo, este Natal vai trazer alguma nostalgia/alegria para tipos como eu - e para a maior parte dos homens nascidos antes dos telemóveis - no regresso do temível e fascinante cubo de Rubik.
Confesso que tive um e sim, acabei-o. Depois guardei-o em cima de uma prateleira para todas as visitas admirarem o quanto eu era inteligente e perspicaz e deu-me um colapso quando o descobri todo remexido e ainda hoje estou a tentar saber quem foi para lhe aplicar castigo condigno.

Tudo isto para dizer que está quase a chegar o novo cubo de Rubik redenominado Rubik's TouchCube. Claro que hoje em dia é tudo touch para aqui touch para acoli, mas este vai ser um novo vício para muito boa gente. Ora espreitem o videotubo.

Rubik'sTouchCube

sessenta

Acabei de visitar uns 10 blogs só para me alhear da limpeza de Verão que tenho que fazer.
Não resultou.

cinquenta e nove

As conversas são como as cerejas e há aquelas que convém anotar no moleskine ou qualquer outra sebenta para mais tarde recordar. Esta passou-se há pouco tempo com três convivas a saborearem um bacalhau perfeito ali para os lados de Xabregas. Falava-se de escritores e escritos, poetas e inventores, poemas e invenções e depois passou-se para a muito natural parvoíce.
O tema foi a cegueira parcial do nosso muy nobre Luiz Vaz De. É que ao fim e ao cabo ninguém sabe mesmo como ele vazou o olho. Após mais um digestivo, chegámos a estas cinco hipóteses:

uma - Ah, foi numa batalha e tal.
duas - Enquanto agarrava os escritos com uma mão e nadava com o outro braço, veio uma gaivota e comeu-lhe o olho.
três - Desmaiou no alto mar, veio um peixe e fez o que alguns humanos fazem a eles: chupou-lhe o olho.
quatro - foi uma prostituta genovesa com um stiletto. A coisa correu mal.
quinta - o diabo esfregou-lhe o olho.

Fui o autor da quarta e mantenho a minha noção.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

cinquenta e oito

Nós, homens, seremos sempre putos por vezes estúpidos, outras parvos e muitas idiotas chapados. Somos assim, não há mesmo nada a fazer. Mas o que nos dana é esse feminíssimo olhar embevecido com aquele sorriso magnético, olhar compenetrado, lábios húmidos, uma atenção graciosa e um risinho charmoso após cada piada dita, por vezes, sem graçola nenhuma.
Vocês alimentam essa nossa meninice, esse lado pouco ajuízado, essa forma de viver a vida ainda e sempre a pensar em tropelias, batatada, bicicletas e aventuras várias.
Depois de nos fazerem crer que até gostam de nós porque somos assim, são as primeiras a atirar a pedra quando já nos têm para todo, presumivelmente, o sempre.

É que não se compreende.

cinquenta e sete

Dias atrás uma jovem senhorita jurava a pés juntos que um homem vestido com um sobretudo em pleno Verão se tinha desnudado à sua frente mostrando-lhe as partes. A jovem estava ainda chocadíssima, mais a mais porque ainda tem uma relação mal resolvida com um apêndice que lhe vai mudar parte da vida. Veio inquirir-me sobre esta pouca vergonha a que, muito sinceramente, não consegui responder. Quando tentei falar do sexo masculino ficou ainda mais perturbada exclamando vários "que nojo! que nojo!" e depois fiquei eu com má fama.

Mulheres... mesmo jovens já nos dão volta à cabeça.

cinquenta e seis

No outro dia fui acusado de ser um bocado chato quando falo das coisas preferidas nesta e desta vida. Fiquei atordoado pois até pensava que as pessoas gostavam de ouvir as minhas opiniões e, quiçá, aprender alguma coisa com elas assim como eu gosto de ouvir e aprender com os outros.
Mas não, mas não.
E a maior chatice é mesmo estar a pensar nisso. É que doeu um bocadinho.

cinquenta e cinco

Tenho um conflito com as capicuas. Se por um lado as acho agradáveis, redondas e perfeitas, por outro provocam-me alguma angústia e até medo. Não sei porquê nem consigo encontrar razões para essa fobia, mas que tenho aquela comichão na barriga quando penso nisso ou dou por uma...

Bom, podia dar-me para pior.

terça-feira, 21 de julho de 2009

cinquenta e quatro

Penso chegar aos 54 anos. Penso e quero. Aliás, ai de quem se meta à minha frente com uma pistola, um capuz, um boletim de voto sem alternativa democrática, um automóvel desgovernado, uma doença xpto, uma naifa, uma conta por pagar, um ciume, uma macumba, uma gripe qualquer meio marada, mais uma capa com a ana malhoa desnudada, um ovo podre ou uma ostra passada.

Penso e quero. Mas não mando.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

cinquenta e três

Danou-me ver dias atrás a imagem de um enorme armazém cheio de automóveis que o fisco retirou aos endividados. Se por um lado senti até uma certa ponta de justiça ao reparar em inúmeros topos de gama, por outro fiquei raivoso quando vislumbrei carros de quem mesmo precisa deles para trabalhar, como Ibizas, 205, Corsas e etc.
Sabemos que o fisco não tem tento nem é justo e que promove a perseguição a quem faz tudo para sobreviver, mas as represálias sobre os contribuintes alimentam uma cada vez maior crise social e uma vergonha humana tão típica das nossas gentes.
Este governo que alimenta noticiários com números enganadores sobre o desemprego, não faz as contas aos milhares de empresários falidos que não têm direito à segurança social e subsídios que pagam há muitos anos. Em vez de 10 seriam uns escandalosos 30%, pois sabemos bem como é feito o tecido empresarial português.
Há um paralelismo que são as vítimas mortais dos acidentes automóvel. Só se conta as que perecem no local e não as que vêm a falecer após internamento no hospital. Mais um escândalo a que a Comissão Europeia faz vista grossa.
Estamos rodeados de mentiras e mentirosos.

cinquenta e dois

Marte fica um bocadito fora de mão para a tecnologia de hoje. Mais vale ir novamente à Lua e construír a base lunar Alfa. Pelo menos, mesmo com uma década de atraso, seria engraçado sabermos que andavam por lá uns quantos tipos a fazerem experiências com plantas e drogas que levariam à extinção de algumas doenças que ainda nos atacam e matam em pleno séc XXI.
Mas não, mas não, queremos é ir a Marte.

cinquenta e um

Crise, crise, festivais de música à parte.
Pelo menos não todos.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

cinquenta

Os argentinos descobriram que o governo lhes mentiu em relação à gripe, os ingleses andam a fazer festas para apanhá-la antes do inverno e a ministra portuguesa é das únicas que ainda não percebeu a gravidade e só fez uma pré-encomenda da vacina.
A H1N1 vai ser terrífica e por cá ainda ninguém percebeu. Há médicos que querem proibir desde já as entradas e saídas do país enquanto o governo lança uns pequenos avisos para lavarmos as mãos. As empresas estão em pânico pois ficar sem trabalhadores em momentos de crise é catastrófico... ou talvez não e é uma bela desculpa para o layoff. Tenho amigas que já lutam contra a falta de clientela em pequenos espaços comerciais, como restaurantes ou cafés, e sabem que não vão conseguir aguentar a renda e demais despesas se perderem mais clientes. Outras não sabem se deixarão os filhos ir à escola já em Setembro, quando há quem defenda um adiamento do início do ano lectivo para Outubro ou mesmo Novembro.
Andamos a brincar com mais um virus lançado para fazer a fortuna de alguns. E não, não é uma teoria da conspiração (nem da constipação), pois basta ver quem é o dono da farmacêutica que detem o único medicamento contra o bicho e que controla 80% das plantações dessa planta milagrosa e etecétera e tal e coiso.
Andamos adormecidos ou este será mais um virus que ajudará os "controladores" no seu genocídio programado e anunciado? 2012, não é?
E para saberem quem são estes senhores, vejam uma série tv com 10 anitos intitulada "Millenium". É engraçado ver as coincidências... tal como foi engraçado ver todas as outras (desde o 24 aos filmes) que tinham como presidente norte-americano um negro.

Confesso que estou bastante preocupado pois não gosto de hospitais.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

quarenta e nove

Abomino ter que esperar por um contacto previamente combinado e ter que ser eu a fazê-lo. E depois quando não atendem sinto o sangue a latejar nos olhos, o coração a mostrar que existe e um enorme nó na garganta que por vezes passa para o estômago.
É sexta, quase final da tarde útil e tenho que calcorrear meia cidade e apanhar filas atrás de filas para chegar ao destino depois de confirmar se sim ou não.
Detesto, detesto, detesto!

quarenta e oito

Quando comecei este não sabia muito bem para que serve um blog. Entusiasmei-me de início e escrevi coisas que saíam facilmente como se o pequeno rectângulo branco me ordenasse uma qualquer suposição, suspiro ou lamento. Dei por mim a tratar coisas que julgava esquecidas e outras que pensei terem-me esquecido.
É engraçado isto da memória.
Mas continuo sem saber para que serve este blog e muito menos quanto mais tempo o escreverei.
Prometo apenas que continuarei até ao dia que não.
É uma promessa fácil de se cumprir.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

quarenta e sete

Descobri hoje um blog de uma jovem que já morreu. Deixou um último post de despedida a quem a amou e uma ode à vida. Coisas simples como comer caracóis, um bigmac, ir à piscina ou à praia molhar os pés foram para ela verdadeiros momentos de celebração de e da vida.
E nós andamos cegos.

terça-feira, 7 de julho de 2009

quarenta e seis

Se há coisa que me fascina é esta constante falta de memória lusitana reforçada com ataques diários a todos os restantes devido à inveja e à preguiça. Mas que raio de natureza a nossa pá!

quarenta e cinco

Um sorriso franco é algo que encanta. Pode ser traquinas, sexual, amigo, contagiante. É sempre algo que se pega aos demais e recebe sempre outro de volta.
Que capacidade rara e humana esta. Que extraordinários músculos faciais o provocam. Que bonitas rugas de expressão criam na mais bela prancha da vida: uma cara que viu e viveu momentos felizes.

Há outra coisa com quase todas estas capacidades: o bocejo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

quarenta e quatro

O que é o roubo? Roubar o coração de alguém é um acto nobre mas roubar o doce a uma criança é cruel. Roubar o estado e as finanças é de gajo com eles no sítio e roubar uma caixa multibanco é de gajo com passaporte estrangeiro. Roubar um fruto porque se tem fome é desculpável mas roubar o fruto de uma vida de trabalho não tem perdão.
Roubar é como um roll-bar (aqueles ferros que reforçam o interior de um automóvel de corridas para safar quem os guia): o ladrão só anda às cambalhotas se for apanhado. E depois há ladrões e ladrões.
Confesso que desde puto gostava de ser um, daqueles que roubam uma jóia ou um quadro de um cofre-forte impossível de penetrar, equipado com um belo fato preto e cheio de gadgets electrónicos. Ser ladrão, uma única vez na vida, podia dar um jeito do catano.
E, neste único caso, é romântico, elegante, profissional, perfeccionista, radical, corajoso e demais adjectivos. Pensando bem, não é isso que procuramos na vida?

Estou confuso.

domingo, 5 de julho de 2009

quarenta e três

Retrato-me como sortudo na vida romântica mas não muito forte nas artes do amor. Sempre tive uma tendência para seguir em frente sem olhar ao futuro e muitas vezes perdi tempo. Não acho que más vivências sirvam para nos dar mais conhecimento e experiência, muito pelo contrário. Corrompem o que há de bom em nós, tiram-nos os melhores anos e endurecem-nos dia a dia.
Conseguir nem que seja encontrar forças para lutar por um novo alguém é obviamente algo tão especial e raro que tem duas opções. Ou pensamos que não vale a pena ou arriscamos tudo mais uma vez. Afinal, isto até é simples, não é?

sábado, 4 de julho de 2009

quarenta e dois

Recebi a notícia que mais um amigo se vai da sua terra natal e cidade fetiche da luz e sete colinas. Vai sem emprego certo e sem poiso combinado. Tem 4o anos e simplesmente vai. Está calmo, aliás, bem mais calmo que o normal, mais solto e posso até dizer, sem ser um palavrão, feliz.
Ele também sabe dos meus planos e referiu que até foi uma das certezas que lhe deu mais força.
Não temos dupla nacionalidade nem um tacho fadado do estado, mas temos ainda coragem para recomeçar toda uma vida. Ou continuar o resto dela.
Pensámos nos amigos que não tiveram esta oportunidade e que se perderam na má vida ou encontraram o seu final mais cedo. Também isso nos dá força para que o nosso possa ser escrito em livro e passado para uma experiência multimedia e multiplataforma de razoável qualidade. Desde que tenha a Angelina Jolie, naturalmente. Há que acabar num tcham!

quarenta e um

Sempre lhes ensinei que o dinheiro não sai dos multibancos como nunca caiu das árvores quando eu era o mais novo. Mas não entendem pois, ao fim e ao cabo, há alguém lá dentro que escolhe as notas que pedimos e depois as enfia pelo buraco. Longe de mim ousar explicar o que é a robótica aliada à informática, também não o conseguiria, mas preocupa-me cada vez mais esta noção que as gerações mais novas têm em relação ao dinheiro. Afinal tudo é fácil, os euros até são poucos para aquilo que é (realmente um computador custar 400 euro não é o mesmo que custar oitenta mil escudos ou contos de reis), os cartões é que pagam e, pasme-se, há-os para cada loja, portanto só se pode ir a tais lojas com tais cartões.
Dizer não porque o fim do mês não permite mais extravagâncias ou excessos, é o mesmo que dizer não aos pedidos e depois a eles próprios quase como se fosse um castigo.
Ninguém entende que já não há, acabou, terminou, finito, kapput, the end, adiós. No more.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

quarenta

Chegado à quarta dezena de escritos, apetece-me deixar uma imagem de esperança e fé para quem ainda quer ser um bom cidadão português na forma de uma gentil e pequena fábula que me vou esforçar por inventar.
Era uma vez um jovem português que queria ser um bom português. Olhou para o horizonte que seria o seu futuro e decidiu-se por uma carreira nas engenharias. Começou como civil mas depressa percebeu que era a tecnologia e informática o passo certo.
E assim fez, tornando-se num excelente e notabilizado jovem com média 20.
Como o seu país lhe fechava as portas e ele ainda continuava a querer ajudá-lo, decidiu aceitar o convite da maior empresa tecnológica mundial. Falta-lhe ainda uns 30 anos para pedir a reforma e prometeu que regressaria a Portugal, investindo numa casa verde com piscina e águas quentes pelo sol, adquirindo participações na JSáCouto e comprando um automóvel eléctrico ao consórcio da Nissan.
Deste modo ajudará tudo e todos.

trinta e nove

Pois estou tão revoltado desde que acordei que nenhum sentimento bonito surge para poder escrevê-lo. Lá se foi o meu estado zen. Este país emperra na burocracia constante, velhaca e antiquada. Assim não vamos lá.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

trinta e oito

Realmente a vida não pára de surpreender-me.
Sou um bocadinho adverso a grandes mudanças e até já perdi um par de oportunidades de mudar de poiso, país e quem sabe se agora estaria mais realizado.
Mas optei sempre pelo conforto tão lusitano, este apego à terra e às minhas gentes, este sentimento tão complicado que é o ser-se português.
No ano passado vivi uma grande mudança. Ainda estou a tentar ambientar-me quando, em poucos meses, tudo parece querer mudar. A princípio foi um complemento normal na vida dos homens, seguiu-se outra que o reforçou e avizinha-se a maior delas todas, daqui a um ano ou pouco mais.
Num repente, vou viver outra ainda muito mais cedo do que estava à espera.

Para quem não gosta de mudar, vai lá vai.

trinta e sete

Após o desabafo de ontem encontro-me extenuado mas a viver um estado zen. Estou perturbado com algumas coisas complicadas mas, pela primeira vez em muitos anos, tenho esperança que o futuro me traga coisas boas que entretanto a vida se esforça por combater.
A minha, como tantas outras, é feita de altos e baixos. E agora que olho para trás não me posso queixar pois se perdi alguma pujança nos últimos anos, consegui bastantes coisas anos antes. Agora está na altura de fazer um balanço a sério, não daqueles que prometemos na passagem do ano ou aquando o aniversário, mas um verdadeiro e completo check-up para perceber finalmente que tudo o que vem a seguir só pode ser bom porque simplesmente tenho a hipótese de o poder fazer e viver.

Não sei se me entendem.

terça-feira, 30 de junho de 2009

trinta e seis

Ando há que tempos a querer expôr num local público um veemente protesto contra quem manda no Metro de Olissipo assim como um outro tipo post scriptum a desfavor do... como colocar isto sem ser ofensivo... inteligente que comanda camarariamente os destinos de quem ainda teima em viver numa cidade cada vez mais feita para quem não mora nela.
Pois tenho a dizer que sou totalmente contra a construção de linhas e paragens de Metro para os arrabaldes enquanto não o fizerem na ex-nobre e esbelta cidade.
Não admito que um tipo que habite na Expo, antes de Loures ou Moscavide, não tenha uma linha directa para Santa Apolónia que passe por aldeias fantásticas como a Madredeus, Poço Bispo, parte do Beato e ainda uma parte mais pequena de Xabregas.
Não admito que a tão badalada Linha das Colinas não presenteie Sé, Alfama, Castelo, Graça, Sapadores, Penha de França, Paiva Couceiro, Alto de São João e Afonso III com um modernismo só ao alcance de alguns iluminados, como o Sebastião Carvalho e Melo.
Aliás, reparem: estas duas linhas poderiam ser intersectadas por uma que vinha directamente de Arroios ou Alameda. Que coisa mais inteligente e inovadora, "pá".
Isto já para não falar da Portela e aquela coisa pouco importante que se chama aeroporto ou lá o que é. E Santos, Belém, Memória? Nunca mais saíamos daqui.
Mas não, mas não... Odivelas, Amadora e outros arrabaldes cujas casas são a metade do preço de Lisboa, os impostos mais baixos, a Emel que não existe, os polícias que não multam e etc é que têm direito a um transporte que foi moderno há um século atrás.
Enquanto isso, o olissiponense come, cala, paga e é tratado como um Afegão.
O segundo caso tem a ver com o Terreiro do Paço e esta curiosa e estonteante ideia do senhor costa. Vê-se que não mora na capital e que anda de cú tremido em carros de alta cilindrada pagos por nós, com gasolina paga por nós, seguro contra todos pago por nós, motorista pago por nós e batedores pagos por nós.
Quando esse senhor cair do poleiro e quiser fazer um mísero quilómetro do Cais do Sodré até ao Terreiro em cerca de duas horas com alguma sorte, vai deitar as mãos à cabeça. Ou então, se bem o entendo, até vai achar lindo aquele chão ridículo em losângulo que vai acabar por destruír a praça mais simbólica de uma nação.

Desculpem.
Desculpem.
Mas nunca tive um espaço público.

trinta e cinco

Curioso lembrar-me desta carreira da Carris que apanhei durante largos e bons anos, ainda fedelho e sem o medo recente dos malfeitores, pedófilos, raptores e demais.
Aliás, muito mudou desde há uns 20 anos. Não querendo massacrar-vos com mais memórias, posso dizer que o café não sabe ao mesmo, os pastéis de nata são uma tremenda porcaria, já não existem aquelas padarias às tantas da matina onde quem era mais noctívago conseguia matar o bicho, os senhores polícias já não têm barriga nem bigode, dos quatro partidos políticos temos apenas quatro e meio, enfim. Nunca mais saía daqui. Mas o 35 era um bom autocarro.

trinta e quatro

Já viram bem as pessoas que estão a morrer actualmente? Fawcet, Jackson, Pina Bausch e todos aqueles ainda mais importantes que perecem em acidentes estúpidos sem culpa nenhuma?
Resta o consolo de uma criança com três anitos de idade.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

trinta e três

Números que me levam a revisitar tempos idos.
"Diga trinta e três!"
Automaticamente transporto-me para a lata de leite condensado surripiada às escondidas e que me acompanhava a leitura de BD naquele pequeno espaço entre a janela e o reposteiro do meu quarto. As deliciosas bombocas de baunilha, os gelados de cone comprados na escola com um guardanapo a tapá-los das intempéries, os pirolitos, a Canada-Dry, a gasosa BemBoa, os bolos dentro de caixas de madeira e vidro nas tardes de praia, os bocados de polvo assado que custava um balúrdio nas noites dessas praias, as visitas de estudo a Alverca e Alfeite, as primeiras matinés no Porão da Nau, Picapau e mais tarde Jukebox, os discos de vinil que chegavam em caixotes para vários amigos, as rádios-pirata, a tentativa de encontrar o sinal noctívago de uma estação TV pirata em televisores convencionais, o Betamax e a sua guerra com o VHS, as noites nos cinemas Quarteto e City-Cine com as extraordinárias sessões duplas à meia noite, os saudosos cadeirões do Star, o Estúdio por cima do Monumental, o canto escondido do 7ª Arte, a biblioteca e centro de fotocópias da Gulbenkian, os ciclos de video no Centro de Arte Moderna, as romarias à Bertrand do Chiado para encontrar o Melody Maker e a Bravo britânica, os Lábios de Vinho, as primeiras Doc Martens, a aventura que foi ser-se jovem quando Olissipo acordou para a Europa e mundo.

Estou velho e tenho saudades.

trinta e dois

Chegado à conclusão que a extraordinária educação que os meus pais me deram não serve de nada num mundo em que a honra e a sua palavra deixaram de ter nobreza, continuo nesta labuta diária de exigir o que é meu por direito.
Trabalho e esfalfo-me que nem um cão para depois sofrer horrores e maus momentos à espera do chequito ou tranferência bancária.
Como não aprendi a gritar, injuriar e ameaçar, dou por mim a ficar sempre como último na fila da lista de pagamentos a fornecedores.
Eu sei que sou parvo, passo algumas dificuldades de vez em quando e, como português, só me queixo aos amigos deste infortúnio.
Eu bem que quero mudar e até me esforço, mas isto é como aquela história do escorpião que pede boleia ao sapo para atravessar o riacho.
A natureza é um desatino.

trinta e um

Tenho muito medo do histerismo de massas.
Já passei por duas situações complicadas em que quase fui esmagado e naturalmente sofro de uma fobia. Nunca fui a um jogo de futebol, ir a concertos ao vivo é complicado e só vou se tiver lugar sentado nas bancadas ou camarotes. Dizem-me que assim não gozo os artistas e estar no meio do maralhal é que é bom, mas desculpem, não. Tenho medo, muito medo do povo, da sua desordem, pânico e loucura.

Quando vejo mais de 20 pessoas a dirigirem-se a mim só me apetece gritar.

domingo, 28 de junho de 2009

trinta

Preparo-me para a maior viagem da minha vida e as dúvidas começam a ser reais. Sempre fui muito materialista, gosto de colecções e de me rodear com memórias, coisas bonitas, alguma tecnologia que me garanta excelência na qualidade audiovisual e guardo tudo, tudo.
Para uma pessoa como eu, esse tudo são bastantes coisas e perturba-me, por exemplo, o anúncio de um novo suporte de audio ou video. É que não consigo deitar fora as VHS que comprei em lojas europeias e que me fizeram dono de um espólio cinematográfico invulgar em Portugal.
Se aplicarem esta situação à demais tralha percebem que a minha gentil casota está atafulhada de coisas. Mas são as minhas coisas.
Ora voltando ao início do escrito, essa viagem vai ser também uma aventura, toda uma nova vida.
Levar tudo o que tenho e gosto é, para além de tarefa hercúlea e dispendiosa, uma estupidez.
Eu sei disso mas está a custar.
E começa a doer.

vinte e nove

Tenho uma parte da vida arrumada em caixotes ali na arrecadação da direita. Não estou a falar de memórias, mas de equipamento tecnológico que já trabalhou muito e me rodeou mais de 10 anos.
Contudo houve um dia em que escolhi afastá-lo. Não fiz o que costumo nestas ocasiões que é vender tudo a qualquer pessoa e limpar qualquer traço da sua existência. Decidi apenas escondê-lo mas não muito longe.
Se calhar não estou a fazer sentido, mas para mim faço.
É que um dia destes pode dar-me aquela vontade outra vez.

vinte e oito

Se pudesse escolher uma mentira para enganar o mundo, qual seria?
Tenho estado a pensar nisso e é um turbilhão.

vinte e sete

Este número diz-me muito pois estava pintado numa carroceria vermelha de um automóvel de verdadeiras corridas. E como agora estou a relembrar toda essa vida, celebro-a com um silêncio que poucos irão entender.

vinte e seis

Hoje senti-me velho. Bom, muitas vezes é como me sinto mas depois escondo-me na noção que tenho do mundo global, de alguma cultura que fui conseguindo e com as memórias que só alguns anos permitem.
Mas é complicado gerir a descoberta de um jovem moçoilo de 14 anos que idolatrou uma data de nomes emetevianos até à morte de um verdadeiro símbolo pop. Este jovem não sabia que os passos de dança usados pelos seus modernos e actuais ícones já tinham sido inventados. Ficou perplexo quando percebeu que conhecia todas as melodias sem saber de quem eram. Ficou agarrado à tv 24 horas seguidas. Talvez mais, com um intervalo para uma bucha e uma sesta.
Este jovem, nascido na era na comunicação, não sabe o que é a net 2.0. Não entende o que é a globalização pois nasceu com ela. Mas, graças a deus, percebeu que antes de toda a sua verdade, existiu um gajo que uniu os continentes apenas com o seu nome.
Perguntei-lhe o que é que achava disso ao que me respondeu "man, não sei".

sábado, 27 de junho de 2009

vinte e cinco

As redes sociais são um dos muitos sinais da progressão do big brother nesta nossa sociedade cada vez mais imberbe, adormecida, extenuada e receosa.
Os mais novos fazem duas coisas na vida: teclam ao telemóvel e teclam ao computador sempre para os mesmos amigos com quem passam grande parte do dia.
Tenho reparado nos dramas juvenis que até são semelhantes aos adultos, com chatices, convulsões, traições e discussões. Fazem-se e perdem-se os melhores amigos - os best - num único dia.
A vida está toda escancarada, um livro aberto que em vez de dar cultura ou satisfação chupa sem dó a alegria e a pujança de uma tenra existência.
Esta loucura global com festas marcadas pelo twitter, facebok, hi5 e outras denominadas redes sociais para celebrar a morte de um menino-homem, provoca-me um sentimento dúbio.
Por um lado o mundo onde vivo está mais próximo que nunca e ao alcance de um simples dedilhar.
Por outro lado, bolas pá, deixem-me estar sossegado no meu cantinho para que ninguém saiba se ressono à noite ou faço muito barulho nos lavabos.

É que ainda tenho as minhas vergonhas.

vinte e quatro

Fico aparvalhado quando percebo o início do final de uma amizade que foi também em tempos mais idos uma aventura a dois.
Ao fim e ao cabo, superaram-se graves problemas e condicionantes, coisas menos boas e alguns disparates. Se se conseguiu isso porque raio é que agora, quando quase tudo até estava a correr bem, há uma parte que se afasta sem explicação e encerra assim um capítulo da sua/nossa história que até me foi importante?

sexta-feira, 26 de junho de 2009

vinte e três

É raro estar doente e nem apanho as gripes invernais. Só tenho, de vez em quando, uma dor de cabeça derivada dos excessos noctívagos. Nessas alturas engulo duas aspirinas e, não sendo tiro e queda, alivia bastante. Aliás, trato quase tudo à lei da aspirina e não me tenho dado mal com essa simplicidade.
Logicamente que vivendo num país angustiado e sobredopado com anseolíticos, nunca tenho em casa medicamentos para atenuar dores mais fortes que as minhas.
Aconteceu isso uns dias atrás quando uma amiga cá pernoitou chorando compulsivamente o final abrupto da sua paixão.
Sem mais palavras perguntei-lhe se queria uma aspirina.
Ela, conhecendo-me esta política na vida, parou de fungar, olhou-me nos olhos, sorriu e gargalhou.
A noite foi menos má a partir daí.

Afinal, a aspirina cura quase tudo.

vinte e dois

Há quem se perca por sapatos, malas, relógios ou outros ítems.
Ou por bons vinhos e petiscos. Ou por desejos carnais difíceis de esconder.
Ou por amor ao próximo ou próximos. Até por amor a Deus.

Eu sei quase sempre o meu caminho. Mas tenho que pensá-lo antes da viagem.

vinte e um

Da minha sala vejo parte de uma parede e chaminé brancas e, logo depois, uma enorme palmeira recortada num bonito céu azul.
Por vezes isto basta.

vinte

Estou com mais uma insónia das que me acompanham desde tenra idade - já fui a tudo e todos, esqueçam lá as mezinhas - e são sempre mais graves quanto o mais cedo tenho de acordar para um qualquer compromisso.
Já sei como é e rodeio-me de episódios de séries tv, filmes, livros, revistas e jornais. O resultado é este: cinco da manhã e reunião às nove.
Regressarei à cama daqui a um minuto. Sei que vou ver as seis.
Talvez as sete.
Até logo.
Pelo menos foi bom desabafar.

dezanove

Sou mesmo um fraco. Dou por mim a quebrar promessas, só porque tenho a desculpa que a coisa não está fácil e porque me surge uma dúvida que eu esperava não ter que sentir novamente.
Não é pela dúvida que quebro essas tais promessas mas é pela aposta que não teria mais dúvidas.
Pois tenho.
E que bem que sabe.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

dezoito


Recebi durante a janta - que até estava a ser sobre trabalho - cerca de duas dezenas de sms (eu sou velho, não utilizo essas modernices como push-email e facebook no telecas) que me garantiam ser verosímil a notícia sobre a morte do ex-rei da pop.

Fiquei assim a modos que nem sei. É que não me aquece nem arrefece. Desculpem, mas é a verdade. Estou-me completamente nas tintas para este acontecimento.

Pelo menos vai fazer juz à foto acima se é que já não o fazia.

Eu sei que estou a ser um bocadito insensível mas aquela questão da pedophilia ainda está muito fresca.

dezassete

Sempre fui um medroso no que toca a grandes mudanças na vida.
E sabem que mais? Estou mais crescido.
Já não tenho medo.
Só um pequeno receio.

dezasseis

Hoje falei com uma amiga de infância através do facebook. Um intervalo com 20 anos que me reforça a idade e obriga a visitar memórias naquela arca ali do fundo cheia de pó.
O facebookar com alguém dessa altura transporta-me imediatamente para a namorada, que era a melhor amiga desta pessoa, os jantares, a romaria diária pelo BA, a vivência de uma certa movida lisboeta, a noção de conquista, de aventura, de progresso, de objectivos e de loucuras.

É bom relembrar os meus melhores anos. Meus e nossos.

quinze

Isto de já ter uns anos dá-me alguma experiência em como tratar ou retratar amigos e amigas que são, digamos e para evitar equívocos, hipocondríacos.
Hoje enviaram-me um link que me fez rir a bom rir. E fiquei fã.
Uma coisa é fazer propaganda outra é mencionar uma boa ideia e ajudar assim quem a teve.


Esta é uma das t-shirts dessa loja online de que eu nunca tinha ouvido falar e na qual vou gastar alguns trocados.

A loja é a Bom Povo e termina com um .pt.

quatorze

Telefonaram a perguntar o que eu quero para almoço.
É uma regalia viver numa capital europeia e ter um serviço destes tão confortável quanto amável.
E não tem a ver com a crise pois a Dona Esmeralda faz isto a todos os seus queridos amigos que lhe enchem o tasco diariamente.
A Dona Esmeralda tem mão portuguesa no tacho e corpo a condizer. Rechonchuda e pesada mas com uma energia ímpar, tem gosto ao ver-nos comer e avisa sempre que não quer levar restos lá para dentro. Temos que comer tudo, tudinho, o que por vezes é dificil.
Hoje a escolha viaja pelos caminhos de Portugal.
1. Dobrada
2. Chanfana
3. Robalo e Dourada para grelhar
4. Iscas
5. Panadinhos com arroz de tomate
6. Vitela estufada
7 e para os putos. arroz de ervilhas com ovo mexido e salsicha.

Ainda estou confuso.

treze

Gosto muito deste número. É dinâmico, forte e dito de duas formas. Não sei porquê, mas é-me confortável e só posso mesmo adorá-lo.
Para uns é sinónimo de azar, para outros de nada e para os restantes não tem qualquer importância. A não ser que coincida com uma sexta-feira. Nesse caso, até os mais ousados pensam sempre duas vezes quando se cruzam com um gato preto, um escadote ou uma escada, um carro funenário ou um guarda-chuva aberto no interior de uma casa.
Estas fobias são muito engraçadas e é com elas que passamos o exame de menino para moço.
Lembro-me bem de um dia desses, tinha os meus 13 anos. Era sexta-feira, chovia a potes e fazia frio. No caminho para o liceu um gato preto correu-me à frente, passei por baixo de um escadote de um fulano dos TLP, vi um caixão a ser arrumado numa carrinha preta e não fechei o guarda-chuva no hall do liceu.

Estou vivo, não estou?

doze

Em conversa com amigos veio a lume este meu blog. E então do que vais falar, tratar, criticar e tal? Pois ainda não sei muito bem, mas é preciso um conceito? Claro que sim, obrigatório senão ninguém te leva a sério. Epá, quero lá saber disso. Ai vais querer vais, começam os comentários, as guerras, as visitas, se és um sucesso ou não... Epá, isso é para os outros blogs. Este é clean, simplex e nada de especial.

A conversa continuou até que chegou ao manual de instruções.

Olha pá, se queres garinas é fácil. Escreve sobre ti e mostra o teu lado feminino, uma atitude de abandono, critica os teus passos, manhas, forma de estar. Mostra-te tímido mas sempre com um toque de cultura. Fala de Kant, Pessoa, Picasso e dos Monólogos da Vagina.

E se eu não quiser garinas?
Então para que é que tens um blog?

onze


Tenho tentado assistir aos "5 para a meia noite" da rtp2 ou canal2 ou 2 ou lá como quiserem designar.
O conceito até é engraçado pois cada noite tem o seu apresentador, tudo muito late night show, tudo muito pós-stand-up, tudo muito divertido, moderno e inteligente.

Mas o conceito cai pela raiz pois o programa começa, com aviso, aos vinte minutos após a meia noite. Ou seja, começa logo com uma mentira.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

dez


Tive pressa em chegar à dezena. É sempre redonda e aconchegante.
Não vale de muito mas sugere um passo bem dado e firme. E isso dá-me autoconfiança para, quem sabe, continuar neste espaço a preto e branco e um bocado de laranja durante mais tempo do que adivinhei.

Até que estou um bocadito contente.

nove

Não sei muito bem para que serve um blog.
Pode ser intimista, provocatório, social, humorístico...
Pode ser cruel, efervescente, acusatório e difamador...
Pode ser decente, amoroso e bem-aventurado...
Pode ser tanta coisa.
Não sei muito bem como vai ser o meu blog.

oito


Há gritos que acordam almas!

sete

Sempre considerei o sete como o meu número azarento.
Não sei bem porquê, talvez por ter tido um ano liceal menos bom quando era chamado por ele.
Ou porque a semana custa a passar ou passa demasiado depressa.
Talvez por não ter gostado dessa colecção da Blyton.


Só sei que o considero nefasto.

seis

Perguntaram-me porque escolhi intitular os escritos com números em vez de palavras.
Olha, porque sim.

cinco

Estou à espera dessa tal paz que vem com o acumular da idade. E da paciência também. Mas ou sou diferente dos demais ou houve qualquer coisa que se partiu pelo caminho.
A meada perdeu o seu fio, só pode. É que não tenho pachorra para repeats e nesta vida raramente se sai de um loop.

quatro

Detesto o silêncio contudo venero-o.
Adoro o frio mas gosto de sentir o meu corpo a latejar.
Sou pacífico mas tenho vontade de esmurrar muita gente.
Sou sincero mas minto várias vezes.
Sou sociável mas tímido quanto o sol no inverno.
Tenho a mania que sou maníaco.
Gosto de acri-doce mas sou gajo de salgadinhos.
Abuso do álcool sem ter feridas.
Sou um viciado sem vícios pesados.
Detesto um país que venero.
Estou quase, quase a saber quem sou.

três

Tenho memórias maradas. Também tenho conta bancária, uma namorada séria e recente e um nib ou nif ou o raio que parta. Tenho gana, génio (do bom), tristeza e alheamento. Tenho um carro quase pago, uma renda mensal e um telemóvel.
Tenho um computador, uma ligação net, tv com 100 canais, um animal de estimação e roupa variada.
Tenho uma cozinha equipada e vários restaurantes preferidos.
Tenho amigos e amigas, conhecidos e conhecidas e inimigos e inimigas.
Tenho família.
Tenho todos os sentidos e o corpo ainda funciona.
Ao fim e ao cabo, tenho tudo.

dois

Existem bocados da vida que são de difícil digestão. Duros, sensaborões, criam cáries e afectam o nosso hálito social, o que nos leva a fechar corpo e alma e a mudarmos alguns hábitos diários, costumes que pensavamos rotineiros.

Geralmente são provocados por alguém. Raras vezes por algo. Esses alguém são pulgas que mordem e que por vezes até fazem sangue. Grande parte do seu dia a dia é sofrido à espera que qualquer nova atitude desencadeie alguma frustração na vítima. Pior, não desistem facilmente mesmo encontrando no alvo uma pessoa normal.

Resta abrigarmo-nos dos maus ventos e fígados e torcermos para que esses alguém, 99% das vezes anónimos, encontrem paz na sua existência sofredora.

um

Houve uma altura em que desejei mudar o mundo. Era puto, queria saír à noite e não me deixavam, guiar sem ter carta, viajar sem guito. Depois alguém disse "muda-te primeiro" e fiquei sem saber o que fazer. Decidi então experimentar drogas. A primeira foi um corpo feminino. Descobria assim uma das poucas razões que me leva a estar vivo, ainda hoje.

As outras são fáceis de enunciar: bom vinho, boa comida, boa dormida, bons objectivos, boa música, bons amigos e boa vida.

Até agora consegui todos e perdi alguns.

Mas o corpo feminino continua a ser a droga que me leva ainda a querer mudar o mundo.